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sábado, 2 de maio de 2026

Matacão, uma Lenda Tropical

 



Matacão, uma Lenda Tropical (Through the Arc of the Rain Forest), Karen Tei Yamashita. Tradução: Cristina Maria Teixeira Stevens e Carolina Berard. Capa: Ronaldo Lopes de Oliveira. 254 páginas. São Paulo: Zipango, 2003. Lançamento original de 1990.

 

Este é um romance muito pouco conhecido, mesmo entre os especialistas da ficção científica brasileira. Foi publicado no início do século por uma editora pequena e que, salvo engano, nem existe mais. Especializada em autores japoneses radicados no exterior, lançou entre nós a autora nipo-americana Karen Tei Yamashita, que viveu uma década no Brasil, antes de voltar aos Estados Unidos.

A história de Matacão se passa em algum momento do futuro próximo, com o surgimento de uma enorme superfície de plástico, de alguns milhares de hectares, numa fazenda no interior da Amazônia. Ela teria surgido em decorrência da deterioração da natureza, no qual os resíduos industriais teriam sido canalizados através de rios subterrâneos até a grande floresta, e surgindo finalmente à luz do dia como resultado de décadas de devastação.

A aparição do Matacão muda a vida de uma série de personagens, que terminam por convergir suas vidas para a grande estrutura. A começar pelo imigrante japonês Kazumasa Ishimaru, que vem morar em São Paulo por conhecer um primo que já vivia na metrópole paulista. Ele é acompanhado por uma bola do tamanho de uma de tênis, que orbita sua cabeça. Perto de Kazumasa mora o casal Batista, que se tornam os maiores especialistas e criadores de pombos do país, inaugurando uma verdadeira febre de culto aos pássaros. Assim como Chico Paco, um garoto caiçara do Nordeste que se torna peregrino após uma de suas promessas ter se tornado realidade, e também Mané Pena, o dono do local onde surgiu o Matacão, que atua como um curandeiro especializado nos supostos poderes terapêuticos da pena dos pombos. Para completar o quadro, há o executivo norte-americano Jonathan B. Tweep, que, com seus três braços, depois de revolucionar a empresa GGG, vem ao Matacão para explorar suas possibilidades comerciais, tornando-se rapidamente um dos homens mais ricos do mundo.

Como se vê, à estrutura surpreendente do Matacão soma-se outras figuras tão mais bizarras e improváveis, cada qual à sua maneira com suas vidas alteradas por causa de suas habilidades excepcionais e que meio que se completam quando passam a viver na Amazônia.

A história tem um tom que mistura a sátira e o sarcasmo, com as trajetórias e acontecimentos dos personagens sendo narrados em primeira pessoa pela bola que convive com Kazumasa. Assim, ela é livre para observações das mais espirituosas sobre os humanos e suas idiossincrasias, ainda mais que impulsionados por estas pessoas diferentes da norma e em meio à descoberta de uma superfície de plástico no interior da floresta verde. Mas a um contexto que, em princípio poderia nos encaminhar para a FC – o que não deixa de ser também –, a ênfase e o desenvolvimento ocorrem, em termos temáticos, para o absurdismo e o realismo fantástico, estabelecendo um diálogo com obras deste subgênero tão praticado na América Latina.

Assim, há um tom marcadamente delirante e irreal em quase tudo o que ocorre, com uma tendência para os eventos se tornarem uma corrente irresistível de desdobramentos. Por exemplo, todos querem ter um pombo, todos passam a usar penas para tudo, a sociedade é quase que tomada por um frenesi de promessas e missões religiosas, e assim por diante. Há uma espécie de maximização dos atributos indiretos dos personagens, e é o norte-americano que trabalha de forma incansável para lucrar com tudo isso. Ele transforma a GGG num faz tudo, ao ponto de mudar sua sede principal para o Matacão, com o intuito de pesquisá-lo e, claro, obter o maior dividendo possível dessa nova ´dádiva´. A própria estrutura se torna um local de turismo e peregrinação, sendo rapidamente ocupada com todo tipo de gente em busca não se sabe bem o quê.

Lendo história me veio à lembrança o clássico Além do Humano (More Than Human; 1953), de Theodore Sturgeon (1918-1985), com seus personagens marginalizados da sociedade, mas que, unindo suas habilidades especiais – principalmente mentais – se afirmam coletivamente como uma nova etapa da evolução humana, a gestalt. Mas se no livro de Sturgeon viceja o preconceito em termos individuais, o mesmo não ocorre no Matacão. Antes há um sentimento de estranhamento e fascínio com alguém que tem uma bola envolta da cabeça, ou um executivo de três braços que se casa com uma mulher com três seios. E se em Além do Humano há uma convergência coletiva, em Matacão os rumos dos personagens seguem um processo individualizado.

