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domingo, 20 de dezembro de 2015

Tatuagem - A Marca do Diabo (Mark of the Devil, Inglaterra, 1984)


Em 1984 a produtora inglesa “Hammer” lançou uma série para a televisão que recebeu o nome no Brasil de “Suspense” ou “Cine Suspense” (Hammer House of Mystery and Suspense), numa produção em parceria com a Fox (por isso também era conhecida como “Fox Mystery Theatre”). Foram 13 episódios com histórias independentes e duração de 70 minutos. O primeiro episódio foi “Tatuagem – A Marca do Diabo” (Mark of the Devil), dirigido por Val Guest (1911 / 2006), conhecido cineasta por assinar vários filmes importantes da “Hammer” como “Terror Que Mata” (1955), “Usina de Monstros” (1957), “O Monstro do Himalaia” (1957). E no elenco temos Dirk Benedict, que foi o homem transformado em monstro no divertido “O Homem-Cobra” (1973) e também seu rosto é conhecido e identificado pelos fãs da série de TV “Galactica: Astronave de Combate” (1978 / 1979), como o Tenente Starbuck.
Frank Rowlett (Dirk Benedict) está apaixonado pela bela Sara Helston (Jenny Seagrove), que é filha de um rico empresário (John Paul) e que torna-se sua esposa. Mas, ele está envolvido em negócios obscuros, devendo dinheiro para o Sr. Westcott (Tom Adams), que o ameaça para receber o pagamento. Pressionado, ele tentar ganhar algum dinheiro num jogo de cartas e para conseguir entrar na partida de poker ele vende seu relógio (um presente de Sara) para um misterioso tatuador chinês, Hai Lee (Burt Kwouk), também conhecido por envolvimento com magia negra. Porém, Frank descobre que o chinês guarda muito dinheiro em sua casa e decide roubá-lo. Eles entram em confronto e Frank é ferido levemente no peito por uma adaga de tatuagem. O que ele não imaginaria é que a pequena mancha vermelha se transformaria numa enorme tatuagem que cobre seu corpo e cujos desenhos tornam-se reveladores, obrigando-o a evitar exposição com a esposa, se esconder e cometer assassinatos. Além de fugir também de uma investigação policial liderada pela dupla formada pelo Inspetor Grant (George Sewell) e Sargento Kirby (Peter Settelen).  
A história é simples e curta, mas mesmo com essas características, é bastante eficiente. Possui tudo aquilo que queremos ver num filme de suspense com elementos de horror: eventos sobrenaturais, magia negra, mistério, tensão, vingança, assassinatos, investigação policial e principalmente o pesadelo vivido pelo protagonista, que luta para se livrar de uma terrível maldição.
Curiosamente, a cópia desse filme que tive acesso é uma gravação tosca em VHS convertido para DVD, de quando foi exibido na televisão no final doa anos 80 pela TV “Alterosa”, de Belo Horizonte/MG, afiliada do “SBT”. Rever “Tatuagem – A Marca do Diabo” com a dublagem original da época foi um exercício de pura nostalgia, em mais um presente que a “Hammer” deixou para seus cultuadores. 
(Juvenatrix – 19/12/15)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Terror Que Mata (The Quatermass Xperiment, Inglaterra, 1955)


Filme que faz parte do ciclo de produções de ficção científica com elementos de horror com fotografia em preto e branco, do cultuado estúdio inglês “Hammer”, no período de meados dos anos 50 do século passado. “Terror Que Mata” tem direção de Val Guest, de outros filmes da “Hammer” como ”Usina de Monstros” e “O Monstro do Himalaia” (ambos de 1957), e roteiro de Richard Landau baseado no universo ficcional criado por Nigel Kneale, formado por vários filmes e séries para a televisão.
Um foguete espacial cai numa fazenda nos arredores de Londres, tendo seu bico soterrado no solo. Dos três astronautas lançados ao espaço, num projeto científico liderado pelo Prof. Bernard Quatermass (daí o título original inglês), interpretado por Brian Donlevy, apenas um deles sobrevive e é resgatado seriamente doente. Ele é Victor Carroon (Richard Wordsworth), que está internado secretamente num hospital para tentar se recuperar de estranhas feridas que cobrem seu corpo. Os outros dois astronautas desapareceram. Para investigar o caso, o cientista Quatermass assume a liderança, contando com o auxílio não desejado de um policial, o Inspetor Lomax (Jack Warner).
