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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, Inglaterra, 1958)



No final da década de 50 do século passado, o cinema de Horror enfrentava uma crise com perdas de audiência para a televisão. Nessa época, a produtora inglesa “Hammer”, sob a liderança dos executivos Michael Carreras e Anthony Hinds, decidiu revitalizar o gênero trazendo novamente às telas do cinema os famosos monstros consagrados pelo estúdio americano “Universal” com seus filmes em fotografia em preto e branco. Dessa forma, os famosos ícones populares do Horror voltaram, e novos filmes foram produzidos com “Drácula”, “Criatura de Frankenstein”, “Múmia”, “Fantasma da Ópera”, “Lobisomem”, e outros. Porém, dessa vez com fotografia em cores e destacando o vermelho do sangue, surgindo clássicos absolutos do Horror gótico como “A Maldição de Frankenstein” (1957) e “O Vampiro da Noite” (1958), lançando atores que se transformaram em lendas do gênero como Christopher Lee e Peter Cushing. Além de diretores que se tornaram nomes conhecidos como Terence Fisher, o principal cineasta do estúdio, e roteiristas como Jimmy Sangster.
A história é baseada no famoso livro de Bram Stoker, mas nesse caso com alguma liberdade de criação artística e alterações que não prejudicaram. Jonathan Harker (John Van Eyssen) vai trabalhar como bibliotecário no castelo do Conde Drácula (Christopher Lee), numa cidadezinha alemã, para supostamente catalogar os livros de seu acervo. Ele tem um encontro tenso tanto com seu anfitrião quanto com uma vampira escravizada (Valerie Gaunt). Drácula conhece a noiva de Harker através de uma foto, Lucy Holmwood (Carol Marsh), e fica obcecado por ela, decidindo viajar para a Inglaterra a sua procura. Lá, conhece também seu irmão Arthur (Michael Gough) e a esposa Mina (Melissa Stribling), que se transforma em mais uma de suas vítimas vampirizadas. Para combatê-lo, surge o Prof. Van Helsing (Peter Cushing), estudioso de vampirismo e que tenta salvar Lucy das garras do “vampiro da noite”.    
Como infelizmente uma infinidade de filmes com vampiros contribuíram para desqualificar a mitologia tradicional dessas criaturas da noite, é extremamente louvável que a “Hammer” e seu clássico “O Vampiro da Noite” tenha respeitado alguns dos elementos típicos do vampirismo, como aversão ao sol, ao cheiro do alho, ao crucifixo como símbolo religioso do bem contra o mal, e a evidência da tão temida estaca de madeira cravada no coração como ato de destruição de um vampiro.
Ao contrário do igualmente clássico de Tod Browning lançado em 1931, com fotografia em preto e branco e Bela Lugosi interpretando magistralmente Drácula, e que tinha interpretações teatrais do elenco e uma narrativa mais pausada, o filme de 1958 da “Hammer” tem mais ação e cenas com violência e sangue. Como quando Drácula agride uma vampira escravizada em seu castelo, jogando-a brutalmente no chão, além dos vários momentos onde o sangue escorre das vítimas do conde vampiro.
Christopher Lee (1922 / 2015) aparece e fala pouco, mas todas as suas cenas são sinistras e marcantes. Com sua atuação como Drácula nesse e em vários outros filmes, tanto da “Hammer” como de outras produtoras, ele registrou para sempre seu nome na história do cinema de Horror e vampirismo. Seu parceiro de muitos filmes, Peter Cushing (1913 / 1994), também se tornou outro ícone do Horror e é muito lembrado pelas diversas performances como Van Helsing, o eterno inimigo de Drácula. O confronto final entre eles em “O Vampiro da Noite” é antológico.
Aliás, esse filme inaugurou uma série da “Hammer” com Drácula e foi seguido por “As Noivas do Vampiro” (The Brides of Dracula, 1960, esse sem Christopher Lee e com David Peel interpretando um descendente de Drácula), “Drácula, o Príncipe das Trevas” (Dracula, Prince of Darkness, 1965), “Drácula, O Perfil do Diabo” (Dracula Has Risen From the Grave, 1968), “O Sangue de Drácula” (Taste the Blood of Dracula, 1970), “O Conde Drácula” (Scars of Dracula, 1970), “Drácula no Mundo da Mini Saia” (Dracula AD 1972), “Os Ritos Satânicos de Drácula” (The Satanic Rites of Dracula, 1973), e “A Lenda dos Sete Vampiros” (The Legend of the 7 Golden Vampires, 1974, esse também sem Christopher Lee, e com John Forbes-Robertson em seu lugar).
(Juvenatrix – 19/11/18)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

