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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

O Castelo Maldito / Herança Maldita (Castle Freak, EUA / Itália, 1995)

 


O cineasta Stuart Gordon (1947 / 2020) tem seu nome registrado na história do cinema de horror pela notável carreira dentro do gênero, e principalmente por uma série de filmes cultuados inspirados em histórias de H. P. Lovecraft, como “Re-Animator: A Hora dos Mortos-Vivos” (1985), “Do Além” (1986) e “Dagon” (2001), além de um divertido filme de 1995 que é conhecido aqui pelos títulos nacionais “Herança Maldita” e “O Castelo Maldito” (Castle Freak).

A produção é da “Full Moon”, empresa de Charles Band especializada em filmes de horror (nos mesmos moldes do estúdio anterior do produtor, que se chamava “Empire”). Com um roteiro utilizando uma pequena referência do conto “O Intruso” (The Outsider), de Lovecraft, “O Castelo Maldito” tem um elenco liderado por Jeffrey Combs e a musa Barbara Crampton, que já estiveram juntos em outros filmes da mesma equipe.


Na história, o americano John Reilly (Jeffrey Combs) recebe a notícia que herdou um castelo do século XII no norte da Itália, após a morte da amargurada Duquesa D´Orsino (Helen Stirling). Ele decide levar a família para conhecer o castelo, sua bela esposa Susan (Barbara Crampton) e a filha adolescente cega Rebecca (Jessica Dollarhide), com o objetivo de inventariar o imóvel e seus bens para uma possível venda. 

Os americanos são recepcionados pelo advogado italiano Giannetti (Massimo Sarchielli), responsável pelas questões legais envolvendo o castelo, e por sua irmã Agnese (Elisabeth Kaza), que é a cozinheira e arrumadeira na nova e imensa moradia. Mas, o casal Reilly está enfrentando uma complicada crise conjugal depois da morte trágica do filho pequeno num acidente de carro que também deixou a filha cega.

Porém, eles não imaginavam que ao herdarem o imponente castelo, teriam que enfrentar um morador indesejável, Giorgio (Jonathan Fuller), a aberração do título original do filme. A criatura monstruosa foi um prisioneiro deformado física e mentalmente, que ficou acorrentado por dezenas de anos numa masmorra sombria nos porões do castelo. Uma vez conseguindo escapar do cárcere, ele persegue os novos moradores, espalhando o horror sangrento com a ocorrência de mortes violentas, despertando a atenção da polícia do vilarejo local, sob a investigação do Inspetor Forte (Luca Zingaretti).    


Em “O Castelo Maldito” a diversão torna-se garantida quando temos uma equipe formada pelo produtor Charles Band, o diretor e roteirista Stuart Gordon e os atores Jeffrey Combs e Barbara Crampton, todos com proximidades com o cinema de horror. Deixando de lado o humor negro dos filmes anteriores, dessa vez aqui a atmosfera é mais sombria e depressiva, a história é trágica e pessimista, com os personagens sofrendo e enfrentando crises pessoais, além principalmente do vilão assassino ser na verdade uma vítima torturada e incompreendida, que foi mantido prisioneiro por anos em busca de liberdade e eventual vingança. Não faltam cenas com mortes sangrentas e perseguições insanas nos corredores sinistros de um castelo assombrado pela dor e agonia.

Sem o uso artificial dos efeitos gráficos de computador, o assassino é um homem disforme e atormentado, com o ator Jonathan Fuller coberto de próteses e maquiagens aplicados em sessões de longas seis horas, porém tendo como resultado final um trabalho excepcional na transformação em uma criatura humana grotesca.     


O filme foi lançado no Brasil primeiramente em VHS pela “VTI” como “Herança Maldita” e depois em DVD pelo selo “Works / Dark Side / London” com o nome “O Castelo Maldito”, numa versão sem cortes e trazendo alguns materiais extras como sinopse, trailer, biografias do diretor Stuart Gordon e do ator Jeffrey Combs, além de um curto, mas interessante documentário com informações de bastidores e depoimentos de Combs, Barbara Crampton, Jonathan Fuller e Jessica Dollarhide.

Também foi lançado em DVD pela “Versátil” como "Herança Maldita", na coleção “Lovecraft no Cinema Volume 3”, junto com “Dagon” (2001), “A Maldição do Altar Escarlate” (1968) e “O Altar do Diabo” (1970).

