domingo, 13 de setembro de 2015

Tubarões Zumbis (Zombie Shark, EUA, 2015)


Os tubarões estão entre os animais mais explorados pelo cinema. Depois que Steven Spielberg concebeu seu clássico “Tubarão” (Jaws) em 1975, a quantidade de filmes utilizando esses temíveis predadores dos mares é imensa, com a grande maioria sendo produções bagaceiras com roteiros com excesso de clichês e principalmente ideias bizarras ao extremo. Tem tubarões viajando em tornados, em avalanches de neve, aparecendo em pântanos, tornando-se fantasmas, mutantes diversos, gigantescos, pré-históricos, geneticamente modificados, e até zumbis. Isso mesmo, tubarões mortos que atacam outros de sua própria espécie e os humanos, transferindo uma infecção que transforma todos em mortos-vivos.
Tubarões Zumbis” (Zombie Shark) é apresentado pelo canal de TV “SyFy”, produzido pela “Active Entertainment” e tem direção de Misty Talley, que foi o editor de outros filmes tranqueiras como “Terremoto Aracnídeo” (2012), “A Cápsula do Tempo” (2012) e “O Tubarão Fantasma” (2013). O roteiro horrível de tão ruim é de Greg Mitchell, o responsável pela porcaria colossal “SnakeHead Swamp” (2014).
Um grupo de quatro jovens descerebrados vai até um hotel fuleiro numa ilha. Jenner Branton (Ross Britz) é o único homem, que está levando sua namorada Amber Steele (Cassie Steele), a irmã dela Sophie (Sloane Coe) e a fútil Bridgette (Becky Andrews), todas garçonetes de um bar. Lá chegando, depois de descobrirem que o hotel não tem nem estrelas de tão ruim, e é administrado apenas por uma pessoa, Lester (Roger J. Timber), eles ainda tem que enfrentar a fúria de ataques de tubarões que estão mortos, mas mordem e destroçam suas vítimas. E quem é infectado transforma-se em zumbi. O líder dos tubarões, chamado de Bruce, é inteligente e fugiu de uma base militar científica próxima da praia que supostamente estava abandonada. Ele é o resultado de experiências lideradas pela cientista Dra. Diane Palmer (Laura Cayouette) com regeneração de tecidos mortos para utilizar em soldados feridos em combate. O chefe de Segurança da base, Sargento Maxwell Cage (Jason London) está caçando o tubarão e tenta ajudar os jovens turistas recém chegados à ilha, que estão desprotegidos por causa de uma tempestade no continente que impede a comunicação com a polícia ou guarda costeira.
No meio de tanta porcaria lançada aos montes para todos os lados, situada dentro do cinema fantástico bagaceiro do século XXI, alguns filmes até divertem pela precariedade da produção e honestidade em apresentar um roteiro absurdo que brinca com os próprios clichês. Mas, tem também os filmes ruins com excesso de defeitos que somente conseguem entediar o espectador com overdoses de bobagens nas histórias e amadorismo de seus realizadores. “Tubarões Zumbis” faz parte deste último grupo, onde nada funciona, desde a história cheia de furos e com notável falta de empenho do roteirista, passando pelo elenco inexpressivo que contribui para torcermos pelas mortes violentas das personagens, e culminando com um trabalho tosco com CGI vagabundo, com péssimos efeitos que não convencem e ainda estragam qualquer tentativa de tornar alguma cena tensa. É o tipo de filme para ser ver uma vez apenas por curiosidade, e se esquecer logo em seguida, mandando-o para o limbo das produções que não acrescentam nada ao gênero. 
(Juvenatrix – 13/09/15)

sábado, 12 de setembro de 2015

O Estranho de um Mundo Perdido (X: the Unknown, Inglaterra, 1956)