Talvez isso ajude a explicar porque, apesar dos sucessos materiais dos personagens, eles se sintam solitários e saudosos de quando tinham uma vida mais simples e anônima. A autora explora bem estes sentimentos contraditórios, numa reflexão sobre os desdobramentos que o sucesso pode trazer na vida das pessoas. Mais reconhecimento e admiração, mas também mais solidão e responsabilidade.

Mas haverá um limite para este novo mundo permeado pelo uso do plástico amazônico. Em decorrência do uso generalizado do produto em quase todos os setores da vida social e econômica, surge uma epidemia de tifo, inicialmente nos pombos, que passa para os humanos, causando uma verdadeira tragédia humana e colapso econômico. Aqui, Yamashita reverte o que, em certo sentido, dava o tom da narrativa: uma exaltação da livre iniciativa e das maravilhas do capitalismo, com sua prosperidade e realização pessoal. Pois tudo, no fim das contas, se revela uma quimera, com os sucessos individuais e a riqueza coletiva se voltando contra a sociedade como um todo. O preço será muito alto, inclusive para a maioria dos personagens.

Se como disseram Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista (1848), "tudo que é sólido desmancha no ar, tudo que era sagrado é profanado, e as pessoas serão forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas", o romance de Yamashita direciona este célebre pensamento menos nas contradições da sociedade e da economia, e sim da economia para com o meio-ambiente. Pois, mesmo o Matacão chegará ao seu termo, deixando um sentimento amargo no leitor, pois, ao que parece, da maneira como as pessoas agiram, haverá um retorno, aqui no caso da própria natureza, esgotada em seus recursos devido a exploração desmedida potencializada pelo sistema capitalista.

Yamashita publicou outro livro tendo o Brasil como cenário, Brazil-Maru (1992), leciona literatura asiático-americana na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, e deveria ser redescoberta, talvez até com a republicação de Matacão que, por sinal, nesta edição da obscura Zipango recebeu uma edição muito caprichada, na capa dura, na ótima orelha, no projeto gráfico e na ilustração de capa. Tornou-se um livro raro, mas, como disse, é atual e cada vez mais necessário, como uma obra de arte que reflete e denuncia, com a chave do fantástico e do multiculturalismo, a crise climática que já se tornou uma ameaçadora realidade.

Marcello Simão Branco


quinta-feira, 14 de maio de 2020

A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, EUA, 1990)



“Aí vem eles, erguendo-se do fundo dos túmulos, enchendo a noite de gritos, manchando a terra de sangue... Aí estão eles, caminhando ao ritmo da morte, limpando o sangue dos lábios...”
do livro “A Noite dos Mortos Vivos” (1974), de John Russo, baseado no roteiro do filme homônimo de 1968

Em 1968, o cineasta George Andrew Romero presenteou os apreciadores do cinema fantástico com um dos mais importantes filmes da história do gênero, o clássico absoluto “A Noite dos Mortos Vivos” (Night of the Living Dead), fotografado em preto e branco e com um orçamento reduzido, abordando o tema dos zumbis comedores de carne humana de forma definitiva, inspirando toda uma safra imensa de filmes posteriores influenciados por suas idéias.
Romero dirigiu depois mais cinco filmes de sua saga, “Despertar dos Mortos” (Dawn of the Dead, 78), “O Dia dos Mortos” (Day of the Dead, 85), “Terra dos Mortos” (Land of the Dead, 2005), “Diário dos Mortos” (Diary of the Dead, 2007) e “A Ilha dos Mortos” (Survival of the Dead, 2009), sendo alguns deles ótimos filmes de horror e com interessantes críticas sociais em seus argumentos. E em 1990, o conhecido técnico em maquiagem Tom Savini (de “Despertar dos Mortos” e “Sexta-Feira 13”, entre muitos outros filmes importantes do gênero), reuniu os principais envolvidos na produção do clássico de 68 (o próprio George Romero e ainda John Russo e Russ Streiner), e assumindo a direção lançaram juntos uma refilmagem, com a grande diferença de apresentar agora a violência dos mortos vivos em cores e através de técnicas de efeitos especiais mais modernas.  

Na história, um casal de irmãos, Barbara (Patricia Tallman, de “Comando Assassino”, 88) e Johnnie (Bill Mosley), está viajando de carro com destino para um cemitério onde está enterrada a mãe deles. Lá chegando, eles são surpreendidos pelo ataque de um homem com aparência grotesca. Barbara consegue fugir e vai pedir ajuda numa casa de campo, localizada numa fazenda próxima. Porém, enfrenta mais um ataque violento de um outro homem deformado, o obeso Tio Rege (Pat Logan), o dono da casa.
Paralelamente, chega também à propriedade rural um homem negro, Ben (Tony Todd, de “Candyman”, 92), guiando em alta velocidade uma camionete com pouca gasolina. Ele se encontra com Barbara e juntos tentam se defender dos mortos vivos, descobrindo que no porão ainda estão outras cinco pessoas refugiadas, o intransigente Harry Cooper (Tom Towles), sua esposa Helen (McKee Anderson), a filha ferida com uma mordida no braço, Sarah (Heather Mazur), e um casal de jovens, Tom Bitner (William Butler), sobrinho do Tio Rege, e sua esposa Judy Rose Larsen (Katie Finneran).
O grupo passa a enfrentar os perigos mortais de uma invasão de mortos vivos sedentos por seu sangue e famintos por sua carne, isolados no meio do nada e encurralados numa casa onde são vítimas de um perturbador sentimento de claustrofobia e incapacidade de fuga, além também de terem que administrar os impertinentes problemas de relacionamento (principalmente entre Ben e Harry, que estão constantemente em atrito), algo típico na raça humana e um fator negativo capaz de levá-los ao extermínio.

