sábado, 1 de dezembro de 2018

"Names", novela de Dalton Almeida


Names: Uma história policial sci-fi, Dalton L. C. de Almeida. Dragonfly Editorial, S.Paulo, 2016. Prefácio de L. H. Hoffmann (editor). Capa: Victor Caigue.

Muito original esta novela que estrutura um mundo futuro complexo e bem diferente do nosso, na verdade um mundo espacial e onde as paixões humanas continuam poderosas e impiedosas. Imensas naves espaciais atravessam o Cosmos, representando o conjunto de nações e continentes; um policial, Lucca Costa, da nave latina, investiga um crime que apresenta conotações peculiares. A Latina é uma das super-naves da Frota Real de colonização extra-solar. Sim, este futuro é monárquico, como aliás muitos mundos imaginados pela ficção científica.
A novela é hábil e instigante, porém admite alguns questionamentos. Por exemplo, por que o uso da expressão “sci-fi” — um estrangeirismo de pouco trânsito no Brasil — no subtítulo? E por que o próprio título da obra é “Names” e não “Nomes”? É um detalhe interessante que o nome que a pessoa usa, ou que deixa de usar, é algo de extraordinária importância na trama. Idem os meandros da política, onde nem tudo é o que parece, e onde a liberdade é posta em xeque por sutis manobras. Isso fica evidente quando Lucca e seus companheiros de investigação se vêem impotentes para dar solução definitiva ao caso.
É aos poucos que a gente toma gosto pela trama, que acaba num gancho excitante para uma possível continuação.
Miguel Carqueija, Rio de Janeiro, 12 de julho de 2018.

domingo, 25 de novembro de 2018

O Chicote e o Corpo (The Whip and the Body, Itália / França, 1963)



Lançado em DVD no Brasil pela “Versátil”, na coleção “Obras Primas do Terror – Volume 1”, “O Chicote e o Corpo” (The Whip and the Body) é um filme de horror gótico dirigido pelo especialista italiano Mario Bava e com Christopher Lee como vilão.
Curto, com apenas 78 minutos de duração, a história é ambientada na Europa do século XIX, num castelo à beira do mar, de propriedade do Conde Vladimir Menliff (Gustavo De Nardo, creditado como Dean Ardow). Lá vivem também seu filho Cristiano (Tony Kendall), prestes a se casar com a noiva Nevenka (Daliah Lavi), além de Katia (Evelyn Stewart, creditada como Isli Oberon) e os empregados Giorgia (Harriet Medin, creditada como Harriet White) e Losat (Luciano Pigozzi, creditado como Alan Collins). O ambiente fica bastante tenso com a chegada de Kurt Menliff (Christopher Lee), outro filho do conde, que já teve um relacionamento conturbado com Nevenka e foi o responsável pelo suicídio de Tanya, a filha da empregada Giorgia, após outro romance mal resolvido.
Kurt é recebido com hostilidade pela família, com conflitos constantes e sentimentos de desconfiança e ódio. Depois que ele é assassinado misteriosamente, como num plano de vingança, as tensões no castelo se intensificam ainda mais e Nevenka passa a sofrer terrivelmente com alucinações e ataques do fantasma perturbado de Kurt, que retorna da tumba para assombrar o castelo.
O cineasta Mario Bava (1914 / 1980), de clássicos como “A Maldição do Demônio” (1960), “As Três Máscaras do Terror” (1963) e “O Planeta dos Vampiros” (1965), entre outros, é considerado um mestre italiano do Horror gótico. Em “O Chicote e o Corpo” temos a tradicional ambientação sombria de um castelo imponente no alto de uma montanha beirando o mar. Com o barulho constante de fortes ventanias e ondas se chocando contra as rochas, contribuindo ainda mais para uma atmosfera sinistra que perdura o tempo todo pelos aposentos e becos escuros do castelo, com suas passagens secretas e armaduras medievais decorativas. Vozes, sombras, o horror à espreita, mortes, perseguições, loucura, todos esses elementos juntos para fazer do castelo um palco de pesadelos num horror gótico de gelar a alma dos vivos.
Christopher Lee (1922 / 2015), com seu currículo de quase 300 filmes, está imponente como sempre, no papel de um vilão que chicoteia uma mulher e assombra o castelo da família em busca de vingança contra seus detratores.