Em 2020 teve uma refilmagem dirigida por Tate Steinsiek e com Charles Band e Barbara Crampton na equipe de produção, recebendo o título “Herança Maldita”.


(Juvenatrix – 05/10/21)





domingo, 22 de outubro de 2017

Possessão (Witchboard III - The Possession, EUA / Canadá, 1995)


“No primeiro contato que tive com o tabuleiro Ouija, conhecido nos tempos antigos como a tábua da bruxa, julguei que fosse só um brinquedo, um desses jogos que fingia invocar os espíritos dos mortos. Eu estava mortalmente errado. A tábua Ouija é um portal para o outro mundo, que chama tanto bons como maus espíritos. Foi azar chamar o espírito de Nagor e seu culto de fertilidade. Meu nome é Francis Redmond e estou atualmente morto.”

Essa é a introdução de “Possessão” (Witchboard III – The Possession, 1995), lançado no Brasil em vídeo VHS pela “Canyon International”, sendo o terceiro filme de uma franquia que ainda conta com “Espírito Assassino” (Witchboard, 1986), lançado em VHS por aqui pela “Look”, e “Entrada Para o Inferno” (Witchboard 2: The Devil´s Doorway, 1993), em VHS pela “Mundial”. Como cada filme foi lançado por uma distribuidora diferente, termos uma imensa confusão de títulos nacionais, dificultando ainda mais o árduo trabalho de pesquisa e catalogação dos colecionadores.
Dirigido por Peter Svatek e com Kevin S. Tenney como um dos roteiristas (ele foi o diretor dos dois primeiros filmes da série), a história clichê é sobre a manjada tábua Ouija, já explorada à exaustão no cinema, um artefato mágico que permite a comunicação com os mortos.
A bela Julie (Locky Lambert) é casada com Brian (David Nerman), um corretor de ações que está desempregado e com dificuldades para encontrar uma recolocação no mercado. Eles moram de aluguel num apartamento cujo prédio é de propriedade do misterioso Francis Redmond (Cedric Smith), um senhor idoso solitário que coleciona objetos antigos de bruxaria e ocultismo, incluindo um tabuleiro Ouija. Ele logo convida Brian para participar de uma sessão com a “tábua da bruxa” (“Witchboard”, do título original da franquia), mostrando como incentivo o fato de ter enriquecido no mercado de ações com informações privilegiadas obtidas através de um espírito.
Porém, o contato com os mortos trouxe graves conseqüências para a vida de Brian, relacionadas com o nome do filme, trazendo para o nosso mundo o espírito de um demônio à procura de uma mulher fértil que pudesse gerar seu filho. A esposa Julie percebe as mudanças estranhas no comportamento de Brian, que inclui brincadeiras desagradáveis com uma amiga dela, a igualmente bela Lisa (Donna Sarrasin), e tenta descobrir a verdade para salvar o espírito atormentado do marido, preso em outra dimensão.
“Possessão” é apenas mais um filme comum e arrastado utilizando o tema da tábua Ouija, e que com a simples menção de seu nome já se imagina o roteiro clichê. Um espírito maligno é invocado, se apossa do corpo de um homem, e temos um demônio na Terra para colocar em prática seu plano de reprodução. Nada mais óbvio e desgastante. O filme é datado dos anos 90, com efeitos especiais toscos e típicos dos filmes bagaceiros daquele período. Talvez o espectador até consiga obter alguma diversão rápida, não com a história patética, mas nos momentos de aparição do demônio em sua forma real. No mais, trata-se apenas de outro filme que nasceu para se perder no limbo.
(Juvenatrix – 22/10/17)

sábado, 9 de setembro de 2017

O Endereço do Medo (The House That Mary Bought, Inglaterra, 1995)