“Eles são nós. Nós somos eles, e eles são nós.”
Barbara, comentando decepcionada que não há diferença entre a selvageria dos mortos e a dos vivos

Essa refilmagem de 1990 é honrada e digna do original, principalmente porque os envolvidos no projeto são as mesmas pessoas, de George Romero, passando por John Russo, a Russ Streiner, e com a direção nas mãos do famoso maquiador Tom Savini, um profissional especialista no gênero Horror, e que na vida real foi fotógrafo na sangrenta Guerra do Vietnã, onde testemunhou mortes violentas e corpos destroçados de soldados nos campos de batalha.
Na nova versão de “A Noite dos Mortos Vivos” não faltam as cenas carregadas de sangue e mutilações e a tradicional legião de mortos vivos deformados e pútridos, ingrediente indispensável na temática do filme. Mas, com a diferença do visual em cores e as maquiagens mais bem produzidas.
Eu particularmente ainda prefiro o original de uma forma geral, principalmente pela ousadia de George Romero e equipe em se fazer um filme extremamente perturbador com violência explícita e poucos recursos no final dos anos 60, há quase meio século atrás, num trabalho precursor tanto no cinema de horror mais violento, quanto no subgênero de mortos vivos devoradores de carne humana. Mas a refilmagem de 90 também é um ótimo filme, procurando respeitar a história original em seu argumento básico, apesar da inevitável liberdade de criação artística que alterou o final, sendo que o filme de 68 apresentou um desfecho bem mais interessante e surpreendente.
Uma das coisas que mais fascina na história é justamente a ideia de um caos instaurado repentinamente no mundo graças ao domínio dos mortos que são reativados misteriosamente e buscam se alimentar dos vivos. Os personagens inicialmente não sabem as origens desse fenômeno e ficam especulando sobre as causas dos cadáveres se levantarem de seus túmulos, atribuindo a onda de violência para uma suposta fuga de prisioneiros ou uma contaminação química, descobrindo-se apenas mais tarde que poderia talvez se tratar de uma infecção trazida do espaço. Imaginem o choque que qualquer ser humano teria se de repente estivesse no meio de uma horda de zumbis querendo devorá-lo impiedosamente, e que toda a civilização estaria fatalmente afetada por uma histeria crescente que colocaria em risco a vida humana no planeta, pois além dos cadáveres voltarem a andar e terem como principal cardápio a carne humana dos vivos, as criaturas ainda tem o poder de transformar pessoas sadias em outros mortos vivos, através de um vírus contagiante.

“Não tente encontrar os amigos ou a família. Não tente ir às estações de resgate já identificadas, pois podem estar fora de operação. Estamos repetindo o aviso do órgão de prevenção de emergências das 23:00 horas do dia 23 de Agosto de 1989. Foi confirmado que os corpos dos mortos estão sendo reativados por forças desconhecidas. Estes corpos são fracos e sem coordenação, mas capazes de causar danos às pessoas e às propriedades. São considerados perigosos, especialmente quando em grupos. Podem ser inutilizados somente de uma maneira: pelo cérebro. Estes corpos reativados atacam animais de sangue quente de todas as espécies, incluindo seres humanos, sem nenhuma provocação, devorando a carne. Foram confirmados homicídios e canibalismos durante o dia de 23 de Agosto de 1989, atribuído, pelo menos em parte, a esses corpos reativados...” Mensagem de alerta das autoridades, transmitida pelo rádio