Eu te assusto? Você gostava de mim antes. Você sempre gostou de violência. Você não mudou nada. Você não mudou e nunca mudará.” – Kurt para Nevenka    

(Juvenatrix – 25/11/18)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, Inglaterra, 1958)



No final da década de 50 do século passado, o cinema de Horror enfrentava uma crise com perdas de audiência para a televisão. Nessa época, a produtora inglesa “Hammer”, sob a liderança dos executivos Michael Carreras e Anthony Hinds, decidiu revitalizar o gênero trazendo novamente às telas do cinema os famosos monstros consagrados pelo estúdio americano “Universal” com seus filmes em fotografia em preto e branco. Dessa forma, os famosos ícones populares do Horror voltaram, e novos filmes foram produzidos com “Drácula”, “Criatura de Frankenstein”, “Múmia”, “Fantasma da Ópera”, “Lobisomem”, e outros. Porém, dessa vez com fotografia em cores e destacando o vermelho do sangue, surgindo clássicos absolutos do Horror gótico como “A Maldição de Frankenstein” (1957) e “O Vampiro da Noite” (1958), lançando atores que se transformaram em lendas do gênero como Christopher Lee e Peter Cushing. Além de diretores que se tornaram nomes conhecidos como Terence Fisher, o principal cineasta do estúdio, e roteiristas como Jimmy Sangster.
A história é baseada no famoso livro de Bram Stoker, mas nesse caso com alguma liberdade de criação artística e alterações que não prejudicaram. Jonathan Harker (John Van Eyssen) vai trabalhar como bibliotecário no castelo do Conde Drácula (Christopher Lee), numa cidadezinha alemã, para supostamente catalogar os livros de seu acervo. Ele tem um encontro tenso tanto com seu anfitrião quanto com uma vampira escravizada (Valerie Gaunt). Drácula conhece a noiva de Harker através de uma foto, Lucy Holmwood (Carol Marsh), e fica obcecado por ela, decidindo viajar para a Inglaterra a sua procura. Lá, conhece também seu irmão Arthur (Michael Gough) e a esposa Mina (Melissa Stribling), que se transforma em mais uma de suas vítimas vampirizadas. Para combatê-lo, surge o Prof. Van Helsing (Peter Cushing), estudioso de vampirismo e que tenta salvar Lucy das garras do “vampiro da noite”.    
Como infelizmente uma infinidade de filmes com vampiros contribuíram para desqualificar a mitologia tradicional dessas criaturas da noite, é extremamente louvável que a “Hammer” e seu clássico “O Vampiro da Noite” tenha respeitado alguns dos elementos típicos do vampirismo, como aversão ao sol, ao cheiro do alho, ao crucifixo como símbolo religioso do bem contra o mal, e a evidência da tão temida estaca de madeira cravada no coração como ato de destruição de um vampiro.
Ao contrário do igualmente clássico de Tod Browning lançado em 1931, com fotografia em preto e branco e Bela Lugosi interpretando magistralmente Drácula, e que tinha interpretações teatrais do elenco e uma narrativa mais pausada, o filme de 1958 da “Hammer” tem mais ação e cenas com violência e sangue. Como quando Drácula agride uma vampira escravizada em seu castelo, jogando-a brutalmente no chão, além dos vários momentos onde o sangue escorre das vítimas do conde vampiro.
Christopher Lee (1922 / 2015) aparece e fala pouco, mas todas as suas cenas são sinistras e marcantes. Com sua atuação como Drácula nesse e em vários outros filmes, tanto da “Hammer” como de outras produtoras, ele registrou para sempre seu nome na história do cinema de Horror e vampirismo. Seu parceiro de muitos filmes, Peter Cushing (1913 / 1994), também se tornou outro ícone do Horror e é muito lembrado pelas diversas performances como Van Helsing, o eterno inimigo de Drácula. O confronto final entre eles em “O Vampiro da Noite” é antológico.
Aliás, esse filme inaugurou uma série da “Hammer” com Drácula e foi seguido por “As Noivas do Vampiro” (The Brides of Dracula, 1960, esse sem Christopher Lee e com David Peel interpretando um descendente de Drácula), “Drácula, o Príncipe das Trevas” (Dracula, Prince of Darkness, 1965), “Drácula, O Perfil do Diabo” (Dracula Has Risen From the Grave, 1968), “O Sangue de Drácula” (Taste the Blood of Dracula, 1970), “O Conde Drácula” (Scars of Dracula, 1970), “Drácula no Mundo da Mini Saia” (Dracula AD 1972), “Os Ritos Satânicos de Drácula” (The Satanic Rites of Dracula, 1973), e “A Lenda dos Sete Vampiros” (The Legend of the 7 Golden Vampires, 1974, esse também sem Christopher Lee, e com John Forbes-Robertson em seu lugar).
(Juvenatrix – 19/11/18)

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

FCF&H brasileira essencial em 2017

Como fiz com outros anos, relacionarei a seguir os títulos de livros de autores brasileiros de fantasia, ficção científica e terror que se destacaram entre os lançamentos de 2017. Cabe, antes de iniciar, dar alguns esclarecimentos sobre o método empregado.
Em primeiro lugar, a lista segue padrões pessoais de relevância, ou seja, trata-se de um recorte pessoal e absolutamente arbitrário. Dentro dessa premissa inicial, optei por evitar sequências, uma vez que toda sequência está necessariamente vinculada a uma publicação de um ano anterior, mas algumas vezes isso é incontornável. Também desconsidero republicações e reedições porque obviamente não são inéditas. E finalmente, só me interessam aqui os autores que escrevem em português e publicam no Brasil. Ou seja, livros publicados fora do país, mesmo que de autores brasileiros, assim como livros de autores estrangeiros traduzidos aqui não entram nesta lista. Confesso que senti vontade de não considerar os ebooks mas, devido a significância de alguns títulos, essa premissa não foi observada. Não há hierarquia de preferência e os títulos estão apresentados em ordem alfabética dentro de sua classificação.

