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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O Monstro de Frankenstein (The Evil of Frankenstein, Inglaterra, 1964)

 


“Eu pretendo refutar as velhas teorias sobre a evolução da vida e a origem da força vital e reformulá-las simplesmente em termos de química biofísica como ações e reações químicas controladas por impulsos externos.” – Barão Frankenstein.


O cultuado estúdio inglês “Hammer” é conhecido principalmente por seus incontáveis filmes com atmosfera e ambientação gótica, e pela exploração dos famosos monstros do cinema de horror, consagrados anteriormente pela produtora americana “Universal”.

Sua série de filmes baseados na famosa história de Mary Shelley, “Frankenstein”, tem sete filmes no total: “A Maldição de Frankenstein” (1957), “A Vingança de Frankenstein” (1958), “O Monstro de Frankenstein” (The Evil of Frankenstein, 1964), “Frankenstein Criou a Mulher” (1967), “Frankenstein Tem Que Ser Destruído” (1969), “Horror de Frankenstein” (1970) e “Frankenstein e o Monstro do Inferno” (1974).

O terceiro filme da série foi dirigido por Freddie Francis e estrelado novamente pelo ícone Peter Cushing no papel do “cientista louco” obcecado pela criação de vida artificial, a partir de um monstro formado por partes de cadáveres.


O Barão Frankenstein (Cushing) e seu jovem assistente Hans (Sandor Elès), estão envolvidos em experiências bizarras de reanimação de um coração retirado de um cadáver recente, mas logo são descobertos por um padre (James Maxwell) e são obrigados a fugir. O barão decide retornar, após dez anos de ser expulso, ao seu castelo próximo da cidade de Karlstaad, onde reencontra seus antigos opositores, o prefeito do vilarejo (David Hutcheson) e o agora chefe de polícia (Duncan Lamont). 

O cientista insiste em continuar seu macabro trabalho após encontrar congelado numa geleira a criatura (Kiwi Kingston) de suas antigas experiências, graças a ajuda de uma jovem mulher surda (Katy Wild), maltratada pelos aldeões, e que auxiliou na fuga do cientista e seu assistente ao indicar uma caverna como refúgio da perseguição policial.

Retomando seus experimentos com a reanimação do monstro no laboratório do castelo através da captura de energia elétrica de um raio de uma forte tempestade, o cientista é obrigado a utilizar os serviços de um hipnotizador ganancioso e traiçoeiro, Zoltan (Peter Woodthorpe). Ele é o único capaz de controlar a mente da criatura, incitando-a depois a roubar artefatos valiosos no vilarejo e atacar as autoridades, contra a vontade do Barão Frankenstein, gerando um conflito trágico entre o cientista, seu monstro distorcido e os aldeões furiosos.


Para quem é apreciador do estilo, os filmes góticos da “Hammer” acabam sempre despertando grande interesse, independente até do roteiro, graças aos elementos característicos comumente encontrados, sendo nesse caso o imponente castelo sombrio e maltratado pelo tempo e abandono e o laboratório do “cientista louco” repleto de equipamentos bizarros. 

A história desse “O Monstro de Frankenstein” desconsidera os eventos dos dois filmes anteriores, que por sua vez possuem ligação direta. A decisão dos realizadores foi agora optar pela liberdade de criação artística nesse universo ficcional do cientista e seu monstro.    

Ao contrário do filme imediatamente anterior, “A Vingança de Frankenstein”, lançado seis anos antes, o visual da criatura interpretada por Kiwi Kingston voltou para um estilo mais macabro, repleto de cicatrizes, remendos e deformidades, lembrando um pouco o monstro interpretado pelo ator Boris Karloff nos filmes da “Universal”, explicado pelo fato do grande estúdio americano ser o distribuidor do filme e por isso finalmente ter liberado os direitos sobre a maquiagem do monstro e dos aparelhos científicos do laboratório.

Parte dos cenários do filme foram reaproveitados em “A Górgona”, também de 1964 e um dos melhores filmes da produtora, dirigido por Terence Fisher e novamente com Peter Cushing, dessa vez contracenando com Christopher Lee.