The Earth Dies Screaming (Inglaterra, 1964)


Um dos sub-gêneros mais divertidos do cinema bagaceiro de ficção científica dos anos 50 e 60 do século passado certamente foi aquele que abordava o tema de invasão alienígena. Existe uma quantidade imensa de filmes desse período com roteiros explorando o drama da humanidade tentando sobreviver ao enfrentar uma invasão de criaturas hostis vindas do espaço sideral com propósitos de conquista. Seja por causa dos valiosos recursos naturais ou simplesmente pelo domínio de uma raça inferior em tecnologia e força militar.
The Earth Dies Screaming” é uma produção inglesa com fotografia em preto e branco que tem um título original sonoro e sensacionalista, típico dos filmes bagaceiros do gênero fantástico daquele período, e que foi dirigida por um especialista na área. Terence Fisher foi o principal cineasta da lendária e cultuada produtora inglesa “Hammer”, sendo o responsável por diversos filmes clássicos que ficaram eternizados na história do gênero como “A Maldição de Frankenstein” (The Curse of Frankenstein, 1957) e “O Vampiro da Noite” (Horror of Dracula, 1958), ambos com os ícones Christopher Lee e Peter Cushing.
Escrito por Harry Spalding (creditado como Henry Cross), o filme é curto com apenas 62 minutos de duração, e mostra um vilarejo no interior da Inglaterra onde os moradores são mortos misteriosamente. Jeff Nolan (Willard Parker) é um piloto de testes americano em exercícios militares na Inglaterra e que ao aterrissar seu avião encontra uma cidade em silêncio e com várias pessoas mortas espalhadas pelo chão. Ao investigar o mistério, ele encontra num hotel outros sobreviventes, Quinn Taggart (Dennis Price) e Peggy Hatton (Virginia Field), além do casal formado por Edgar Otis (Thorley Walters) e a esposa Violet Courtland (Vanda Godsell), que se recuperavam de um acidente com seu carro.
O pequeno grupo de sobreviventes especula sobre o mistério ao redor e acham que a cidade sofreu um ataque de gás venenoso, fato que poderia explicar as mortes repentinas dos habitantes e sem traços aparentes de violência física. E então surge outro casal, dessa mais bem mais jovem, formado por Mel Brenard (David Spenser) e a mulher grávida Lorna (Anna Palk). Enquanto tentam entender a origem do caos, encontram robôs humanoides assustadores caminhando pelas ruas silenciosas com cadáveres espalhados, e são atacados pelos mortos que voltam a andar como zumbis escravos controlados pelos robôs, com seus olhos esbugalhados como bolas cinzas. Restando apenas lutar pela sobrevivência enquanto “A Terra Morre Gritando”...
O filme é uma produção tranqueira de baixíssimo orçamento abordando o tema da invasão alienígena, com uma atmosfera sinistra de mistério e a presença de robôs alienígenas toscos ao extremo, além de mortos caminhando novamente sobre a Terra. A especulação sobre uma guerra com gases venenosos nos remete à paranóia da guerra fria daquele conturbado período tenso que a humanidade vivia após a Segunda Guerra Mundial, com a ameaça de um holocausto nuclear causado pelas potências opostas da época, Estados Unidos e a antiga União Soviética.
O ritmo é arrastado em alguns momentos, mas isso não chega a prejudicar o entretenimento por causa da curta duração com pouco mais de uma hora de filme. Os robôs são bizarros e lentos, criação de uma tecnologia superior de alguma raça de outro planeta, e possuem poderes para matar facilmente os humanos apenas com um toque. Os zumbis são toscos, com seus olhos inertes, seguindo obedientes os comandos das máquinas. “The Earth Dies Screaming” é o cinema fantástico bagaceiro dos anos 60, divertido e indispensável para os apreciadores do gênero.
Curiosamente, algumas cenas do clássico “Aldeia dos Amaldiçoados” (1960) foram inseridas no início do filme antes dos créditos de abertura, a queda de um avião explodindo com o impacto e um carro se chocando contra um muro.
(Juvenatrix – 06/12/17)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