Iniciando pelos romances e, dentro deles, pelo gênero fantasia, destaco cinco títulos. Aimó: Uma viagem pelo mundo dos orixás (Companhia das Letras), de Reginaldo Prandi, é uma obra superlativa e surpreende que o autor não tenha sido percebido há mais tempo. Conta a história da alma desmemoriada de uma menina que busca por recuperar sua história no mundo dos orixás para, dessa forma, ter a oportunidade de reviver. O que mais impressiona é a clareza do autor em apresentar o panteão africano - a mitologia mais viva do mundo moderno - e contextualizar a doutrina do candomblé.
Raphael Draccon sempre fará parte das listas de essenciais quando tiver um novo livro publicado, e ele sempre tem. Trata-se de um dos maiores vendedores de livros de fantasia no Brasil, que conta com uma legião de admiradores. Ainda não parece ter alcançado a estatura da influência de André Vianco - outro nome sempre presente nestas listas -, mas também é bastante respeitado pelos seus pares e leitores. Em O coletor de espíritos (Rocco), um psicólogo retorna ao seu antigo vilarejo para enfrentar os fantasmas da juventude.
Ordem vermelha: Os filhos da degradação, de Felipe Castilho (Intrínseca), foi lançado com pompa e circunstância edição 2016 da Comic Con Experience, em São Paulo, numa campanha de marketing nunca antes vista na literatura fantástica brasileira. Trata-se de uma fantasia medieval maniqueísta inspirada no modelo tolkeniano, em que um grupo de paladinos enfrentam a potestade maligna dque domina uma cidadela.
Sherlock e os aventureiros, de André Cordenonsi (Avec), é uma história na linha "juventude de Sherlock Holmes", um tipo de fanfic muito praticado em todo mundo, que até já teve uma versão para o cinema nos anos 1980. Nesta história, o lendário detetive une-se a conhecidas personalidades de fato e de ficção para salvar o mundo de conspirações sinistras.
Cordenonsi também aparece, ao lado de Enéias Tavares e Nikelen Witter, no romance escrito a seis mãos Alcova da morte: Um caso da Agência de Detetives Guanabara Real (Avec), em que um grupo de investigadores  – que são avatares dos próprios autores – se envolve numa aventura ao molde steampunk durante a inauguração da estátua do Corcovado. Alguns poderiam dizer que este título deveria estar entre os livros de fc, mas como a história extrapola bastante o gênero, fica melhor mesmo como fantasia.


E por falar em fc, a lista continua agora nesse gênero, com Anacrônicos, de Luiz Bras (@Link), noveleta publicada em volume independente que conta como o fim do mundo chega através do surgimento inesperado de milhões de réplicas de todas as pessoas que já viveram, incapacitando a continuidade da vida como a conhecemos.
Dunya, o primeiro ebook desta relação, tem autoria de Tibor Moricz (em edição do próprio autor) é um romance de ficção espacial sobre um grupo de colonos num planeta inóspito habitado por uma raça hostil. Apesar de ser um enredo já bastante explorado, Moricz é um dos melhores autores da Terceira Onda da fc brasileira e seus textos sempre merecem a atenção dos leitores.
Extemporâneo é o novo romance de Alexey Dodsworth (Presságio), um dos nomes favoritos entre os votantes do Prêmio Argos, que já lhe tributaram comendas em 2015 e 2017. Neste romance, o protagonista salta, aparentemente sem controle, de uma realidade a outra, experimentando vidas de todos os tipos. O tema também não é original, mas é preciso reconhecer a importância de Dodsworth no cenário atual da fc brasileira.
Eric Novello, um dos autores da Terceira Onda mais elogiados pelos leitores, publicou em 2017 seu primeiro título pela prestigiosa editora Companhia das Letras. Trata-se do romance Ninguém nasce herói, jornada adolescente numa São Paulo alternativa dominada pelo ódio, intolerância e integralismo religioso.
Gerson Lodi-Ribeiro é um nome reconhecido dentro do fandom, ativo desde os anos 1980 tanto como autor como organizador de antologias. Seu romance Octopusgarden (Draco) também se passa no espaço sideral, em um planeta aquático habitados por octópodes que recebe a visita de uma nave com golfinhos inteligentes terrestres, e a interação das espécies não vai ser muito pacífica.