“O Monstro de Frankenstein” foi lançado no Brasil em DVD pela “NBO”, que utilizou uma capa oportunista evidenciando uma ilustração estilizada de Boris Karloff, em vez de mostrar alguma foto da criatura do próprio filme em questão. De material extra, temos biografias do diretor Freddie Francis e dos atores Peter Cushing e Duncan Lamont. 


(Juvenatrix – 13/09/21)







terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Os Malditos (These Are the Damned, Inglaterra, 1963, PB)

 


No final dos anos 1950, a produtora inglesa “Hammer” surgiu com a proposta de explorar novamente os tradicionais monstros do cinema de Horror como o vampiro “Drácula”, “Criatura de Frankenstein”, “Múmia”, “Fantasma da Ópera”, “Lobisomem”, entre outros. Apostando na fotografia colorida e no vermelho do sangue, tivemos muitos filmes que ficaram eternizados, agregando muito valor às carreiras de atores como Christopher Lee e Peter Cushing, que se transformaram em ícones do gênero.

Mas, não é só de filmes de horror com monstros que a “Hammer” é lembrada, pois o estúdio também tem em seu extenso catálogo filmes com histórias de ficção científica. No caso de “Os Malditos” (These Are the Damned, 1963), o tema é a paranoia atômica que foi criada nas décadas de 50 e 60 do século passado, com o medo do fim do mundo numa destruição com bombas nucleares, durante a guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, pelo domínio do planeta após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Com direção de Joseph Losey, fotografia em preto e branco e história baseada no livro “The Children of Light”, de H. L. Lawrence, o filme foi lançado em DVD no Brasil em 2015 pela “Versátil”, na coleção “Clássicos Sci-Fi – Volume 1”, e também recebeu anteriormente os títulos “O Mundo os Condenou” e apenas “Malditos”.

Um turista americano, Simon Wells (Macdonald Carey), está na Inglaterra em férias quando conhece a jovem Joan (Shirley Anne Field), irmã de King (Oliver Reed), o líder de uma gangue de motoqueiros arruaceiros que roubam turistas com o uso de violência. Simon e Joan acabam saindo juntos num passeio de barco, sendo perseguidos pelo irmão ciumento da garota.

Eles passam a noite numa casa isolada localizada perto de uma estação militar secreta e entram em contato com um grupo misterioso de crianças que vivem em instalações subterrâneas da base do exército. Inocentes, elas recebem bem os estranhos, ajudando-os a se esconderem tanto do violento King quanto dos militares. Geladas e radioativas, as crianças fazem parte de um sinistro experimento científico confidencial, liderado pelo cientista Bernard (Alexander Knox), que esconde seu trabalho obscuro da amante Freya Neilson (Viveca Lindfors), uma artista que faz esculturas bizarras.

“Os Malditos” é um filme diferente da “Hammer”, bem longe dos monstros e horror gótico que normalmente caracteriza o estilo da produtora. Com a fotografia em preto e branco, a história pessimista explora o medo e tensão constantes gerados pela paranoia de uma catástrofe nuclear, com um projeto científico sombrio envolvendo as crianças “malditas”. A primeira metade é um pouco arrastada e a gangue de motoqueiros ladrões de turistas não desperta muito interesse. Mas, as coisas melhoram bastante quando efetivamente surgem as crianças sinistras, vítimas de uma conspiração militar com objetivos sombrios. Carregado de mistério, o grupo não tem contato com o mundo exterior, as crianças só conhecem as coisas no interior do subterrâneo e nem imaginam quem são seus pais, não fazendo a menor ideia do propósito do projeto científico em que fazem parte.

Entre as curiosidades, vale citar que o filme é um dos primeiros trabalhos do ator Oliver Reed, com uma carreira bem sucedida, e que esteve antes em “A Maldição do Lobisomem” (1962), também da “Hammer”, no papel do homem transformado em lobo. Também é curioso o fato de que as crianças misteriosas formavam um grupo de nove e todas tinham nomes de reis ou rainhas da história da Inglaterra, como Henry e Victoria, as principais crianças do grupo.