As Bodas de Satã (The Devil Rides Out, Inglaterra, 1968)


A produtora inglesa “Hammer” também contribuiu significativamente para o sub-gênero do cinema de horror que aborda o satanismo. No final dos anos 60 e início da década seguinte, tivemos um período com ótimos filmes com propostas similares, como “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski, e “Balada Para Satã”, de Paul Wendkos. Em 1968 foi lançado “As Bodas de Satã”, com direção do especialista Terence Fisher, o mais importante cineasta do cultuado estúdio, e com o ícone Christopher Lee no elenco. O roteiro é do renomado escritor Richard Matheson, a partir de um livro de Dennis Wheatley, cujas histórias serviram de inspiração para “O Continente Esquecido” (1968) e “Uma Filha Para o Diabo” (1976), ambos também da “Hammer”.
Ambientado em 1929, os amigos Duque Nicholas de Richleau (Christopher Lee) e Rex Van Ryn (Leon Greene) prometeram ao pai falecido do jovem Simon Aron (Patrick Mower), que cuidariam dele. E pensando nisso, e após sem vê-lo por alguns meses, eles decidem visitá-lo em sua casa, surpreendendo-o no meio de uma estranha reunião de uma suposta sociedade astronômica. Como profundo conhecedor de doutrinas e ciências ocultas, o duque desconfia dos misteriosos diagramas desenhados no chão de um grande salão no andar de cima da casa e após encontrar galinhas escondidas numa cesta como se estivessem prontas para o abate num ritual de sacrifício, ele acredita que Simon faz parte de uma seita demoníaca. Ele tenta retirar o jovem e outra garota, Tanith Carlisle (Nike Arrighi), da influência maligna dos seguidores do culto, uma vez que eles estavam sendo preparados para um batismo num sabbath, onde passariam a servir o diabo. Então, Nicholas e o amigo Rex, apaixonado por Tanith, juntam esforços com a sobrinha do duque Marie Eaton (Sarah Lawson) e seu marido Richard (Paul Eddington), e todos tentam salvar os jovens das forças do mal e das garras do líder satânico Mocata (Charles Gray), mestre em nível superior do culto demoníaco.
“Na magia não existe o bem e o mal. É somente uma ciência. A ciência de fazer com que ocorram mudanças por meio da vontade própria. A reputação sinistra que a acompanha não tem fundamento. É baseada em superstições, não em observações objetivas”. Essas são as palavras de Mocata, e segundo ele, não há motivos para se temer a magia. Porém, não é o que se vê no filme, principalmente em cenas onde dezenas de seguidores do culto se banham freneticamente com o sangue fresco de um bode abatido em sacrifício, ou quando surge a presença física do demônio Baphomet numa missa negra, uma aparição extremamente sinistra, de uma criatura meio homem e meio bode.
É curioso notar que o ator Christopher Lee, segundo o site “IMDB” (Internet Movie Database), afirmou que “As Bodas de Satã” é seu filme preferido da “Hammer”, e ele esteve em muitas produções do estúdio, interpretando personagens de todos os tipos, principalmente o vampiro Conde Drácula. E que ele insistiu bastante com os produtores para filmarem uma história de Dennis Wheatley. Porém, contrapondo um pouco o entusiasmo de Christopher Lee, o filme é bem exagerado na fantasia, com demônios surgindo envolvidos em névoas, através de rituais sombrios, e parece bem estranho ver o cultuado ator recitando energicamente palavras mágicas de uma oração para combater o poder das trevas. O desfecho também é bastante previsível, onde podemos imaginar com razoável antecedência os rumos das ações, culminando com o manjado confronto final entre o bem e o mal e a óbvia punição para os derrotados.
Entre os momentos de destaque certamente vale registrar uma cena tensa envolvendo uma aranha gigante, que ameaça o Duque e seus amigos quando estão no interior de um círculo desenhado no chão, participando de um ritual para combater o demônio e tentar libertar os jovens Simon e Tanith de sua influência maligna. O enorme aracnídeo peludo utilizado na cena é real, filmado numa perspectiva que o faz parecer bem maior e imponente, realmente passando uma sensação imensa de desconforto, mesmo para quem não sofre de aracnofobia. 
Lançado em DVD no Brasil pela “Cult Classic”, os letreiros de abertura do filme são ilustrados por diversos símbolos e imagens de magia negra, causando um efeito interessante e perturbador logo no início.
(Juvenatrix – 24/11/15)

sábado, 19 de setembro de 2015

A Maldição do Lobisomem (The Curse of the Werewolf, Inglaterra, 1961)