No gênero do horror, finalmente chegou ao mercado O mistério de Deus, de Roberto de Sousa Causo (Devir), uma história que une carros envenenados, boxe e demônios assolando Sumaré, pequena cidade do interior de São Paulo onde o autor passou toda a sua juventude, o que garante descrições naturalistas que contrastam vividamente com o sobrenatural.
Neve negra, de Santiago Nazarian (Companhia das Letras) conta a história de um artista plástico que se depara com o insólito quando, depois de longa ausência, retorna sua residência na serra catarinense numa rara noite de nevasca.
Também pela Companhia das Letras, recebemos Noite dentro da noite, de Joca Reiners Terron, relato perturbador que observa o Brasil a partir de um garoto que sofreu um acidente grave e tem de tomar medicamentos que nublam a percepção da realidade, ou talvez não.
André Vianco aparece aqui com o romance Penumbra (LeYa), que conta a história de uma menina que desperta numa dimensão sombria onde encontra uma velha senhora que será sua nêmesis e também sua única amiga.
Antônio Xerxenesky trouxe o romance As perguntas, publicado pela Companhia das Letras. Conta sobre uma especialista em ocultismo que se envolve na investigação de um crime que vai abalar sua confiança e convicções.
Quero lembrar agora alguns títulos entre antologias e coletâneas porque, além da produção de ficção curta ser tradição brasileira, é geralmente nas seletas que florescem novos autores. Dessa forma, destacarei quatro títulos em cada gênero.


Na fantasia, é necessário conhecer o Dicionário de línguas imaginárias, de Olavo Amaral (Companhia das Letras), em que o autor reúne textos de sua própria autoria, todos de um viés metalinguístico que se desdobra nos diversos subgêneros especulativos, sempre tendo como base a comunicação ou a falta dela.
Giulia Moon, que também é uma personalidade obrigatória entre o essencial, aparece desta vez ao lado de Walter Tierno como organizadora da antologia Fantásticas: Contos de fantasia protagonizado por mulheres (Giz), que como diz o título, pretende dar maior presença feminina à literatura do gênero, proposta que por si só é digna de nota.
O já citado Tibor Moricz aparece mais uma vez nesta relação com a coletânea Filamentos iridescentes, autopublicada em forma de ebook, que reúne alguns de seus melhores trabalhos na ficção curta, algo que realmente faltava na bibliografia do autor.
A mais destaca autora no último prêmio Argos, Ana Lucia Merege organizou este ano mais uma antologia sobre contos de fantasia medieval, Magos: Histórias de feiticeiros e mestres do oculto (Draco) que, ao lado de Excalibur e Medieval, forma um amplo painel do subgênero no país.


O espaço das antologias de ficção científica foi dominado por Luiz Bras, que organizou três dos quatro títulos lembrados aqui. Foram os volumes gêmeos de Hiperconexões, realidade expandida: Sangue & titânio e Carbono & Silício (Patuá), que são seletas de poemas, algo extremamente raro dentro do gênero no Brasil. Brás também publicou a coletânea pessoal A última árvore (Livros-Fantasma), ebook que reúne sua ficção curta mais recente. Pela qualidade de suas coletâneas anteriores, esta certamente é leitura obrigatória.
A quarta coletânea do gênero tem o singelo título de Memórias pós-humanas de Quincas Borba e outras histórias alternativas muito além do País do Futuroebook de Sid Castro publicado pelo autor, um veterano da Segunda Onda da fc brasileira que apresenta agora uma seleta autoral com textos interessantes de diversas propostas.


No gênero do horror, destacam-se a coletânea Comboio de espectros, de Duda Falcão (Argonautas/Avec), autor que tem se estabelecido junto ao fandom a partir de trabalhos nesse gênero, especialmente contos, que seguem um estilo gótico clássico, com uma pitada de humor, negro é claro. Camila Fernandes, autora da Terceira Onda que estava ausente há algum tempo, retornou em 2017 com a coletânea Contos sombrios (Dandelion), num estilo mais intimista. Raphael Draccon, cujo romance já foi citado no início deste artigo, contribui também no horror, ao lado da esposa Carolina Munhóz e dos escritores Frini Georgakopoulos e Rafael Montes para compor a antologia Criaturas e criadores: Histórias para noites de terror (Record), com releituras de histórias clássicas do gênero. E, ainda, Crimes fantásticos, organizada por Cesar Alcázar e Duda Falcão (Argonautas), antologia que tem o mérito suplementar de recuperar a arte de R. F. Lucchetti, um dos grandes mestres do horror brasileiro.