O transtornado astronauta foge do hospital, ajudado por sua esposa Judith (Margia Dean), e depois de deixá-la em estado de choque devido sua horrenda transformação física, ele percorre as ruas de Londres desorientado matando pessoas que encontra pelo caminho e animais de um zoológico. Com um misterioso fungo recobrindo seu corpo e o transformando vagarosamente numa massa disforme com tentáculos que cresce conforme se alimenta da energia vital de suas vítimas.
Depois de atingir um tamanho imenso e refugiar-se numa abadia, ocorre um confronto final com o Prof. Quatermass, interessado em eliminar rapidamente a ameaça para poder desviar novamente suas atenções na continuidade de novos projetos científicos de exploração do espaço exterior.
“Terror Que Mata” é um título brasileiro oportunista e mal escolhido, pois certamente o melhor seria apenas traduzir do original inglês, resultando em algo como “O Experimento de Quatermass”. O filme também é conhecido pelo título alternativo “The Creeping Unknown” nos Estados Unidos e tem uma história explorando o sempre interessante tema de “homem transformado em monstro”. É a investida da “Hammer” em ficção científica, num período fértil para o gênero na década de 1950, abordando uma ameaça alienígena trazida para a Terra após o retorno de um foguete lançado para pesquisas espaciais.
Fez muito sucesso na época, impulsionando a “Hammer” como produtora de filmes do gênero fantástico, se especializando principalmente nas histórias com ambientação gótica e atmosferas sombrias, além de explorar os tradicionais monstros clássicos em filmes de vampiros, lobisomens, múmias e cientistas loucos.
As aventuras do cientista Quatermass envolvendo alienígenas estão registradas numa trilogia produzida pela “Hammer”, e além de “Terror Que Mata”, ainda temos o já citado “Usina de Monstros” e “Uma Sepultura na Eternidade” (Quatermass and the Pit, 1967), sendo que nesse último o ator Andrew Keir ficou com o papel do abnegado cientista, substituindo Brian Donlevy, que esteve nos dois primeiros filmes. Em 1956 o estúdio inglês lançou “O Estranho de Um Mundo Perdido” (X: the Unknown), cuja ideia inicial seria que fosse uma continuação de “Terror Que Mata”, mas como o escritor Nigel Kneale não havia liberado o uso do personagem, os realizadores optaram por utilizar uma história similar com o roteiro de Jimmy Sangster. E o Prof. Quatermass foi apenas substituído pelo cientista Dr. Royston, que possui as mesmas características.
(Juvenatrix – 16/09/15)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Usina de Monstros (Quatermass 2 / Enemy From Space, Inglaterra, 1957)


O estúdio inglês “Hammer” ficou famoso e cultuado por seus inúmeros filmes coloridos de horror gótico. Porém, a produtora também tem em seu catálogo uma série de filmes em preto e branco com temática principal de Ficção Científica, lançados no final dos anos 50 do século passado, e que fazem parte de um conjunto de preciosidades daquele período especial do cinema fantástico. “Usina de Monstros” é um filme de invasão alienígena dirigido por Val Guest e com o ator irlandês Brian Donlevy (de “A Maldição da Mosca”, 1965) repetindo seu papel do cientista Quatermass, que também esteve em “Terror Que Mata” (The Quatermass Xperiment, 1955).
Na história, o Prof. Quatermass está tentando obter recursos do governo para financiar seu projeto científico de uma complexa base lunar. Porém, não conseguindo sucesso na liberação de verbas, sua atenção é desviada para a misteriosa ocorrência da queda de inúmeros meteoritos. Indo até a região das quedas para estudar o fenômeno, na pequena cidade de Winnerden Flats, ele encontra uma fábrica imensa controlada por guardas fortemente armados e hostis, que utiliza a população do vilarejo como mão de obra para supostamente produzir comida sintética. Porém, depois que o cientista descobre que os estranhos objetos caídos do espaço possuem formatos aerodinâmicos que guardam em seu interior um gás venenoso composto de amônia, e mortal para os humanos, ele decide investigar junto com o inspetor de polícia Lomax (John Longden), o mistério por trás da usina. A qual curiosamente tem o formato similar ao seu projeto de colonização lunar e que trabalha de forma confidencial, parecendo esconder suas reais intenções.