A produtora inglesa “Hammer” refilmou em cores os monstros clássicos em preto e branco do estúdio americano “Universal”. Foram vários filmes abordando múmias, a criatura de Frankenstein e vampiros (especialmente o temível Conde Drácula), mas curiosamente o lobisomem só tem um filme. “A Maldição do Lobisomem” é de 1961, tem direção do especialista Terence Fisher e roteiro de Anthony Hinds (sob o pseudônimo John Elder), a partir da história “The Werewolf of Paris”, de Guy Endore. Hinds foi produtor da “Hammer” e por causa de restrições orçamentárias decidiu assumir o roteiro do único filme de lobisomem do estúdio, utilizando pseudônimo, e a partir daí ele passou a escrever roteiros para muitos filmes seguintes como “O Fantasma da Ópera” (1962), “O Beijo do Vampiro” (1963) e “O Monstro de Frankenstein” (1964), entre outros.
Ambientada no pequeno vilarejo de Santa Vera, na Espanha, a história apresenta um mendigo (Richard Wordsworth, o astronauta infectado de “Terror Que Mata”, 1955) que é preso na masmorra de um castelo, pelo cruel Marquês Siniestro (Anthony Dawson), depois de aparecer em sua festa de casamento pedindo comida. Após divertir os convidados com diversas humilhações, ele é abandonado na prisão por anos, onde encontra uma bela serviçal muda (Yvonne Romain). O mendigo comete atos de violência sexual contra ela e a jovem foge do castelo, sendo resgatada da morte na floresta por Don Alfredo (Clifford Evans), que a leva para sua casa, para receber os cuidados de sua bondosa empregada Teresa (Hira Talfrey). A criança nasce no Natal e ganha o nome Leon (Justin Walters), mas a mãe morre no parto. Já adulto, Leon (Oliver Reed), vai trabalhar num vinhedo e se apaixona pela bela Cristina (Catherine Feller). Porém, por ter nascido no Natal e ter sido gerado num estupro, Leon tem que enfrentar uma terrível maldição ancestral que irá perturbá-lo por toda a vida, quando em noites de lua cheia ele se transforma num monstro misto de homem e lobo, e que aterroriza a região em busca de vítimas.
O lobisomem é um corpo com o espírito de um lobo em constante guerra interna entre sua humanidade e a fera selvagem sedenta de sangue e violência que está dentro de si. A alma humana enfraquece quando é alimentada com ódio, avareza e solidão, principalmente no ciclo da lua cheia, onde as forças do mal são mais fortes. Por outro lado, o espírito da besta enfraquece quando prevalece o amor, a amizade e o calor humano.
A história do cinema de horror possui uma infinidade de filmes sobre essas fascinantes criaturas mitológicas de homens transformados em lobos. “A Maldição do Lobisomem” é um dos destaques e é sempre lembrado por ser uma produção da “Hammer”, a única abordando esse monstro clássico. Faz parte de uma elite formada por outras preciosidasdes como “O Lobisomem” (The Wolfman, 1941), da “Universal”, e “Um Lobisomem Americano em Londres” (An American Werewolf in London, 1981), de John Landis, entre outras. A história de um ser humano transformado em monstro assassino, com seu perturbador conflito interno entre o desejo de ter uma vida normal e a fúria incontrolável para sentir na boca o gosto do sangue e carne de animais e outras pessoas. O ator inglês Oliver Reed (1938 / 1999), que também esteve em outros filmes de horror como “A Mansão Macabra” (Burnt Offerings, 1976) e “Os Filhos do Medo” (The Brood, 1979), tem uma performance notável enfatizando seu drama com a paixão pela jovem Cristina e a necessidade de eliminar o monstro dentro de si. 
Curiosamente, o eterno ator coadjuvante Michael Ripper (1913 / 2000), que tem uma grande quantidade de participações menores em filmes da “Hammer”, e mais de 200 créditos em sua longa carreira, também aparece aqui, no papel de um bêbado que sucumbe nas garras do monstro. E tanto Oliver Reed quanto Yvonne Romain fizeram parte do elenco de outro filme da “Hammer”, “A Patrulha Fantasma” (Captain Clegg, 1962). 
(Juvenatrix – 19/09/15)

domingo, 28 de junho de 2015

A Górgona (The Gorgon, Inglaterra, 1964)