Para fechar esta lista, três títulos de não ficção que são obrigatórios para aqueles que querem ter uma visão mais apurada da literatura fantástica no Brasil: A a Z: Dicas para escritores, do veterano da Segunda Onda, tradutor e acadêmico Fabio Fernandes, um ebook autoeditado com orientações divertidas para novos autores de gênero, mas que também são úteis para os leitores; A fantástica jornada do escritor no Brasil, reveladora pesquisa de Kátia Regina Souza (Metamorfose) apoiada em uma série de entrevistas com personalidades da ficção fantástica brasileira, e Fantástico e seus arredores: Figurações do insólito, compêndio acadêmico editado em forma de ebook pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, organizado por Maria Zilda da Cunha e Ligia Menna, com artigos sobre a literatura brasileira e sua relação com o fantástico.
Pinçamos aqui trinta títulos importantes publicados ao longo de 2017 (quinze romances, doze coletâneas e três não ficção) que devem ser observados com carinho tanto pelos leitores como pelos estudiosos dos gêneros fantásticos no Brasil. Como foi dito no início, por ser uma seleção arbitrária, decerto que permite recortes alternativos dentro da relação total de lançamentos no ano que integralizou 235 títulos. Essa relação pode ser conferida no Almanaque da Arte Fantástica Brasileira: Lançamentos literários de ficção científica, fantasia e horror no Brasil em 2017, que pode ser encontrada para leitura online e download aqui e aqui. Assim, cada um poderá fazer sua própria lista de essenciais.
Cesar Silva

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Uma Sombra Passou por Aqui/O Homem Ilustrado


Uma Sombra Passou por Aqui (The Illustrated Man), Ray Bradbury. Tradução de Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Editora Record, sem data, 222 páginas. Lançamento original em 1951.

Não é incomum nos dias de hoje ver uma pessoa com tatuagens por todo o corpo. Expressão de identidade, afirmação ou contestação de valores, culto a um herói ou ídolo, por estilo artístico ou estético, as motivações são variadas. Mas nem sempre foi assim e, em certos círculos sociais mais conservadores, ainda é visto com certa desconfiança ou preconceito.
Mas como deixa claro o protagonista de Uma Sombra Passou por Aqui, ele não tem tatuagens convencionais pelo corpo, mas sim ilustrações de pele. Mais elaboradas, artísticas e, sobretudo, fantásticas.
A primeira edição brasileira de The Illustrated Man saiu no país inspirada pela adaptação cinematográfica da obra, lançada em 1969, com direção de Jack Smight, e estrelada por Rod Steiger e Claire Bloom. Outras duas surgiram em 1976 pela Edibolso, uma com o mesmo título de Uma Sombra Passou por Aqui e, curiosamente, outra chamada de Recordações do Futuro. Embora não sejam ruins, os títulos nacionais perdem em termos de informação e estranhamento em relação ao original. Coisa que não ocorreu em Portugal, nas três vezes em que foi publicado por lá. Pois tanto as edições número 18 da Coleção Argonauta (1955), sua nova coleção Gigante (1999), como o da Publicações Europa-América (2004) receberam o título de O Homem Ilustrado.
O livro reúne a primeira seleta de histórias curtas do autor, no ano de 1951, e apresenta 18 contos independentes – já previamente publicados na década anterior em revistas populares –, mas interligados de maneira engenhosa pela figura do homem ilustrado, já que cada uma das histórias retrata uma das ilustrações, que ganham vida quando vistas por outra pessoa.
Mas como o homem ilustrado ficou assim? Já no Prólogo ele mesmo explica a um viajante que o encontra casualmente, que foi uma mulher que fez os desenhos em seu corpo. Uma mulher madura, linda e de personalidade hipnótica, nos seus dizeres uma feiticeira que teria vindo do futuro. Que o seduziu, ilustrou-o todo e, subitamente, desapareceu, o deixando com uma espécie de dádiva visual e maldição. Isso porque ele passou a ser visto com um misto de curiosa admiração e mau-agouro, pois através da contemplação das imagens uma pessoa pode vislumbrar, além de histórias incríveis, o seu próprio futuro e até mesmo a sua morte. Virou uma aberração que vaga de lugar em lugar trabalhando em circos e espetáculos teatrais, mas por pouco tempo, pois logo é dispensado após o fascínio ser substituído pela incompreensão e medo.
Assim, cada um dos contos representa uma das ilustrações. De certa forma elas representariam uma espécie de segredo oculto, janelas para outras experiências não formalizadas pela superficialidade dos nossos sentidos. Outros mundos ou universos, só acessíveis para os suficientemente curiosos e abertos a novas experiências. No caso quem as vive é o viajante. É curioso que esta obra se insinua como de fantasia ou mesmo horror, mas se desenvolve como de ficção científica. Isso porque o tema comum na maior parte das histórias é o contraste entre os valores humanos e o desenvolvimento de novas tecnologias e modos de vida, suas transformações sociais e psicológicas. Quase todas com um desfecho triste e pessimista. Afinal, não foi Ray Bradbury quem disse que uma das principais funções da ficção científica não é antecipar o futuro mas, se possível, evitar seus caminhos possíveis?
Pais e filhos que não conseguem se comunicar (“A Estepe Africana”, “Zero Hora”), astronautas que sofrem um acidente trágico no espaço (“Caleidoscópio” – precursor do filme Gravidade [Gravity, 2013]?), sobre o fim do mundo (“A Estrada” e “A Última Noite”), da ausência sentida de um astronauta (“O Foguetista”), um casal que viaja no tempo para fugir de uma guerra (“A Raposa e a Floresta”), do envolvimento emocional com andróides (“Marionetes S.A.”), o sentimento de abandono de colonos espaciais (“A Grande Chuva” – em Vênus –, e “O Visitante” – em Marte).
Outro aspecto interessante da coletânea é sua apresentação, pela primeira vez, de temas que seriam recorrentes e mais elaborados em obras posteriores. A começar pelo homem ilustrado, que reaparece numa nova versão no romance de fantasia sombria Algo Sinistro Vem por Aí (Something Wicked this way Comes, 1962), no qual as ilustrações móveis, do agora chamado Senhor Dark, representam as almas das vítimas pecaminosas de um carnaval misterioso. Bradbury não deixa claro no romance se é o mesmo personagem de um livro para o outro, mas não é insensato imaginar que sim.
Alguns contos exploram também a presença humana em Marte, como “O Visitante”, “O Outro Pé”, “A Betoneira”, “Os Ígneos Balões” – este último republicado no romance fix-up As Crônicas Marcianas (The Martian Chronicles, 1950). O tema da exploração espacial em vários matizes: “A Grande Chuva” – relato impressionante de uma tempestade eterna em Vênus, que enlouquece os astronautas – “O Homem” – sobre a chegada dos terráqueos a um planeta habitado, mas que tratam os visitantes com total indiferença, pois estavam, naquele momento, na presença D´ele –, “Uma Noite e uma Manhã Comuns”, “A Cidade”, além dos já citados “Caleidoscópio” e “O Foguetista”.