“A Noite dos Mortos Vivos” foi lançado em DVD no mercado brasileiro pela “Columbia Tristar Home Entertainment”, num disco de duas faces, sendo o lado “A” com as imagens em “widescreen”, e o lado “B” em tela cheia. Entre os materiais extras temos o comentário em áudio do diretor Tom Savini, um documentário de 25 minutos de duração chamado “The Dead Walk – Remaking a Classic”, escrito, produzido e dirigido por Jeffrey Schwartz, com depoimentos de Tom Savini, George Romero, Russ Streiner, John Russo, Tony Todd e Patricia Tallman, entre outros, além de trailers de um minuto com “A Noite dos Mortos Vivos” (90) e de dois minutos e meio com “Força Diabólica” (The Tingler, 59), produção em preto e branco de William Castle e com Vincent Price, e notas sobre a equipe de produção e os principais atores, destacando Tom Savini, George Romero, Tony Todd e Patricia Tallman. O fato negativo de todo esse interessante material extra é que tudo está disponível apenas na versão original em inglês, sem a opção de legendas em português.
Entre as curiosidades podemos citar que o produtor Russ Streiner (tanto do original quanto da refilmagem), que participou do filme de 1968 na seqüência de abertura no cemitério, como Johnny, o irmão gozador de Barbara, também apareceu rapidamente no filme de 90, próximo ao final, como um homem sendo entrevistado para a televisão, falando das façanhas ao exterminar os zumbis, sendo de forma não creditada em ambos os casos. E o ator Bill “Chilly Billy” Cardille apareceu também como um repórter em ambas as versões, tanto de 68 como a de 90.
A cena próxima do final, onde vários zumbis estão pendurados numa árvore e servindo de alvo para tiroteios dos sádicos caçadores de mortos vivos, estava prevista para aparecer no filme original, mas teve que ser cortada por causa das tensões raciais que agitavam os Estados Unidos na época, e a inclusão dessa cena na refilmagem foi uma homenagem.  
No documentário “The Dead Walk”, Tom Savini revelou que várias cenas violentas onde os mortos vivos eram alvejados na cabeça, evidenciando o sangue em profusão, foram censuradas e tiveram que ser substituídas na edição final por outras menos chocantes, além também de outras cenas fortes que foram cortadas, com os momentos mais perturbadores de horror gráfico aparecendo apenas “off screen”.

“Isto é alguma coisa que ninguém jamais ouviu falar a respeito, e ninguém jamais viu antes. Isto é Inferno na Terra” – Ben, definindo o caos instaurado pela invasão dos mortos

A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, Estados Unidos, 1990). Columbia Pictures. Duração: 86 minutos. Direção de Tom Savini. Roteiro de George A. Romero, baseado no roteiro original do filme homônimo de 1968, escrito por John A. Russo e George A. Romero. Produção de John A. Russo e Russ Streiner. Produção Executiva de Menahem Golan e George A. Romero. Música de Paul McCollough. Fotografia de Frank Prinzi. Edição de Tom Dubensky. Desenho de Produção de Cletus Anderson. Direção de Arte de James C. Feng. Efeitos Especiais de Everett Burrell e John Vulich. Elenco: Tony Todd (Ben), Patricia Tallman (Barbara), Tom Towles (Harry Cooper), McKee Anderson (Helen Cooper), William Butler (Tom Bitner), Katie Finneran (Judy Rose Larsen), Bill Mosley (Johnnie), Heather Mazur (Sarah Cooper), Pat Logan (Tio Rege), David Butler, Zachary Mott, Pat Reese, William Cameron, Berle Ellis, Bill “Chilly Billy” Cardille.   

(Juvenatrix - 13/11/2005)

quinta-feira, 29 de março de 2018

A Criatura do Cemitério (Graveyard Shift, EUA / Japão, 1990)


O escritor Stephen King é recordista em histórias adaptadas para o cinema, num trabalho difícil de catalogação pela grande e variada quantidade. Infelizmente, muitas delas tiveram resultados ruins, mas por outro lado, também tivemos filmes bem divertidos como é o caso de “A Criatura do Cemitério” (Graveyard Shift, 1990), baseado em conto que foi publicado na antologia “Sombras da Noite”.
Com direção de Ralph S. Singleton (em seu único trabalho no cinema, sendo mais conhecido como produtor), a história se passa numa pequena cidade americana que tem uma importante atividade comercial com a produção de tecidos num moinho, supervisionada pelo arrogante Sr. Warwick (Stephen Macht), que contrata o recém-chegado John Hall (David Andrews), um pacato viúvo à procura de trabalho.
O que ele não sabe é que o moinho é uma fábrica velha infestada de ratos, vizinha de um cemitério macabro, e que esconde um porão cheio de ambientes abandonados. E as coisas se complicam quando ele e outros funcionários como seu par romântico, a mocinha Jane Wisconsky (Kelly Wolf), e os colegas Danson (Andrew Divoff), Brogan (Vic Polizos), Carmichael (Jimmy Woodard) e Ippeston (Robert Alan Beuth), são convidados para fazer um trabalho especial de limpeza no porão para ativar uma nova produção, e precisam enfrentar além dos ratos famintos, uma imensa criatura assassina que quer provar o sabor de suas carnes e sangue.
“A Criatura do Cemitério” é o exemplo típico de um filme bagaceiro divertido, com produção de baixo orçamento, e com um monstro mutante gosmento concebido pelos antigos efeitos especiais dos anos 80- 90 do século passado, sem a artificialidade da moderna computação gráfica. Em seu roteiro temos as esperadas mortes sangrentas, perseguições, claustrofobia, situações de tensão e confrontos, aliados com uma infestação de ratos, esqueletos e cadáveres de um cemitério. E, de brinde, a sua história básica é inspirada num conto do mestre Stephen King.
O cultuado ator Brad Dourif, conhecido pela voz do boneco assassino Chucky, além de diversos outros filmes de horror, faz o papel de Cleveland, um insano exterminador de ratos, obcecado com sua tarefa de eliminar os roedores. Sua atuação é ótima, sendo um dos destaques do elenco, juntamente com Stephen Macht, que faz o chefe Warwick, um sujeito desonesto e carrasco com os funcionários.
Os cenários são ótimos, mostrando de forma convincente uma fábrica têxtil suja, cheia de bagunça, equipamentos velhos e com dezenas de ratos se movimentando livremente pelos corredores, tubulações e orifícios, além de um porão úmido, depressivo, evidenciando abandono e sujeira, escondendo passagens ocultas para outros ambientes ainda mais obscuros.
Não faltam mortes violentas, brutais, dolorosas, com sangue, mutilações e vísceras espalhadas, em ataques ferozes de uma “criatura do cemitério” ávida em experimentar a carne humana dos invasores de seu território. Recomendado como um filme de horror simples e de diversão garantida.
(Juvenatrix – 28/03/18)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Alienator - A Exterminadora Indestrutível (Alienator, EUA, 1990)