O Endereço do Medo” (The House That Mary Bought, 1995) é uma produção inglesa para a televisão que foi lançada em DVD no Brasil. Trata-se de uma história típica de suspense e mistério, dirigida por Simon MacCorkindale (1952 / 2010), a partir de um roteiro dele em parceria com Chris Bryant, baseado numa novela de Tim Wynne-Jones.
Mary Close (Susan George) pinta quadros e é casada com Malcolm (Ben Cross), um arquiteto que também gosta de escrever. Eles vivem num belo casarão à beira mar, afastado da cidade. Sozinhos depois da morte do filho, o casal conta apenas com a ajuda parcial de uma empregada doméstica, Odette Callot (Chantal Gresset). Porém, as coisas começam a se complicar depois que diversos eventos misteriosos e estranhos passam a acontecer na enorme casa isolada, transformando o local no “endereço do medo” do título nacional. E a “casa que Mary comprou”, do título original, torna-se o palco de um mistério que poderia ser associado a assombrações ou loucura dos moradores.
Os acontecimentos bizarros geram um clima de tensão constante e crescente envolvendo o casal e também amigos próximos como Alex Fischer |(Maurice Thorogood), o agente para exposição dos quadros de Mary, ou a jovem Claire Benoit (Charlotte Valandrey), secretária de Malcolm. Culminando com as investigações da polícia local, sob o comando do Inspetor Jarrier (Jean-Paul Muel), que tenta em vão descobrir alguma coisa.
O filme é uma típica produção para a televisão, sem elementos de violência ou cenas sangrentas, num trabalho mais voltado para o suspense psicológico sobre o mistério da casa, com um resultado final mediano, o que não deixa de ser interessante, uma vez que a grande maioria dos filmes similares é descartável. Apesar de longo, com 104 minutos, sua história desperta uma empatia com o espectador na construção relativamente bem sucedida de uma atmosfera de mistério que prende a atenção na tentativa de descoberta da origem e motivação dos acontecimentos estranhos na casa, com a inevitável influência no relacionamento do casal, progressivamente mais conturbado.
(Juvenatrix – 08/09/17)

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A Hora do Terror (Witchcraft 7: Judgement Hour, EUA, 1995)


Na época do mercado de vídeo VHS no Brasil foram lançadas muitas porcarias em nossas locadoras. Uma delas foi o sétimo filme de uma extensa série de tranqueiras cujo nome nos Estados Unidos é “Witchcraft”. Com o subtítulo original de “Judgement Hour”, aqui recebeu o título de “A Hora do Terror” (1995), um fato que apenas reforça a incrível a falta de criatividade dos responsáveis pela escolha dos nomes para distribuição no Brasil, contribuindo para confundir e dificultar um trabalho de catalogação ou a pesquisa dos colecionadores de filmes de horror. Cuidado para não se enganar com outro filme lançado por aqui com o mesmo nome, “The Midnight Hour” (1985).
Dirigido por Michael Paul Girard, que também fez a parte 9 da série (1997), temos uma história básica sobre vampirismo, totalmente inexpressiva, com clichês cansativos, previsibilidade, piadas idiotas, efeitos toscos e muitas cenas com mulheres peladas, que é a principal característica da imensa série. Poderíamos até interpretar que “Witchcraft” é uma série de filmes eróticos com elementos de horror.
Um obscuro empresário romeno tem a intenção de tomar o controle dos bancos de sangue nos Estados Unidos, enquanto belas mulheres são assassinadas apresentando estranhas marcas no pescoço. As misteriosas mortes despertam a atenção de um advogado, Will Spanner (David Byrnes) e de uma dupla de policiais de Los Angeles, os detetives Lutz (Alisa Christensen) e Garner (John Cragen), que partem para uma investigação, descobrindo as atividades de um antigo vampiro.
Nada se salva nesse filme, que é o exemplo típico de tranqueira descartável que não diverte e somente consegue depreciar ainda mais o gênero. O cinema de horror é tão maltratado com filmes ruins e a série “Witchcraft” contribui significativamente para denegrir essa imagem. O mais importante para uma chance mínima de sucesso num filme é a existência de um bom roteiro. Em “A Hora do Terror”, a história é péssima e os atores são inexpressivos. É apenas um filme com belas mulheres sem roupas. E talvez, citaríamos o vampiro transformado numa criatura tosca no ato final, devido exclusivamente aos efeitos extremamente bagaceiros.
Curiosamente, a série “Witchcraft” tem treze filmes produzidos pela “Vista Street Entertainment” e foi anunciado o lançamento de mais outros três. Alguns deles foram distribuídos pela “Troma”. O personagem Will Spanner aparece em quase todos eles, interpretado por vários atores diferentes. A parte 5 foi lançada em DVD no Brasil com o título “Dançando Com o Mal” (Witchcraft V: Dance With the Devil, 1993), que saiu em 2004 num DVD lançado em bancas de jornais e revistas num mesmo disco, junto com outro filme, “A Lenda da Múmia” (The Legend of the Mummy, 1997).
(Juvenatrix – 26/02/17)