A dupla de atores ícones do gênero Horror, Peter Cushing e Christopher Lee, estiveram juntos em vários filmes, agregando um valor inestimável ao gênero. Alguns destes filmes foram produzidos pelo cultuado estúdio inglês “Hammer”, e parte deles também teve a direção do especialista Terence Fisher, o principal cineasta da produtora. “A Górgona” (1964) reúne os três numa história com elementos góticos explorando um monstro da mitologia grega, com roteiro de John Gilling, a partir de uma história original de J. Llewellyn Devine.
“Sobre a aldeia de Vandorf se ergue o Castelo Borski. Desde a virada do século, um monstro de tempos remotos chegou para viver lá. Ninguém que tenha se deparado com ele sobreviveu, e o espírito da morte ronda esperando sua próxima vítima.”
Com essa narração, o filme tem início com uma ambientação no início do século XX numa pequena cidade alemã. O médico de um hospital psiquiátrico, Dr. Namaroff (Peter Cushing), tenta guardar um segredo envolvendo a ocorrência de mortes misteriosas na região durante a lua cheia, com os cadáveres literalmente petrificados, registrando atestados de óbito falsos e encobrindo a verdade. Sua assistente, a bela Carla Hoffman (Barbara Shelley), não se sente à vontade com o excesso de super proteção do médico. A polícia, representada pelo Inspetor Kanof (Patrick Troughton), está pressionada pelo contínuo insucesso na investigação dos misteriosos assassinatos, num ambiente que evidencia uma conspiração de silêncio e medo. Nesse cenário de mistério, as coisas complicam mais ainda após a chegada no vilarejo de Paul Heitz (Richard Pasco), que vem para investigar a morte de seu pai, o Prof. Jules Heitz (Michael Goodliffe), estudioso de mitologia grega e que morreu em circunstâncias estranhas. O jovem recém chegado se apaixona por Carla, que corresponde o seu interesse amoroso. Ele também solicita a ajuda de seu amigo Prof. Karl Meister (Christopher Lee), um conceituado acadêmico da Univedrsidade de Leipzig, para juntos tentarem descobrir o mistério por trás das mortes cujas vítimas foram transformadas em pedra.
“Havia três horrendas irmãs monstruosas, as Górgonas. Seus nomes eram Tisifona, Medusa e Megera. Tinham serpentes vivas nas cabeças e cada uma delas era um tentáculo do cérebro diabólico que possuíam. Tão espantosas eram as Górgonas que todo aquele que as viam se convertia em pedra.” – anotações do Prof. Heitz, escritas momentos antes de morrer petrificado, revelando informações sobre a lenda de dois mil anos de uma mulher com cobras na cabeça e que poderia estar em atividade ao se apossar do corpo de outra mulher.
Gosto pessoal é algo totalmente subjetivo, e no caso específico de “A Górgona” posso revelar que o filme está entre os meus preferidos da “Hammer”. Além da presença da dupla Cushing e Lee e do cineasta Terence Fisher, a ambientação gótica é bastante eficiente, com uma atmosfera sinistra constante, acentuada pelo castelo abandonado há meio século, envolto em névoa e cercado por árvores retorcidas e fantasmagóricas. E tem um monstro habitando suas ruínas decrépitas, a última das górgonas, que transforma suas vítimas em pedra. Apesar da concepção visual da górgona Megera (interpretada por Prudence Hyman) não ter agradado ao produtor Anthony Nelson Keys, que juntamente com Christopher Lee, revelou sua insatisfação com os efeitos toscos utilizados para simular as serpentes, e também pelos clichês inevitáveis da história, o filme ainda assim funciona muito bem como representante legítimo do estilo gótico e horror sugestivo da “Hammer”.
Curiosamente, o grande ator Christopher Lee, que normalmente faz os papéis de vilão (com destaque para o eterno vampiro “Drácula”), assume o posto contrário em “A Górgona”, interpretando um influente professor que tenta desvendar os assassinatos misteriosos em Vandorf. E Peter Cushing, que na maioria das vezes está do lado que combate o mal, é agora o principal articulador de uma conspiração para abafar a real causa dos assassinatos, apesar de sua motivação ser passional.      
(Juvenatrix – 28/06/15)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Monstro de Duas Caras (The Two Faces of Dr. Jekyll, Inglaterra, 1960)