(Juvenatrix – 16/02/21)






terça-feira, 24 de novembro de 2015

As Bodas de Satã (The Devil Rides Out, Inglaterra, 1968)


A produtora inglesa “Hammer” também contribuiu significativamente para o sub-gênero do cinema de horror que aborda o satanismo. No final dos anos 60 e início da década seguinte, tivemos um período com ótimos filmes com propostas similares, como “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski, e “Balada Para Satã”, de Paul Wendkos. Em 1968 foi lançado “As Bodas de Satã”, com direção do especialista Terence Fisher, o mais importante cineasta do cultuado estúdio, e com o ícone Christopher Lee no elenco. O roteiro é do renomado escritor Richard Matheson, a partir de um livro de Dennis Wheatley, cujas histórias serviram de inspiração para “O Continente Esquecido” (1968) e “Uma Filha Para o Diabo” (1976), ambos também da “Hammer”.
Ambientado em 1929, os amigos Duque Nicholas de Richleau (Christopher Lee) e Rex Van Ryn (Leon Greene) prometeram ao pai falecido do jovem Simon Aron (Patrick Mower), que cuidariam dele. E pensando nisso, e após sem vê-lo por alguns meses, eles decidem visitá-lo em sua casa, surpreendendo-o no meio de uma estranha reunião de uma suposta sociedade astronômica. Como profundo conhecedor de doutrinas e ciências ocultas, o duque desconfia dos misteriosos diagramas desenhados no chão de um grande salão no andar de cima da casa e após encontrar galinhas escondidas numa cesta como se estivessem prontas para o abate num ritual de sacrifício, ele acredita que Simon faz parte de uma seita demoníaca. Ele tenta retirar o jovem e outra garota, Tanith Carlisle (Nike Arrighi), da influência maligna dos seguidores do culto, uma vez que eles estavam sendo preparados para um batismo num sabbath, onde passariam a servir o diabo. Então, Nicholas e o amigo Rex, apaixonado por Tanith, juntam esforços com a sobrinha do duque Marie Eaton (Sarah Lawson) e seu marido Richard (Paul Eddington), e todos tentam salvar os jovens das forças do mal e das garras do líder satânico Mocata (Charles Gray), mestre em nível superior do culto demoníaco.
“Na magia não existe o bem e o mal. É somente uma ciência. A ciência de fazer com que ocorram mudanças por meio da vontade própria. A reputação sinistra que a acompanha não tem fundamento. É baseada em superstições, não em observações objetivas”. Essas são as palavras de Mocata, e segundo ele, não há motivos para se temer a magia. Porém, não é o que se vê no filme, principalmente em cenas onde dezenas de seguidores do culto se banham freneticamente com o sangue fresco de um bode abatido em sacrifício, ou quando surge a presença física do demônio Baphomet numa missa negra, uma aparição extremamente sinistra, de uma criatura meio homem e meio bode.
É curioso notar que o ator Christopher Lee, segundo o site “IMDB” (Internet Movie Database), afirmou que “As Bodas de Satã” é seu filme preferido da “Hammer”, e ele esteve em muitas produções do estúdio, interpretando personagens de todos os tipos, principalmente o vampiro Conde Drácula. E que ele insistiu bastante com os produtores para filmarem uma história de Dennis Wheatley. Porém, contrapondo um pouco o entusiasmo de Christopher Lee, o filme é bem exagerado na fantasia, com demônios surgindo envolvidos em névoas, através de rituais sombrios, e parece bem estranho ver o cultuado ator recitando energicamente palavras mágicas de uma oração para combater o poder das trevas. O desfecho também é bastante previsível, onde podemos imaginar com razoável antecedência os rumos das ações, culminando com o manjado confronto final entre o bem e o mal e a óbvia punição para os derrotados.
Entre os momentos de destaque certamente vale registrar uma cena tensa envolvendo uma aranha gigante, que ameaça o Duque e seus amigos quando estão no interior de um círculo desenhado no chão, participando de um ritual para combater o demônio e tentar libertar os jovens Simon e Tanith de sua influência maligna. O enorme aracnídeo peludo utilizado na cena é real, filmado numa perspectiva que o faz parecer bem maior e imponente, realmente passando uma sensação imensa de desconforto, mesmo para quem não sofre de aracnofobia. 
Lançado em DVD no Brasil pela “Cult Classic”, os letreiros de abertura do filme são ilustrados por diversos símbolos e imagens de magia negra, causando um efeito interessante e perturbador logo no início.
(Juvenatrix – 24/11/15)