A cultuada produtora inglesa “Hammer” é muito conhecida por seus filmes coloridos com atmosfera gótica, lançados no final dos anos 50 e principalmente durante toda a década de 1960 do século passado, filmando novamente os monstros clássicos do estúdio americano “Universal” (anos 30 e 40). Mas, os primeiros filmes do gênero fantástico produzidos pela “Hammer” tem fotografia em preto e branco e elementos de ficção científica. “O Estranho de Um Mundo Perdido” (também conhecido no Brasil como “X: O Monstro Radioativo”) tem direção de Leslie Norman e roteiro de Jimmy Sangster, nome com grande relação com a “Hammer” e também lembrado como o cineasta de “O Horror de Frankenstein” (1970) e “Luxúria de Vampiros” (1971).
 Sob a liderança do Comandante Webb (Anthony Newley), o exército inglês está realizando treinamentos numa região no interior da Escócia, com os soldados tentando localizar objetos radioativos soterrados no solo. Eles são auxiliados por um aparelho de leitura de índices de radiação. Durante as manobras, ocorre uma violenta explosão e uma imensa fenda de grande profundidade é aberta no chão. A partir daí, tem início uma série de misteriosos assassinatos, onde graves queimaduras surgem nas vítimas e em alguns casos os cadáveres são derretidos. Despertando a atenção das autoridades, começa um trabalho de investigação por um cientista, Dr. Adam Royston (Dean Jagger), que trabalha com pesquisas numa indústria de energia atômica localizada nas proximidades, dirigida pelo arrogante John Elliot (Edward Chapman). Ele conta com a ajuda de Peter Elliot, filho do chefe da indústria, e do policial Inspetor McGill (Leo McKern), representante da Divisão de Energia Atômica do Departamento de Segurança, que veio ao local para tentar descobrir a autoria das mortes violentas.
“O Estranho de Um Mundo Perdido” é um filme curto com apenas 80 minutos e contribui significativamente para colocar o estúdio “Hammer” no topo das produções de divertidos filmes de horror e ficção científica de todos os tempos, como uma fábrica de pesadelos registrada na história do gênero fantástico. A ideia inicial era que esse filme fosse uma continuação de “Terror Que Mata” (The Quatermass Xperiment, 1955), com o cientista Prof. Bernard Quatermass. Mas, como o criador do personagem, o escritor Nigel Kneale, não havia liberado seu uso, a “Hammer” optou por utilizar uma história similar ao mesmo universo ficcional, através do roteiro de Jimmy Sangster, substituindo pelo cientista Dr. Royston.
O argumento básico utiliza-se do medo das consequências do uso indevido da energia nuclear, como a fabricação de bombas, durante o conturbado período após a Segunda Guerra Mundial, com a constante tensão gerada pela possibilidade de efeitos destrutivos da radiação. O filme possui uma atmosfera sinistra intensa com as mortes violentas e a investigação de suas origens, com um monstro radioativo desconhecido, “um estranho de um mundo perdido” (do título nacional), que surge das profundezas da Terra ávido por sobrevivência e em busca de alimento na forma de radiação atômica.
O monstro é formado por energia e derrete suas vítimas. Após se alimentar com radiação, adquire a forma de uma gigantesca massa gosmenta que aumenta seu tamanho progressivamente, inspirando vários filmes posteriores. Entre os que receberam sua influência, temos preciosidades como “A Bolha” (1958), com a criatura do espaço sideral crescendo conforme se alimenta, e o japonês “O Monstro da Bomba H” (também de 1958), produção da “Toho” dirigida por Ishiro Honda, com criaturas de radiação que dissolvem suas vítimas.
Curiosamente, o eterno ator coadjuvante Michael Ripper, um rosto conhecido em inúmeras participações em filmes da “Hammer”, também tem seu papel garantido por aqui, como o disciplinado Sargento Harry Grimsdyke.
(Juvenatrix – 12/09/15)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Riddick 3 (Riddick, EUA / Inglaterra, 2013)