Mais uma produção colorida do estúdio inglês “Hammer”, com direção do especialista Terence Fisher e com o ícone Christopher Lee. Apresentando outra versão da conhecida história “O Médico e o Monstro” (The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde), de Robert Louis Stevenson, famosa obra literária de 1886 que foi adaptada inúmeras vezes no cinema, inclusive com outras duas versões da própria “Hammer”, “The Ugly Duckling” (1959) e “O Médico & Irmã Monstro” (1971).
“Em cada personalidade humana, duas forças lutam pela supremacia.” Com estas palavras, o obcecado cientista Dr. Henry Jekyll (o canadense Paul Massie) se convence e tenta argumentar para seu amigo, o médico Dr. Ernst Litauer (David Kossof), sobre a importância de suas experiências na descoberta de uma solução química que depois de ingerida poderia trazer à tona o lado mal do ser humano. Ou a sua personalidade mais agressiva e livre de obrigações morais. E uma vez testando a poção em si mesmo, desperta em seu interior o Sr. Edward Hyde, um homem elegante quando é de seu interesse, mas que age sem escrúpulos, sentindo-se livre para se envolver no submundo de Londres de 1874. Relacionando-se com prostitutas, bebendo em bares de categoria inferior, apostando em lutas ilegais e fumando ópio em locais próprios para se consumir a droga.
A esposa do pacato Dr. Henry Jekyll, a bela Kitty (Dawn Addams, de “Os Vampiros Amantes”, 1970), cansada da falta de atenção do cientista abnegado em seu trabalho, prefere participar de festas sociais da alta sociedade londrina, sendo amante do amigo de seu marido, Paul Allen (Christopher Lee), que é um homem sedutor, mas sem afeição pelo trabalho. Ele está sempre perdendo dinheiro em jogos de cartas, vivendo endividado e recorrendo à ajuda financeira do Dr. Jekyll.
As coisas pioram bastante depois que mortes misteriosas ocorrem despertando a atenção da polícia, e o cientista perde progressivamente o controle da situação, permitindo o domínio do Sr. Hyde.
Um destaque notável é a interpretação de Paul Massie, que alterna de forma eficaz a voz e o comportamento geral quando interpreta o educado Dr. Jekyll e o descontraído Sr. Hyde, num trabalho convincente de duas personagens de uma mesma pessoa.
Curiosamente, o consagrado ator Christopher Lee também esteve em outra adaptação do livro de Stevenson, “O Soro Maldito” (I, Monster, 1971), produzido pelo estúdio rival “Amicus”, e dessa vez fazendo o papel do “cientista louco”, atuando ao lado do lendário parceiro Peter Cushing.
Oura curiosidade é a participação pequena, com uma breve ponta, do ator Oliver Reed. Ele está na mesma casa noturna sofisticada em que se encontra o casal de amantes formado por Paul Allen e Kitty, além do Sr. Hyde, e para defender uma prostituta de luxo, se envolve numa briga com eles. Reed atuou um ano depois em outro filme da “Hammer”, “A Maldição do Lobisomem” (The Curse of the Werewolf) no papel do homem que se transforma em lobo. Ele também esteve em “Dr. Heckyl and Mr. Hype” (1980), outra adaptação do livro de Stevenson, no papel do cientista.    
(Juvenatrix -  01/06/15)

sábado, 23 de maio de 2015

O Homem Que Enganou a Morte (The Man Who Could Cheat Death, Inglaterra, 1959)