“Usina de Monstros” é uma ficção científica com elementos de horror situada dentro do sub-gênero de invasões alienígenas, ao apresentar uma conspiração secreta para a conquista de nosso mundo por um gigantesco organismo amorfo formado por milhões de partículas inteligentes com uma só consciência. Controlando os seres humanos para colocar em prática seu plano de invasão, e infiltrando-se em importantes setores do governo e das autoridades militares.   
Entre as várias curiosidades interessantes, podemos citar:
* o filme também é conhecido pelo título original “Enemy From Space” nos Estados Unidos;
* ele faz parte do universo ficcional criado pelo roteirista Nigel Kneale, composto por vários filmes e séries de TV, porém da “Hammer” temos uma trilogia formada por “Terror Que Mata”, “Usina de Monstros” e “Uma Sepultura na Eternidade” (Quatermass and the Pit, 67), esse último com Andrew Keir no papel do cientista;
* o ator Michael Ripper (1913 / 2000), eterno coadjuvante em muitas produções da “Hammer”, dono de um currículo imenso com mais de duzentos trabalhos, aparece em “Usina de Monstros” como um dos moradores do vilarejo que se rebela contra os “inimigos do espaço”;
* nos créditos finais temos um agradecimento especial dos produtores para a famosa empresa de combustíveis “Shell”, que cedeu uma refinaria de sua propriedade para servir de locação para as cenas na “usina dos monstros”, o projeto secreto dos alienígenas para tomar nosso mundo;
* a palavra “zumbi” é mencionada algumas vezes para se referir às vítimas infectadas pelos alienígenas, transformando-as em criaturas desprovidas de ações próprias, tendo suas mentes controladas.
(Juvenatrix - 05/06/15)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Monstro do Himalaia (The Abominable Snowman, Inglaterra, 1957)


Um filme da década de 50 do século passado, da produtora inglesa “Hammer”, com fotografia em preto e branco, estrelado por Peter Cushing e com uma história explorando o lendário “abominável homem das neves”, assunto que inspirou a realização de vários filmes especulando sua misteriosa existência. Esse conjunto de fatores é mais do que suficiente para a garantia de diversão em mais uma preciosidade do cinema fantástico bagaceiro.
O Monstro do Himalaia” tem direção de Val Guest, o mesmo de “O Dia Em Que a Terra se Incendiou” (61) e “Quando os Dinossauros Dominavam a Terra” (70), e roteiro de Nigel Kneale, o criador do universo ficcional de “The Quatermass Experiment”. É o primeiro de muitos filmes do “Cavalheiro do Horror” Peter Cushing (1913 / 1994) para o cultuado estúdio “Hammer”. Ele que ficou eternizado no cinema fantástico por sua imensa contribuição ao gênero com participações em dezenas de filmes de horror e ficção científica, interpretando papéis marcantes e se especializando em “caçador de vampiros” e “cientistas loucos”.
O cientista botânico Dr. John Rollason (Cushing) está hospedado num monastério situado na base das montanhas geladas do Himalaia, uma região inóspita onde se encontram as montanhas mais altas do mundo, abrangendo lugares como o Tibete (na China) e o Nepal. Junto com sua esposa Helen (Maureen Connell) e o assistente Sr. Peter Fox (Richard Wattis), eles estudam ervas raras que sobrevivem nesse ambiente hostil de frio intenso. Porém, o Dr. Rollason também tem outro objetivo maior, que é fazer parte de uma expedição rumo ao topo da montanha para tentar encontrar o lendário “Yeti”, ou “homem das neves”, uma criatura primitiva enorme com pegadas de 40 cm e altura de 3 m, que poderia ser o elo evolutivo entre o macaco e o homem, e cuja lenda de sua existência fascina o mundo, tendo um equivalente paralelo nas florestas dos Estados Unidos, chamado de “Sasquatch” ou “Pé Grande”.