Depois do ótimo “Eclipse Mortal” (2000) e do fraco e dispensável “A Batalha de Riddick” (2004), o anti-herói Riddick (interpretado por Vin Diesel) retornou agora com o terceiro filme da franquia, estreando nos cinemas brasileiros em 11/10/13.
Deixado para morrer num planeta desolado e habitado por criaturas predadoras extremamente violentas, Riddick luta para se manter vivo utilizando-se de seu instinto selvagem para sobreviver num ambiente completamente desfavorável. Após descobrir uma base que serve de ponto de apoio compartilhado por caçadores de recompensa, ele ativa um sensor que identifica sua presença, chamando a atenção de mercenários em busca de sua cabeça. A partir daí, inicia-se um jogo violento entre Riddick e dois grupos interessados em capturá-lo, e que não imaginavam que também teriam que enfrentar uma tempestade que desperta a fúria de terríveis feras interessadas em suas carnes.
Nesse terceiro filme do universo ficcional das crônicas de Riddick, felizmente o diretor e roteirista da série David Neil Twohy, preferiu retomar a exploração de elementos similares do filme original, com a ambientação da história num planeta hostil e a luta contra criaturas monstruosas. Minimizando as relações com o segundo filme, bem menos interessante ao retratar uma raça de seres imperialistas e sombrios conhecidos como “necromongers”.
Inevitavelmente, “Riddick 3 apresenta situações exageradas (Riddick parece imortal) e previsíveis (é fácil imaginar o destino dos personagens e quem deverá viver), mas ainda assim é um filme que diverte com boas cenas de ação e confrontos entre Riddick e seus algozes, e contra os monstros dominantes do planeta.
(Juvenatrix – 26/10/13)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Ultimato à Terra (The 27th Day, EUA, 1957)


Ficção científica bagaceira da década de 50 do século passado, dirigida por William Asher (mais conhecido pela série de TV “A Feiticeira”, 1964 / 1972). Situado dentro da temática de invasão alienígena e principalmente abordando a tensão da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, com a paranoia de destruição do planeta com bombas atômicas, com um sentimento constante de insegurança após o final da Segunda Guerra Mundial. “Ultimato à Terra” tem apenas 75 minutos de duração e fotografia em preto e branco, numa produção de baixo orçamento distribuída pela “Columbia Pictures”. O roteiro é de James Mantler, baseado em seu livro homônimo.
Um humanoide alienígena (Arnold Moss, um rosto conhecido em várias séries de TV da época) captura cinco pessoas aleatórias representando países diferentes como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, China e Rússia (identificado no filme apenas como sendo parte do bloco soviético conhecido como “Cortina de Ferro”). Eles são abduzidos para uma nave espacial em formato tradicional de disco e são considerados pelo extraterrestre como representantes da raça humana: o jornalista americano Jonathan Clark (Gene Barry, de “A Guerra dos Mundos”, 1953), a jovem inglesa Eve Wingate (Valerie French), o cientista alemão Dr. Klaus Bechner (George Voskovec), a chinesa Su Tan (Marie Tsien, não creditada e que não diz uma só palavra), e o soldado russo Ivan Godfsky (Azemat Janti).
Lá, cada um deles recebe um pequeno recipiente contendo três cápsulas com imenso poder de destruição, capaz de aniquilar a vida humana na Terra, mantendo os outros seres vivos e a natureza intactos. Apenas eles poderiam abrir suas respectivas caixas através de uma projeção mental e acionar as armas, que perderiam seus efeitos após 27 dias (daí o título original do filme). O desafio proposto pelo alienígena é que os portadores dessas armas de outro mundo consigam manter a paz nesse período, algo extremamente difícil uma vez que a história da humanidade é conhecida pelas constantes guerras e conflitos, e a ameaça do fim do mundo por uma catástrofe nuclear nunca esteve tão perto como no período da guerra fria. Caso a eliminação da vida humana de fato ocorresse, a Terra ficaria livre para ser habitada pelos avançados alienígenas, cuja civilização estava próxima da extinção por causa da explosão da estrela que mantém a vida em seu planeta natal. E o prazo para seu extermínio é de apenas 35 dias. Como eles eram impedidos de realizar a invasão à força por questões morais, a decisão foi testar a humanidade sobre sua capacidade de autodestruição.
Ultimato à Terra” faz parte do período dourado do cinema fantástico, aquele que abrange principalmente a década de 50 do século XX. São tantos filmes de horror e ficção científica sobre os mais variados temas que um trabalho de catalogação é uma tarefa bastante complexa. A maioria desses filmes foi produzida com orçamentos reduzidos e roteiros repletos de situações exageradamente absurdas ou excessivamente mirabolantes, e justamente a combinação dessas características é que proporciona uma esperada diversão descontraída. Neste filme em particular, percebemos que o alienígena e sua nave espacial são secundários, e o foco está nos conflitos da raça humana, dividida em dois blocos distintos: os países que defendem a liberdade e a “cortina de ferro”, com sua tirania. E o desafio é descobrir quem irá apertar primeiro o botão de acionamento da bomba atômica, ou acionar as armas das cápsulas alienígenas. Essa ideia acaba incomodando um pouco pelo imenso clichê que sempre coloca os americanos como mocinhos e os soviéticos como os vilões, e pela previsibilidade dos acontecimentos, onde sabemos sempre com grande antecedência o rumo das ações e principalmente o desfecho. O que seria da humanidade se não existissem os americanos para nos salvar?
Curiosamente, o disco voador fuleiro aparece pouco e foi editado do filme imediatamente anterior “A Invasão dos Discos Voadores” (Earth Vs. The Flying Saucers, 1956), de Fred F. Sears, também distribuído pela “Columbia”.
(Juvenatrix – 09/09/15)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Rosas de Sangue (Blood and Roses, Itália / França, 1960)