Especialmente contundente é o conto “Os Expatriados”, que mostra um futuro em que livros de horror foram banidos da Terra. Os autores destes livros vivem uma espécie de exílio pós-morte em Marte. Pois embora mortos, eles ainda se importam com o destino de suas obras, especialmente quando um foguete chega à Marte com os últimos exemplares restantes, para serem destruídos. Em desespero, Poe, Bierce, Machen, Hodgson, Lovecraft e outros tentam se unir para evitar o que seria o definitivo desaparecimento de todos. A morte suprema do esquecimento. Pode-se dizer que é um precursor eficiente do clássico Fahrenheit 451 (1953).
Mesmo escritas nos anos 1940 as histórias têm um bom desenvolvimento de enredos e personagens, muito à parte do que se fazia na maioria das obras da ficção científica norte-americana da Golden Age. Esta abordagem crítica, psicologicamente madura e de elevado padrão literário, permitiram a Bradbury a, rapidamente, sair do ambiente do fandom e receber um reconhecimento mais geral, embora ele nunca tenha deixado de ser visto como um dos mais celebrados autores de FC e fantasia. Tanto é que The Illustrated Man foi finalista de um prêmio do gênero, o International Fantasy Award, em 1952, precursor do Prêmio Hugo.
Em comparação com o filme de 1969 é interessante observar que a presença do homem ilustrado é intercalada em cada uma das histórias, permitindo um sentido de equilíbrio maior, situação ausente do livro, em que as histórias, apresentadas na sequência sem esta intermediação, por vezes, parecem independentes demais. Ou seja, há certa perda de equilíbrio da proposta temática, mesmo com o desfecho da convivência do homem ilustrado e do viajante no epílogo da obra. Por uma questão de tempo e custos apenas três contos foram adaptados para o cinema: “A Estepe Africana”, “A Grande Chuva” e “A Última Noite”. Talvez fosse possível produzir uma minissérie onde mais contos fossem adaptados.
Embora as histórias apresentem assuntos diferentes, mas por vezes, como vimos, alocados em alguns temas comuns –, o clima geral é de melancolia e com desfechos fatalistas e infelizes. Uma exceção é o conto final “O Foguete”. Numa época em que os passeios espaciais são rotineiros para os ricos, um pai sem tantos recursos elabora uma fantasia tocante para satisfazer o desejo da mulher e dos filhos. Uma perola.
O Homem Ilustrado é uma obra de imaginação desconcertante, certamente inesquecível. Merecia ser relançada aqui no Brasil, pois a última vez que apareceu nas livrarias foi há pouco mais de quarenta anos.
– Marcello Simão Branco