A expedição é liderada pelo explorador Tom Friend (Forrest Tucker), e fazem parte outros três homens, o caçador Edward Shelley (Robert Brown), o fotógrafo Andrew McNee (Michael Brill) e o guia local Kusang (Wolfe Morris). Mesmo com a oposição da esposa Helen, que teme os perigos da empreitada, e do mestre espiritual do monastério, Lhama (Arnold Marle), que tem motivos misteriosos para manter os exploradores afastados da região, o Dr. Rollason decide acompanhar a expedição. Descobrindo mais tarde as reais intenções comerciais de Tom Friend em contraste com seus objetivos científicos, e desvendando o mistério que envolve os imensos antropóides que se escondem nas mais remotas e geladas regiões do planeta.
A narrativa é lenta em boa parte do filme, mas em compensação temos a bem sucedida intenção dos realizadores em manter em segredo as enormes criaturas peludas, expondo-as sutilmente apenas no desfecho, instigando a imaginação do espectador. Mesmo que tal intenção também possa ser algo inevitável devido às deficiências orçamentárias da produção, que não permitiria uma grande exposição do “monstro do Himalaia”. Também é bastante louvável o roteiro especular que as misteriosas criaturas que são o foco da expedição, não sejam necessariamente primitivas, e que poderiam ter evoluído em paralelo com a raça humana, desenvolvendo inteligência e preferindo viver em isolamento com receio do poder de autodestruição da humanidade.   
O filme é uma refilmagem de “The Creature” (1955), episódio de TV da série “BBC Sunday-Night Theatre”, também com Peter Cushing fazendo o mesmo papel do Dr. John Rollason. Além dele, outros dois atores reprisaram seus personagens, Wolfe Morris como o guia da expedição e Arnold Marle como o líder espiritual do mosteiro.
Em 1954 foi lançado “O Terror do Himalaia” (The Snow Creature), que é considerado o primeiro filme a abordar a lenda do “Yeti”. Produzindo nos Estados Unidos com baixo orçamento e em preto e branco, tem direção de W. Lee Wilder.
“O Monstro do Himalaia” ainda faz parte da fase em preto e branco da “Hammer”. Porém, no mesmo ano de 1957 já começaria a produção dos filmes em cores como “A Maldição de Frankenstein”, também com Peter Cushing no papel do “cientista louco”, só que dessa vez ao lado de Christopher Lee como o monstro, outro ator que se transformou em ícone no gênero e que fez inúmeras parcerias com Cushing. Os filmes coloridos da “Hammer” ajudaram o estúdio a torna-se cultuado, ao mostrar o vermelho vivo do sangue e revitalizando os monstros clássicos da produtora americana “Universal”.
O ator americano Forrest Tucker (1919 / 1986), que tem um dos papéis principais no filme, tanto que seu nome aparece em destaque nos cartazes de divulgação, é mais conhecido pelos inúmeros filmes de western. Mas, ele também participou de outros dois filmes ingleses bagaceiros de ficção científica e horror, “The Trollenberg Terror” e “O Monstro Cósmico” (The Strange World of Planet X), ambos de 1958.
Curiosidades:
* Na divertida animação “Monstros S.A.” (2001), cuja história apresenta monstros diversos que vivem num universo paralelo interligado ao nosso através de portas dimensionais, o “abominável homem das neves” é um monstro banido desse mundo oculto. Ele foi obrigado a viver no nosso, isolado nas terras geladas do Himalaia e longe da humanidade. E, inevitavelmente ele despertaria uma lenda sobre sua misteriosa existência.
* “Quando a humanidade lançar a bomba atômica, também nossos descendentes viverão no gelo”. Essas palavras do explorador Tom Friend evidenciam o medo naquela época conturbada da catástrofe nuclear, um temor fortemente presente durante a paranoia da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, sendo um assunto abordado à exaustão numa infinidade de filmes, principalmente nas décadas de 1950 e 60.