Produção europeia dirigida pelo francês Roger Vadim (1928 / 2000), de “Barbarella” (1968), com roteiro baseado na história “Carmilla”, do irlandês Sheridan Le Fanu (1814 / 1873), que serviu de inspiração para Bram Stoker escrever “Drácula”. A cópia que tive acesso é dublada e gravada de uma exibição na TV Globo, na saudosa sessão “Coruja Colorida” do tempo em que passavam na televisão filmes interessantes e antigos do cinema fantástico, perdidos no meio das madrugadas.
“De Paris a Roma em 90 minutos. Há 500 anos a mesma viagem levaria quase 2 meses. Eu sei porque eu fiz a viagem. Meu nome é Millarca. Eu vivi no passado, eu vivo agora. Nessa época do jato e do foguete é difícil acreditar em coisas espirituais. Este é o novo mundo. O mundo do espírito é o velho mundo. Velho sim, mas ainda verdadeiro. Lá embaixo, entre as colinas sombrias da Itália, está o Castelo da família Karnstein. Entrem comigo, vou lhes contar a história da minha vida recente.”
Com essa introdução tem início “Rosas de Sangue”, uma história de vampirismo ambientada na Itália de 1960, mas com toda aquela atmosfera gótica de séculos atrás. A família Karnstein ainda é bastante temida na região pelos camponeses por causa das lendas antigas que falavam que seus ancestrais eram vampiros que bebiam sangue humano. Apesar de que eles foram destruídos em 1765 com estacas de madeira cravadas em seus corações e com seus corpos quiemados. Seus túmulos localizados numa velha abadia próximo ao castelo da família, estão vazios há séculos e a maldição não existe mais. Será?
O Conde Leopoldo De Karnstein (Mel Ferrer) está planejando seu casamento com a bela Georgia Monteverdi (a deslumbrante italiana Elsa Martinelli), para a tristeza de sua prima Carmilla (a não menos lindíssima dinamarquesa Annette Vadim, casada na época com o diretor), que desde pequena nutre uma paixão platônica pelo primo. Uma vez deprimida e fragilizada, ela sente-se misteriosamente atraída por uma voz feminina e vai até a abadia onde está a sepultura gelada de sua ancestral. O espírito da vampira se apossa de seu corpo e passa a aterrorizar o castelo em busca de sangue, além de tentar recuperar o amor do Conde De Karnstein, que acredita ser a reencarnação de seu antigo noivo Ludwig.
Rosas de Sangue” tem o título original francês “Et Mourir de Plaisir” e também é conhecido como “To Die With Pleasure”. É um filme de horror sutil, curto com apenas 74 minutos (na versão americana), sendo uma das várias adaptações que a história de Sheridan Le Fanu recebeu no cinema. Ainda tivemos “O Túmulo do Horror” (Crypt of the Vampire, 1964), com Christopher Lee, e “Carmilla, A Vampira de Karnstein” / “Os Vampiros Amantes” (The Vampire Lovers, 1970), uma produção inglesa da “Hammer” com Peter Cushing e Ingrid Pitt.
Entre os destaques, vale citar a perturbadora sequência com o pesadelo de Georgia, filmado em preto e branco. Ela que, uma vez confusa com o casamento com o Conde e a amizade enigmática com Carmilla, tornou-se vulnerável para o espírito da vampira ancestral e seus planos de se manter viva no mundo moderno. 
(Juvenatrix – 07/09/15)

domingo, 6 de setembro de 2015

Lavalantula (EUA, 2015)