Filme de Horror com elementos de Ficção Científica produzido pelo cultuado estúdio inglês “Hammer”. A direção é de Terence Fisher, o principal cineasta da produtora com grande quantidade de trabalhos, o roteiro é de Jimmy Sangster (baseado em peça de Barré Lyndon), autor das histórias de outras preciosidades como “O Vampiro da Noite” (1958) e “A Múmia” (1959), e com o lendário Christopher Lee, um dos grandes ícones do cinema de horror em todos os tempos.
O Homem Que Enganou a Morte” é ambientado na Paris de 1890, onde o médico Dr. Georges Bonnet (o alemão Anton Diffring, de “Fahrenheit 451”, 1966), que nas horas livres faz esculturas de bustos de belas mulheres servindo de modelo, carrega um mistério em sua longa vida de 104 anos, mesmo aparentando menos de 40. Ele descobriu como “enganar a morte” junto com outro médico famoso, Dr. Ludwigg Weiss (Arnold Marle), através de cirurgias em intervalos regulares de tempo, com a substituição das glândulas paratireóides. Porém, o “cientista louco” precisa ingerir um líquido especial, no melhor estilo de “O Médico e o Monstro”, em momentos críticos quando ocorrem atrasos na realização das cirurgias, para impedir um desequilíbrio mental que o torna um assassino frio e cruel.
Apaixonado pela bela Janine Du Bois (Hazel Court, de “A Maldição de Frankenstein”, 1957), o médico centenário precisa tomar uma decisão, continuar prolongando a vida com cirurgias, enfrentando a oposição do velho companheiro Dr. Weiss, que desaprova sua conduta em matar pessoas inocentes para usar suas glândulas, sendo obrigado também a se separar de Janine, que envelhecerá normalmente. Ou eliminar todos aqueles que cruzam seu caminho obrigando sua amada também a ser eterno como ele, enfrentando um rival na figura do cirurgião Dr. Pierre Gerrard (Christopher Lee), que também se interessa por Janine. Além de fugir da investigação policial liderada pelo Inspetor Legris (Francis De Wolff), que desconfia de suas atitudes suspeitas.
Mais uma divertida produção da “Hammer”, com menos ação e mais diálogos, numa história interessante de um médico enfrentando o drama de desafiar as leis da natureza, descobrindo o segredo da vida e saúde eterna, mas que não impede a inevitável ocorrência de consequências desconfortáveis, como não poder formar uma família, vivendo eternamente em solidão. E quando a dificuldade de se conseguir glândulas de cadáveres torna-se progressivamente pior, ele encontra a alternativa em retirar de pessoas vivas, com os assassinatos despertando a atenção de investigação policial e a desaprovação do cirurgião Dr. Weiss,  que sempre esteve ao seu lado mantendo o segredo.
Entre as curiosidades, o filme é considerado uma versão do americano “O Homem Que Desafiou a Morte” (The Man in Half Moon Street, 1945). E o igualmente ícone do cinema de Horror Peter Cushing estava escalado inicialmente para fazer o papel do Dr. Bonnet, mas desistiu alegando problemas de saúde.  
(Juvenatrix - 23/05/15)

quinta-feira, 5 de março de 2015

O Demônio de Fogo (Night of the Big Heat, 1967)


Tranqueira de horror com elementos de ficção cientítica, produzida pelo estúdio inglês “Planet Film” em 1967 e que traz como atrações a direção do especialista Terence Fisher e a presença sempre carismática da dupla de ícones do gênero Christopher Lee e Peter Cushing.
Em pleno inverno rigoroso na Inglaterra, uma ilha misteriosamente apresenta um calor imenso que desperta a curiosidade de seus moradores e em especial do cientista Godfrey Hanson (Lee). Homem de poucas palavras, ele está hospedado num hotel de propriedade do escritor Jeff Callum (Patrick Allen) e sua esposa Frankie (Sarah Lawson), e está realizando observações na ilha com experiências secretas em seu quarto. Suas ações estranhas também chamam a atenção do médico local, o Dr. Vernon Stone (Cushing). Além do calor infernal e crescente, para tumultuar ainda mais o lugar, surge uma bela jovem, Angela Roberts (Jane Merrow), que se apresenta como secretária do escritor Callum, mas na verdade é sua amante. Após a ocorrência de algumas mortes com os corpos misteriosamente carbonizados, eles são obrigados a unirem forças para combater criaturas alienígenas gosmentas e rastejantes que precisam de calor para sobreviver, e estão utilizando a ilha para realizar testes adaptando o ambiente para uma invasão.
O roteiro de “O Demônio de Fogo” é baseado no livro “Night of the Big Heat” de John Lymington, e apesar de contar com o cineasta Terence Fisher, especialista em filmes góticos da “Hammer”, esse é um filme menor da dupla Lee e Cushing. A ideia da história é bem bagaceira e até interessante, mas a narrativa em geral é arrastada, e somente perto do desfecho ocorre uma movimentação maior, com a participação mais intensa dos monstros gosmentos motivando as reações do elenco, principalmente do cientista interpretado por Lee, pois infelizmente Cushing aparece pouco. Devido às notórias dificuldades de orçamento, os efeitos dos alienígenas são toscos ao extremo, tornando-os mais hilários do que ameaçadores. Mas, é inegável que apenas o fato da participação do trio Terence Fisher, Christopher Lee e Peter Cushing, já garante a conferida. Curiosamente, o filme também é conhecido pelo sonoro título alternativo de “Island of the Burning Damned”.
(Juvenatrix - 04/01/15)