* O roteiro de “O Monstro do Himalaia” procurou especular o “abominável homem das neves” como um ser inteligente e não primitivo. Porém, curiosamente, apenas dois anos depois do lançamento do filme, em 2 de Fevereiro de 1959 ocorreu um massacre de nove estudantes esquiadores que viajavam pelo Norte dos Montes Urais, uma cordilheira de montanhas geladas e inóspitas na Rússia, região que divide a Europa da Ásia. Os cadáveres dos jovens foram encontrados mutilados e semi nus, e a autoria dos assassinatos tornou-se um grande mistério conhecido como “Incidente do Passo Dyatlov”, que era o nome do líder da expedição de esquiadores mortos. Existe também a especulação sobre uma investigação da polícia secreta russa KGB, escondendo informações que ajudariam a desvendar o mistério. Para muitos jornalistas investigativos e habitantes de aldeias locais, o responsável pelas mortes sangrentas é um “Yeti”, demonstrando que a criatura seria primitiva e violenta. Em 2013 tivemos um filme baseado nessa história, “O Mistério da Passagem da Morte” (The Dyatlov Pass Incident / Devil´s Pass, EUA / Inglaterra / Rússia), dirigido pelo finlandês Renny Harlin, especulando ainda mais sobre o mistério da morte sem explicações dos esquiadores. 
(Juvenatrix – 20/05/17 , 17/07/15 e 10/09/17)

terça-feira, 3 de março de 2015

Brinquedo de Criança (Child´s Play, 1984)


A produtora inglesa “Hammer” foi responsável em mais de 20 anos de atividades regulares por dezenas de filmes de horror, ficção científica, fantasia, mistério e suspense, principalmente entre meados da década de 1950 e meados dos anos 70. Filmes abordando todos os tipos de temas e subgêneros do fantástico, que conquistaram uma legião fiel de apreciadores.
Em 1980 tivemos uma série de TV chamada “A Casa do Terror” (Hammer House of Horror) com 13 episódios de 50 mimutos. E em 1984 veio mais uma série de TV, que recebeu o nome de “Suspense” (Hammer House of Mystery and Suspense), numa produção em parceria com a Fox (por isso também era conhecida como “Fox Mystery Theatre”), com outros 13 episódios com duração maior (70 min.) e características de filmes independentes. Um deles recebeu o nome por aqui de “Brinquedo de Criança” (Child´s Play), quando foi exibido na televisão, sendo o episódio 12 da única temporada.
Curiosamente, o nome original é o mesmo que foi adotado em 1988 no início da enorme e popular franquia do boneco Chucky, chamado no Brasil de “Brinquedo Assassino”.
Com direção de Val Guest (1911 / 2006), que fez “Terror Que Mata” (1955), o excelente roteiro de Graham Wassell apresenta uma típica família que acorda e descobre que sua casa está cercada por paredes de aço nas portas e janelas, impedindo qualquer tipo de acesso para o ambiente externo. Formada pela mãe Ann Preston (Mary Crosby), o pai Mike (Nicholas Clay) e a filha pequena Sarah (Debbie Chasan), eles especulam sobre a situação surreal, tentando encontrar explicações nas possibilidades de um isolamento devido uma guerra nuclear, ou um ataque alienígena, ou algum tipo de apocalipse. Mas, não encontram respostas nem na televisão, nem no rádio, ou nas inúmeras tentativas de fuga pelo telhado, garagem ou piso. As paredes de aço não são afetadas em ataques com machado ou explosões de pólvora.
E alguns mistérios intensificam o sentimento de tensão, claustrofobia e desconforto: o aumento gradual da temperatura, o relógio parado sempre na mesma hora, o sinal de um estranho logotipo encontrado em todos os objetos e até mesmo tatuado num dos braços do pai. Ou a presença de uma gosma borbulhante invadindo a casa pela chaminé, a inexistência de lembranças referentes ao passado da família ou acontecimentos comuns do lado de fora da casa, o comportamento grosseiro da filha pequena em relação à mãe. Além de outros detalhes que contribuem para o desespero da família presa em sua própria casa e tendo que lutar pela vida.
Filme curto, com poucos personagens, e ambientado apenas em alguns cômodos de uma casa. É o suficiente para um memorável exercício de suspense com um desfecho interessante no melhor estilo para surpreender o espectador. A história possui muitos atrativos com elementos de horror e ficção científica que superam a maioria dos filmes comerciais com orçamentos generosos, mas repletos de clichês e bobagens, que são exibidos frequentemente em nossos cinemas.
(Juvenatrix - 30/12/14)