A produção é da “Cinetel Films”, de bagaceiras como “A Queda da Terra”, a distribuição é do canal de TV a cabo “SyFy”, o apoiador oficial do cinema fantástico bagaceiro do século 21, e a direção é de Mike Mendez, de outras tranqueiras como “Maldita Aranha Gigante!” (2013). A história é sobre aranhas do tamanho de homens que cospem fogo pela boca, oriundas de uma erupção vulcânica em Los Angeles, nos Estados Unidos, e no elenco temos a liderança das ações por Steve Guttenberg, mais conhecido pela participação na popular e cultuada franquia de humor “Loucademia de Polícia”, dos anos 80 e 90 do século passado. O resultado disso tudo tem um nome: “Lavalantula”, a contração das palavras lava com tarântula.
Colton West (Steve Guttenberg) é um astro do cinema de ação dos anos 90, conhecido por atuar como o “Foguete Rubro”, um super-herói vestido numa armadura que voa. Casado com a bela Olivia (Nia Peeples), que luta kickbox, e pai do adolescente Wyatt (Noah Hunt), ele está no momento trabalhando num filme bagaceiro sobre baratas gigantes (num divertido exercício de metalinguagem, onde os realizadores estão brincando com os seus próprios clichês). Quando decide sair do set de filmagens para encontrar o filho, se depara com uma explosão nas montanhas de Santa Monica, causando terremotos e o pior de tudo, uma invasão de aranhas enormes incendiárias. Encarnando o verdadeiro herói americano, ele se junta com um fã patético, Chris (Patrick Renna), que encontra num ônibus de turismo, e parte para combater as aranhas, tentando encontrar a esposa e o filho no meio do desastre, ao mesmo tempo em que defende a cidade, procurando uma forma de deter as aranhas, principalmente uma imensa rainha.
Em “Lavalantula” tudo é exagerado, desde o roteiro carregado de forma proposital com elementos absurdos até os efeitos dos monstros aracnídeos em CGI vagabundo. Para não enrolar o espectador, já em menos de dez minutos de projeção, ocorre uma erupção vulcânica que liberta as enormes aranhas que cospem lava pela boca. Tem muitas homenagens e brincadeiras com o próprio cinema fantástico bagaceiro em que o filme se situa. Não falta nem o tradicional discurso padrão do herói convocando nesse caso os funcionários do estúdio de cinema para se motivarem na batalha contra as criaturas de oito patas. Dentro desse ponto de vista, podemos dizer que existe claramente uma intenção honesta dos realizadores em produzir e oferecer ao público uma porcaria colossal sem pretensão de mostrar uma história séria, e por isso mesmo, consegue o objetivo maior que é exclusivamente a diversão simples e sem compromisso com a lógica. O espectador não é enganado, pois sabe com antecedência que verá um filme ruim, que quer apenas divertir debochando dos próprios clichês e situações estrambólicas.    
Entre as várias curiosidades, temos a participação de quatro atores da franquia “Loucademia de Polícia”, pois além de Steve Guttenberg, ainda temos Michael Winslow, Marion Ramsey e Leslie Easterbrook no meio do ataque das tarântulas vulcânicas, numa interessante homenagem. O roteirista Leigh Whannell, criador da série de filmes “Sobrenatural”, aparece numa ponta logo no início, interpretando justamente um diretor de cinema. O ator Ian Ziering, principal nome na cultuada franquia “Sharknado”, aparece rapidamente no meio do caos com a invasão dos aracnídeos pré-históricos, encontrando Colton West no tumulto. Após cumprimentá-lo, ele diz para o colega de profissão que “adoraria ajudá-lo, mas estou com problemas com tubarões”, numa brincadeira muito divertida com a série de filmes de ataques de tubarões nas grandes cidades americanas, usando os tornados como meio de transporte. Na dublagem brasileira, o termo “lavalantula”, utilizado como título do filme e mencionado várias vezes na história, é pronunciado como “lavantula”, numa decisão acertada e mais apropriada. E por último, e especiamente para os brasileiros, em determinado momento, durante a confusão no ataque das aranhas, aparece um poste de identificação de uma praça na “Hollywood Boulevard” com a placa indicando “Carmen Miranda Square”, referindo-se à famosa cantora luso-brasileira.
Para concluir esse texto, vale registrar que antes mesmo dos produtores avaliarem o retorno do lançamento de “Lavalantula”, já foi anunciada uma sequência para 2016 com o nome “2 Lava 2 Lantula!”, cujo gancho enorme foi revelado no desfecho com a pergunta: “Esse é o fim das lavalantulas?”. Parece que não... 
(Juvenatrix – 06/09/15)