“Em um canto longínquo da galáxia, um batalhão rebelde bem armado monta uma emboscada para os exércitos do Grande Tirano, Baal. Um massacre se segue. Milhares de inocentes morrem, e o líder da revolução Kol é capturado e sentenciado à morte. Hoje num escuro planeta prisão de onde ninguém jamais escapou, o Comandante Executor se prepara para mandar seu prisioneiro direto para o inferno.” – Introdução.

Com um título nacional sonoro e sensacionalista (e talvez até com um “spoiler” na palavra “indestrutível”), “Alienator – A Exterminadora Indestrutível” (1990) é outro exemplo do cinema fantástico bagaceiro do diretor veterano Fred Olen Ray, o mesmo responsável por diversas tranqueiras, citando apenas algumas dos anos 80 do século passado como “Vale da Morte” (1985), “Confusão nas Estrelas” (1986), “A Maldição da Tumba” (1986), “Cyclone – A Máquina Fantástica” (1987), “Hollywood Chainsaw Hookers” (1988), “Alien – O Terror do Espaço” (1988), “Guardiões do Futuro” (1988) e “A Maldição dos Espíritos” (1990).
Kol (Ross Hagen), o líder dos rebeldes conforme descrito na introdução, encontra-se preso e no corredor da morte. A penitenciária é controlada com rigor pelo Comandante Executor (Jan-Michael Vincent), que tem seus momentos galanteadores com a secretária Tara (P. J. Soles). Depois que a prisão recebe uma visita de inspeção do General Delegado Lund (Robert Clarke), que tem ideias pacifistas, Kol aproveita uma oportunidade e consegue escapar numa pequena nave, indo em direção à Terra.
Lá, numa estrada no meio da floresta de uma cidadezinha do interior americano, ele encontra um grupo de adolescentes acéfalos formado por dois casais de namorados, Rick (Richard Wiley) e Caroline (Dawn Wildsmith), e Benny (Jesse Dabson) e Orrie (Dyana Ortelli). Os jovens pedem ajuda para um policial florestal, Ward Armstrong (John Phillip Law), e todos juntos precisam enfrentar o ataque de uma androide alienígena exterminadora “indestrutível” conhecida como “Alienator” (interpretada por Teagan Clive), que foi enviada para eliminar o prisioneiro fugitivo Kol. Para auxiliá-los no confronto com a máquina de guerra de outro mundo, eles se unem ao veterano Coronel Coburn (Leo Gordon), um ex-militar com experiência em batalhas e que vive numa cabana na floresta.

“Aqui é a privada do sistema penal interplanetário e nosso trabalho é dar a descarga.” – Comandante Executor