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Múmia (The Mummy, 1959)


O cultuado estúdio inglês “Hammer” refilmou em cores no final de década de 50 do século passado, os grandes clássicos com fotografia em preto e branco dos anos 30, de monstros da produtora americana “Universal”. Tivemos então “A Maldição de Frankenstein” (57), “O Vampiro da Noite” (58) e “A Múmia” (59), todos com a “dupla dinâmica” de ícones do horror Peter Cushing e Christopher Lee. Ficando para o aristocrático Cushing os papéis de “cientista louco”, caçador de vampiros e arqueólogo, e para Lee a missão de interpretar os vilões e monstros.
Dirigido pelo especialista Terence Fisher e com roteiro de Jimmy Sangster (ambos com muitos créditos na “Hammer”), “A Múmia” é inspirada nos filmes “A Mão da Múmia” (The Mummy´s Hand, 40) e “A Sombra da Múmia” (The Mummy´s Ghost, 44). A história é ambientada inicialmente no Egito de 1895, onde um grupo de arqueólogos liderado por John Banning (Peter Cushing), encontra o Templo do deus pagão Karnak, onde está a tumba da princesa e sacerdotisa Ananka (Yvonne Furneaux). Uma vez o túmulo transportado para a Inglaterra, as ações se voltam para três anos depois, onde o egípcio Mehemet Bey (George Pastell), um fanático religioso dos costumes antigos de seu país, está descontente com a violação dos templos sagrados em escavações dos arqueólogos ingleses. Ele consegue, através da leitura de um pergaminho místico de 4000 anos, despertar a múmia Kharis (Christopher Lee), um ancestral guardião da tumba da princesa, que foi condenado à morte, tendo a língua cortada e sendo enfaixado e confinado num ataúde. A múmia recebeu a missão de espalhar uma maldição vingando-se de todos que profanaram a tumba egípcia.
Assim como a grande maioria dos filmes da “Hammer”, a diversão aqui também é garantida para quem aprecia as cultuadas produções com elementos góticos e exploração dos monstros clássicos do horror. A múmia é um tema já filmado à exaustão, apresentando basicamente as consequências de uma maldição vingativa contra os profanadores de tumbas misteriosas. E faz parte da cultura popular ao lado dos vampiros, zumbis, lobisomens, demônios, fantasmas e monstros gigantes. São muitos filmes com a ideia central similar, e a própria “Hammer” possui outros trabalhos no mesmo segmento como “A Maldição da Múmia” (64), “A Mortalha da Múmia” (67) e “Sangue no Sarcófago da Múmia” (71).
Só o fato da participação de Peter Cushing e Christopher Lee no elenco, já é motivo para agregar muito valor ao filme e servir de recomendação para os apreciadores de suas lendárias carreiras. Seus currículos dentro do cinema de horror são parte integrante e inquestionável da história do gênero. Lee é mais lembrado como o vampiro Drácula, mas também foi a criatura de Frankenstein e a múmia, atuando sob forte maquiagem e enfaixado em bandagens. Suas cenas ambientadas num pântano sombrio são memoráveis, num dos grandes ápices do filme, e seu papel de múmia também deve ser lembrado como destaque em sua filmografia, num paralelo de igual importância à múmia interpretada por Boris Karloff no clássico da “Universal” de 1932.
Curiosamente, “A Múmia” é o único filme da “Hammer” em que aparecem juntos Peter Cushing, Cristopher Lee e o eterno coadjvante Michael Ripper, rosto visto com frequência em papéis pequenos de diversos outros filmes tanto da própria “Hammer” como também da rival “Amicus”.
(Juvenatrix - 24/01/15)