sábado, 5 de setembro de 2015

A Trilha da Fera Lunar (Track of the Moon Beast, EUA, 1976)


Filme bagaceiro dos anos 70 do século passado classificado no sub-gênero do cinema fantástico conhecido como “homem transformado em monstro”. Com direção de Richard Ashe (creditado como Dick Ashe), em seu único filme numa carreira que não existiu, “A Trilha da Fera Lunar” tem roteiro de Bill Finger (1914 / 1974), conhecido por ajudar no desenvolvimento do personagem “Batman” nos quadrinhos, séries de televisão e animações. A co-autoria da história é de Charles Sinclair, que teve uma carreira curta e ajudou a escrever a ficção científica tranqueira “O Lodo Verde” (1968), junto com o parceiro Bill Finger.
Paul G. Carlson (Chase Cordell) é um jovem solitário interessado em mineralogia e que faz estudos de campo nas montanhas próximas da cidade de Albuquerque, no Estado americano do Novo México. Seu antigo professor, John Salinas (Gregorio Sala) apresenta para ele uma bela fotógrafa de Nova Iorque, Kathy Nolan (Donna Leigh Drake), que está realizando um trabalho jornalístico nas reservas de índios locais. Eles se apaixonam rapidamente e num encontro noturno no alto de um cume, presenciam uma chuva de meteoritos vindos da Lua, após o choque de um asteroide na superfície lunar. Um dos pequenos corpos celestes vindos do espaço exterior atingiu levemente Paul, que ficou com um fragmento do meteorito internamente na cabeça. A radiação está causando reações estranhas e mutações que o transformaram na fera do título, iniciando uma trilha com o sangue de suas vítimas.
O chefe de polícia Capitão McCabe (Patrick Wright), que está sempre com as mãos na cintura, lidera as investigações dos misteriosos assassinatos na região, e é auxiliado pelo Prof. Salinas, especialista em antropologia e que conhece lendas índias que podem ajudar no caso, sobre homens que foram atingidos por objetos vindos do céu e que se transformaram em lagartos gigantes assassinos. O mistério incomum com a ocorrência de mortes sangrentas causadas por um suposto monstro réptil desperta a atenção de um cientista da NASA, Dr. Lawrence (Crawford MacCallum), e de um famoso cirurgião, Dr. Rizzo (Fred McCaffrey), que chegam à cidade para tentar ajudar o jovem a se livrar do mal que o transforma num monstro nas noites de lua cheia.
A maquiagem da criatura é de Rick Baker, que ficou famoso principalmente pelo excepcional trabalho em “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), além da preciosa bagaceira “O Incrível Homem Que Derreteu” (1977) e “Videodrome – A Síndrome do Vídeo” (1983), de David Cronenberg, entre outros. Ele foi auxiliado pelo maquiador Joe Blasco, que interpretou a fera lunar em seu único trabalho como ator. O “lagarto gigante que anda como homem” apresenta semelhanças físicas com o conhecido “monstro da lagoa negra”, e infelizmente aparece pouco no filme. Pois, justamente o monstro é o único a garantir bons momentos com cenas bizarras de ataques em efeitos toscos e divertidos pela precariedade da produção. No mais, a história não desperta interesse pelo excesso de clichês e situações exageradamente absurdas e inverossímeis. O ritmo é bem arrastado, com um elenco amador cujas atuações inexpressivas colaboram para um resultado final fraco e descartável. Vale apenas pelas cenas patéticas e por isso mesmo divertidas com o réptil assassino. 
(Juvenatrix – 05/09/15)