O filme é uma bagaceira proposital, com diálogos e situações hilárias, cujo roteiro simples é um imenso clichê, mostrando a manjada história de uma criatura cibernética exterminadora vinda do espaço para rastrear um prisioneiro que se escondia em nosso planeta. A sala de comando da prisão espacial está repleta de painéis imensos, com botões e interruptores, e os demais ambientes simulam celas com corredores e salas típicas de uma fábrica com escadas, válvulas e tubulações externas para todos os lados. A nave espacial é uma maquete tosca e a exterminadora do título tem uma aparência exagerada, com pouca roupa, sangue amarelo, portando armas futuristas de raio laser e evidenciando o corpo musculoso de Teagan Clive, que também é fisiculturista. Aliás, ela só aparece em cena após quase quarenta minutos de filme, então é fácil deduzir que o diretor Fred Olen Ray procurou enrolar bastante a história com futilidades.  
Curiosamente, temos no elenco a presença de vários veteranos cujos rostos são reconhecidos, como Leo Gordon (1992 / 2000), Robert Clarke (1920 / 2005) e Robert Quarry (1925 / 2009).
Leo Gordon esteve em dezenas de filmes de western e “O Castelo Assombrado” (1963). Robert Clarke esteve em “O Homem do Planeta X” (1951) e “The Astounding She-Monster” (1957), filme que inspirou a história de “Alienator”, além de “The Incredible Petrified World” (1959) e “Além da Barreira do Tempo” (1960). Já Robert Quarry foi um vampiro em “Conde Yorga, Vampiro” (1970) e a continuação “A Volta do Conde Yorga” (1971), e esteve em outras pérolas como “A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes” (1972), “A Vingança dos Mortos” (1974) e “A Casa do Terror” (1974). Em “Alienator”, ele fez o papel de um médico alcoólatra, Dr. Burnside, numa participação rápida.
Vale também citar a presença da bela atriz alemã P. J. Soles, que esteve em “Carrie: A Estranha” (1976) e no clássico de John Carpenter, “Halloween: A Noite do Terror” (1978), o primeiro filme do psicopata mascarado Michael Myers.
Após o término do filme tem uma citação dedicatória para o ator Fox Harris (1936 / 1988), que fez o atrapalhado caçador Burt e que faleceu logo após as filmagens.
(Juvenatrix – 06/02/18)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A Morte Veste Vermelho (I´m Dangerous Tonight, EUA, 1990)


A Morte Veste Vermelho” é um filme que tem direção de Tobe Hooper, um cineasta com nome reconhecido no gênero principalmente pelo eterno clássico “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). O elenco é formado, entre outros, por Anthony Perkins, o psicopata Norman Bates de “Psicose”, e Dee Wallace-Stone, atriz veterana e um rosto conhecido por preciosidades dos anos 80 como “Grito de Horror”, “E.T. – O Extraterrestre”, “Cujo” e “Criaturas”. Lançado em nosso mercado de vídeo VHS pela “CIC”, o filme realmente desperta a atenção por essas credenciais e só por esses nomes no projeto já valeria uma conferida. Mas, fora isso, não deixa de ser apenas mais um filme mediano de horror, produzido diretamente para a televisão, que diverte ligeiramente sem muita exigência.
Um caixão misterioso que era utilizado em rituais de sacrifícios humanos pelos antigos astecas é comprado ilegalmente por um museu. Em seu interior repousa a múmia de um sacerdote maligno, vestindo um manto cerimonial vermelho com poderes sobrenaturais. Após um incidente com morte, o manto vermelho vai parar dentro de um baú que foi comprado numa venda de garagem pela bela estudante Amy O´Neill (Madchen Amick), namorada do colega de escola Eddie (Corey Parker). Depois de transformado num belo vestido, aos poucos a jovem vai descobrindo que o estranho tecido vermelho exerce forte influência na personalidade das pessoas que o vestem, despertando agressividade e tendências assassinas em seus usuários.
Entre as vítimas gananciosas do manto estão Gloria (Daisy Hall), prima de Amy, e Wanda Thatcher (Dee Wallace-Stone), uma mulher envolvida com bebidas, drogas e prostituição e que se aproveita do vestido sobrenatural para se afundar ainda mais na criminalidade. Os assassinatos misteriosos despertam a atenção da polícia, sob a investigação do Capitão Ackman (R. Lee Ermey), que sempre está fumando, e também a curiosidade do sinistro Prof. Gordon Buchanan (Anthony Perkins), que está interessado no “Animismo” (a crença que objetos inanimados possuem uma essência espiritual), e consequentemente nos eventuais poderes do misterioso manto vermelho, com sua história sobre violência e mortes sangrentas.
Quem combate monstros deve se cuidar para não virar monstro. Quando você olha um abismo, o abismo também olha para você.” – Friedrich Nietzsche (1844 / 1900)
Dessa vez parece que o título nacional escolhido é até melhor que o original. “A Morte Veste Vermelho” soa bem e tem relações coerentes com a história, funcionando bem melhor que “I´m Dangerous Tonight”, que numa tradução literal seria “Eu Estou Perigoso(a) Esta Noite”, um título mais comum e sem impacto. O filme tem o diferencial pela direção de Tobe Hooper e elenco com Dee Wallace-Stone e Anthony Perkins, mas isso não é suficiente para torná-lo especial. A história, baseada num conto de Cornell Woolrich, até tem seus interesses, mas o resultado final é mediano, principalmente pelas doses discretas de violência. O desfecho apresenta um gancho que até poderia ser explorado para uma sequência, mas a ideia foi descartada.
(Juvenatrix –12/04/17)

terça-feira, 4 de abril de 2017

A Marca do Vampiro (Pale Blood, EUA / Hong Kong, 1990)