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

As melhores histórias brasileiras de horror

Este é um convite oficial para o lançamento do livro que ajudei a organizar, As melhores histórias brasileiras de horror, publicado pela Devir Livraria.
As melhores histórias brasileiras de horror tem a intenção de mostrar o quão rica e assustadora é esta trajetória, com uma seleção caprichada que vai de 1870 a 2014, ou seja, cobre 144 anos, quase toda a trajetória independente da vida nacional. Procuramos escolher histórias representativas, em especial as que abordam mais de perto a cultura brasileira, além de se destacar pela qualidade literária. Nesse sentido o conjunto dos autores selecionados é demonstrativo do interesse de parte dos melhores autores brasileiros, de diferentes épocas: Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Inglês de Sousa, Afonso Arinos, João do Rio, Gastão Cruls, Thomaz Lopes, Tabajara Ruas, Braulio Tavares, Márcia Kupstas, Roberto de Sousa Causo, Júlio Emílio Braz, Carlos Orsi, M. Deabreu, Walter Martins e Gustavo Faraon.
Um mosaico do que a ficção de horror brasileira já fez de mais interessante em cada época, permitindo uma experiência de leitura rica e diversificada. Aparecerão temas como canibalismo, feitiçarias e misticismos, catalepsia, erotismo sobrenatural, fantasmas e assombrações, fim dos tempos, epidemia, rituais pagãos, pactos e possessões, paranoias e conspirações. Um variado leque para despertar a imaginação e deixar os sentidos alertas. Pois o horror poderá estar à espreita em cada linha, em cada página. E certamente em todas as histórias.
Ficaremos felizes com a sua presença.