Lançado em VHS no Brasil pela “Sato Comunicações”, “A Marca do Vampiro” (Pale Blood, 1990) é um obscuro filme de vampirismo totalmente datado, nos remetendo ao período de transição entre as décadas de 80 e 90 do século passado, uma época sem as facilidades do celular, da internet e dos efeitos artificiais de computação gráfica. Tudo é datado, desde a atmosfera, figurinos e trilha sonora, com várias músicas da banda americana de punk rock “Agent Orange”.
Numa co-produção entre EUA e Hong Kong e com direção de V. V. Dachin Hsu e Michael W. Leighton, a história é sobre a chegada aos Estados Unidos de um misterioso homem vindo da Europa, Michael Fury (George Chakiris), atraído pela ocorrência de estranhos assassinatos em série de mulheres, que apresentavam sinais de mordidas no corpo e com o sangue drenado, como se fossem atacadas por um vampiro. Ele solicita ajuda para investigar os casos, contratando uma bela jovem, Lory (Pamela Ludwig), representando uma agência de detetives. Ela é aficionada pelo tema do vampirismo, consumindo filmes e livros sobre o assunto. Em paralelo, um videomaker esquisito, Van Vandameer (Wings Hauser), contrata duas dançarinas de boate, Jenny (Diana Frank) e Cherry (Darcy DeMoss) para participarem de um filme erótico, e misteriosamente ele sempre aparecia nas cenas dos crimes para captar imagens. Com os principais personagens apresentados, a ideia é descobrir a autoria das mortes sangrentas e a possível relação com as ações de um vampiro.
Primeiramente, vale registrar uma crítica na escolha do nome nacional, que poderia ser uma tradução literal do original, algo como “Sangue Pálido”, uma vez que já existia um filme chamado “A Marca do Vampiro” (Mark of the Vampire), de 1935 e com o ícone Bela Lugosi, confundindo os colecionadores e apreciadores do cinema fantástico, e dificultando ainda mais um trabalho de catalogação.
Esse “A Marca do Vampiro” de 1990 não apresenta nada que já não tenha sido visto à exaustão em filmes de vampirismo, e sua existência praticamente significa apenas mais um produto dentro do tema e que foi criado para permanecer no limbo do esquecimento. A presença do ator canastrão Wings Hauser, um rosto conhecido em uma infinidade de produções bagaceiras, pode até ser um convite para conhecer o filme, mas a narrativa arrastada e os clichês por outro lado tendem a afastar o espectador.
Curiosamente, no quarto da jovem investigadora Lori, consumidora de produtos relacionados ao vampirismo, podemos notar a exibição do clássico “Nosferatu” (1922) na televisão, além de posters de cinema nas paredes, com destaque para uma foto do ator Bela Lugosi caracterizado como “Drácula” e o cartaz francês do filme “O Beijo do Vampiro” (Kiss of the Vampire, 1963) da lendária produtora inglesa “Hammer”.
(Juvenatrix –03/04/17)

sexta-feira, 31 de março de 2017

A Maldição dos Espíritos (Spirits, EUA, 1990)


A frase acima é uma junção de duas taglines originais promocionais do filme “A Maldição dos Espíritos” (Spirits, 1990), lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Carat Home Video”. A direção é do veterano Fred Olen Ray, dono de um currículo imenso repleto de bagaceiras, e o elenco é liderado por Erik Estrada, da cultuada série de TV “CHiPs” (1977 / 1983), e por Robert Quarry, conhecido por vários filmes preciosos de horror como “Conde Yorga, Vampiro” (1970), “A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes” (1972) e “A Casa do Terror” (1974).   
A história é manjada e já vista várias vezes em outros filmes. Um grupo de estudiosos de fenômenos paranormais vai investigar uma casa assombrada que tem um passado sinistro de mortes violentas. A equipe de investigação é formada pelo cientista Dr. Richard Wicks (Robert Quarry), a psicóloga descrente Beth Armstead (Kathrin Middleton), a médium sensitiva Amy Goldwin (Brinke Stevens, veterana atriz com carreira de mais de 150 créditos de tranqueiras diversas), e pelo membro da “Sociedade de Preservação Histórica” Harry Matthias (Oliver Darrow). O objetivo do grupo é obter provas da existência de espíritos (daí o título original), de vida após a morte, baseando-se em relatos sobre atividades psíquicas misteriosas no local e que resultaram em assassinatos.
A casa existe desde 1901 e seu morador original foi um expatriado francês místico e ocultista, que realizava rituais satânicos com sacrifícios de jovens virgens. Enquanto eles enfrentam a ira dos espíritos malignos que assombram a casa, um padre católico, Anthony Vicci (Erik Estrada), está atormentado pela perda da fé e por ter cometido pecados com uma bela mulher que viveu na casa maldita, sendo constantemente perturbado com visitas de demônios femininos, obrigando-o a se juntar ao grupo de investigadores para tentar combater o mal que habita a casa.
Primeiramente, não dá para deixar de citar a escolha do nome nacional do filme, apelando para o manjado “Maldição” no título, somando-se às dezenas de outros filmes que também tem essa palavra clichê em seus nomes, numa falta de criatividade imensa dos responsáveis por essa tarefa, os preguiçosos distribuidores dos filmes de horror que chegam ao Brasil.
“A Maldição dos Espíritos” é certamente um filme datado, nos remetendo imediatamente para os anos 80 e início de 90. Uma época sem a artificialidade da moderna computação gráfica, tanto que os efeitos das pessoas possuídas pelos espíritos malignos e demônios são tão toscos que divertem pela precariedade, com os atores maquiados e transformados em monstros. O filme tem um diretor de cinema bagaceiro, um nome associado ao gênero, e tem um elenco de atores cultuados pelos apreciadores de filmes de orçamentos menores. Apesar de que parece bem apelativa a exploração do nome de Erik Estrada, inclusive com um dos cartazes do filme estampando seu rosto, sendo que na verdade ele nem aparece tanto em cena, com o foco de boa parte das atenções para o grupo de estudiosos da casa assombrada.
O roteiro é um grande clichê, já explorado à exaustão pelo cinema de horror, onde podemos citar apenas por curiosidade os clássicos “Desafio ao Além” (The Haunting, 1963) e “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of Hell House, 1973), com histórias muito similares, também apresentando um grupo de pesquisadores que investiga as atividades sobrenaturais de uma casa com fama de maligna.
Depois dessa breve análise, o que podemos dizer é que o filme é indicado para quem aprecia bagaceiras oitentistas e se diverte com efeitos toscos, histórias rasas, clichês comuns e atores com imagens associadas às produções de orçamentos reduzidos.
(Juvenatrix –26/03/17)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Espíritos do Demônio (Evil Spirits, EUA, 1990)