sábado, 20 de outubro de 2018

O essencial de 2016 - Autores brasileiros

Apesar da crise, 2016 foi um ano favorável para a ficção especulativa brasileira. Não na quantidade, que está em queda livre, mas pelo menos a qualidade do material publicado tem se sustentado, o que aumenta o desempenho médio da produção nacional.  Também observamos o esboço de um núcleo semi-profissionalizado no segmento, com a presença recorrente de determinados autores com novos livros nas livrarias, o surgimento de periódicos sérios, inclusive de natureza acadêmica. Ainda que não necessariamente proveitosos do ponto de vista financeiro,  é importante a conquista desses espaços, que acenam com um futuro alvissareiro a longo prazo, especialmente quando esta crise passar – e ela vai passar.
No que se refere a ficção nacional, os romances ocupam a linha de frente, com treze títulos inéditos e uma republicação importante. Como tem sido a tendência, o gênero da fantasia continua a ser o mais praticado e no qual os autores parecem se sentir mais a vontade. Dois contumazes best-sellers aparecem aqui, ambos pela Editora Rocco: André Vianco, com Dartana, pelo selo Fábrica 231, uma história dark fantasy no ambiente medieval, e Carolina Munhóz, com Por um toque de sorte, segundo volume da série Trindade Leprechaum, pelo selo Fantástica, uma história contemporânea que, assim como Vianco, se desenvolve em torno de mitologias europeias.
Flávia Muniz também é uma autora que podemos classificar como best-seller. Embora seu nome não seja tão lembrado quanto os dois autores acima citados, Flávia está em ação desde os anos 1980 e seu livro Os noturnos é muito bem sucedido comercialmente. A autora publicou em 2016 o romance O manto escarlate, pela editora SESI-SP, que também envereda pela dark fantasy medieval.
Entre os estreantes, há três ótimos destaques. Santiago Santos, autor do saite de microcontos Flash Fiction, publicou seu primeiro romance, Na eternidade sempre é domingo, pela editora Carlini & Cantato, romance fix-up formado por várias narrativas independentes em forma de relato de viagem pelos Andes boliviano e peruano.
Alex Mandarino publicou O caminho do Louco, primeira parte da série Guerras do Tarot, pela editora Avec, ágil aventura de fantasia urbana com toques de mistério. E Caio Alexandre Bezarrias, com Shimandur: A cidade da chuva, pela editora Devir Livraria, fantasia passada na metrópole paulistana assolada por uma chuva interminável.
Antes de passar adiante, convém destacar aqui um livro de estremo valor, que precisa estar nesta relação, apesar de ter autor, em tese, estrangeiro. Trata-se do texano Christopher Kastensmidt, americano radicado no Brasil que aqui tem desenvolvido sua carreira como escritor, privilegiando uma ficção de caráter brasilianista que poucos autores nacionais ombreiam. Depois de publicar vários contos em antologias, Kastensmidt lanço em 2016, pela Devir Livraria, o romance fix-up de fantasia A Bandeira do Elefante e da Arara, que compila todos os dez contos do ciclo das aventuras de Gerard e Oludara, um holandês e outro africano, enfrentando seres mitológicos ao longo de uma ampla peregrinação pelo território do Brasil colonial.
A ficção científica tem se recuperado nos últimos anos, depois de um período de estagnação em que pouco se publicou no gênero. Os representantes de 2016 também são pesos pesados do segmento: Alexey Dodsworth, que em 2015 foi reconhecido pelos fãs com o prêmio Argos, lançou O esplendor, pela editora Draco, história cósmica sobre um planeta de luz eterna que é agitado quando surge um menino que pode dormir e sonhar.
Mustafá Ali Kanso, que é também um nome reconhecido no fandom, publicou O mesmo Sol que rompe os céus, pela editora Fragmentos, com uma história sobre o encontro de dois personagens com experiências bizarras.
Luiz Brás – reconhecido em alguns círculos como o multipremiado Nelson de Oliveira – tem mantido uma forte produção de fc&f nos últimos anos e, em 2016, apresentou aos leitores Não chore, pela editora Patuá, uma ficção anarquista que discute o sistema prisional. Pela mesma editora, Oliveira republicou o esgotado Subsolo infinito, originalmente publicado em 2000, uma perturbadora fantasia urbana sobre a identidade.
O horror é um ambiente razoavelmente assentado no mercado, sempre com uma produção equilibrada e estável. Rosana Rios é uma dama da literatura especulativa nacional, com dezenas de títulos publicados ao longo de sua produtiva carreira iniciada em 1988. Em 2016, lançou Olhos de lobo, pela editora Farol Literário, com uma história que mistura licantropia e nazistas no Rio Grande do Sul.
Pedro Cesarino, reconhecido pesquisador acadêmico da cultura dos povos nativos, vencedor do Jabuti com sua tese de doutorado Oniska: Poética do xamanismo da Amazônia, estreou em 2016 na ficção com Rio acima, pela editora Companhia das Letras, que aproveita sua experiência no tema para contar uma história de terror nas selvas do Xingu, na linha Coração das trevas, de Joseph Conrad.
Também a Companhia das Letras publicou Jantar secreto, de Raphael Montes, uma história de terror urbano deste autor que tem sido muito comentado nos últimos anos por sua ficção de aspectos sombrios.
Coletâneas e antologias representam um papel importante no ambiente da fc&f nacional. Como há poucas revistas publicando ficção, esse modelo editorial, que reúne num mesmo livro textos curtos de diversos autores e estilos, tem sido a sustentação do exercício criativo e revelado muitos autores de qualidade, sem esquecer que é na ficção curta que os autores brasileiros geralmente têm os melhores resultados.
Como em quase tudo, 2016 testemunhou uma forte queda no número de antologias e coletâneas publicadas no país, mas ainda assim é preciso reconhecer o esforço dos editores em investir no formato.
Entre as coletâneas – livros que reúnem textos de um único autor –, o destaque vai para O teorema das letras, título póstumo de André Carneiro (1922-2014), o mais bem sucedido autor brasileiro de ficção científica, que traz cinco contos inéditos que representam a intensa criatividade de Carneiro, mesmo no fim da vida.
No gênero do horror, o ótimo Carlos Orsi apresentou Mistérios do mal, pela editora Draco, que traz contos que unem mitologias e cosmologias típicas da weird fiction, amalgamadas a cenários e personagens brasileiros, como é característico em sua obra.
Também é no horror sobrenatural que se apresenta o escritor gaúcho Duda Falcão, com a coletânea Treze, pela editora Avec (publicada com data de 2015), não por acaso com treze contos ao estilo pulp fiction, com muito sangue, monstros, bruxas e demônios.
Entre as antologias – livros que publicam trabalhos de autores diferentes – os destaques da fantasia são Estranha Bahia, organizada Alec Silva, Ricardo Santos e Rochett Tavares para a editora EX!, com sete contos cujo fio condutor é, como já diz o título, o estado da Bahia.
E também Medieval: Contos de uma era fantástica, organizada por Ana Lúcia Merege e Eduardo Kasse para a editora Draco, com nove textos de autores bem avaliados, todos obviamente num cenário medieval, uma espécie de segundo volume a antologia Excalibur, dos mesmos organizadores e editora, publicada em 2013.
A antologia essencial na ficção científica em 2016 é Dinossauros, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro para a editora Draco, um tema recorrente em antologias nacionais e estrangeiras, mas que traz 16 histórias inéditas de autores experientes e conhecidos no fandom.
Fechando esta seleção, a antologia Contos de terror, organizada por Camilo Prado para a editora Nephelibata, com 15 textos curtos, quase todos em domínio público, numa seleta de histórias tenebrosas de viés realista, por autores clássicos da literatura brasileira que pode surpreender os leitores menos avisados, num modelo que tem recebido razoável atenção dos antologistas nos últimos anos.
Cesar Silva