Lançado no Brasil em VHS pela “NCA”, “Espíritos do Demônio” (Evil Spirits, 1990) é um típico filme do saudoso período entre as décadas de 80 e 90 do século passado, uma época infestada de produções situadas no sub-gênero “slasher”, com mortes violentas creditadas às ações de um assassino misterioso.
Com direção de Gary Graver, é apenas mais um filme mediano perdido numa imensidão de similares e esquecido no limbo, mas que tem uma vantagem significativa através de uma homenagem ao gênero na escolha de um elenco repleto de nomes nostálgicos como Karen Black, Michael Berryman, Virginia Mayo, Martine Beswick, Robert Quarry e Yvette Vickers, entre outros, que foram rostos conhecidos em diversas pérolas do cinema fantástico bagaceiro.
A misteriosa Sra. Ella Purdy (Karen Black, de “A Mansão Macabra”, 1976), é proprietária de uma pensão onde vivem beneficiários da Previdência Social, cujos cheques pagos pelo governo americano são depositados mensalmente em sua conta bancária. Entre os pensionistas estranhos, temos o escritor Sr. Balzac (Michael Berryman, de “Quadrilha de Sádicos”, 1977), um homem bizarro que gosta de observar os quartos vizinhos por orifícios secretos nas paredes; a sensitiva Vanya (Martine Beswick, de “Mulheres Pré-Históricas”, 1967), que gosta de realizar sessões espíritas; e o bêbado inveterado Willie (Mikel Angel, que também é o roteirista do filme), que é o responsável por algumas situações cômicas por causa do excesso de consumo de álcool. Temos ainda a bela jovem Tina (Debra Lamb), que é muda e fica dançando o tempo todo mostrando seu corpo escultural, e o casal de idosos recém chegados, John e Janet Wilson (Bert Remsen e Virginia Mayo, respectivamente), que logo se sentem desconfortáveis na nova moradia.
Os problemas se iniciam na ocorrência de assassinatos sangrentos na pensão, com os cadáveres sendo enterrados no quintal, exalando um odor pútrido que desperta a atenção de uma vizinha interpretada pela veterana Yvette Vickers (de bagaceiras divertidas dos anos 50 como “A Mulher de 15 Metros” e “O Ataque das Sanguessugas Gigantes”). O desaparecimento dos pensionistas também intriga o fiscal da previdência social Lester Potts (Arte Johnson), que decide fazer uma investigação particular.
“Espíritos do Demônio” é somente outro filme comum com mortes misteriosas e razoáveis doses de sangue com olhos perfurados, gargantas dilaceradas e golpes de machado na cabeça. A história não tem novidades e pelo contrário, está repleta de clichês e previsibilidade, características que inevitavelmente condenam o filme ao esquecimento. Porém, existe um diferencial que é o elenco de veteranos, pois além dos já citados na sinopse, ainda conta com nomes como Robert Quarry, que esteve em vários filmes preciosos como “Conde Yorga, Vampiro” (1970), “A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes” (1972) e “A Casa do Terror” (1974). E Anthony Eisley, que fez apenas uma ponta como um detetive da polícia, e esteve nas divertidas tranqueiras “A Mulher Vespa” (1959), “Os Monstros da Noite” (1966), “Jornada ao Centro do Tempo” (1967) e “Dracula vs. Frankenstein” (1971).
(Juvenatrix – 18/02/17)