No dia 4 de novembro de 2016, aos 48 anos, perdemos o escritor e roteirista brasileiro Max Mallmann Souto-Pereira, uma das gratas revelações do final da Segunda Onda da ficção científica brasileira.
Mallmann era gaúcho de Porto Alegre e estreou em 1989 com o livro de realismo fantástico Confissão do minotauro, publicado pelo Instituto Estadual do Livro. Seu segundo romance foi o vencedor do Prêmio Açorianos Mundo bizarro (1996, editora Mercado Aberto), também na linha do realismo fantástico e com o qual ele foi definitivamente integrado ao fandom nacional da literatura de gênero.
No final dos anos 1990, Mallman iniciou seu trabalho como roteirista na TV Globo, onde atuou em importantes seriados e novelas, tais como Malhação, A grande família e Carga pesada, mas não abandonou o ofício de escritor. Em 2000 publicou pela editora Rocco a novela Síndrome de quimera, finalista do Prêmio Jabuti e ganhadora do Prêmio Argos. Seus livros seguintes, também pela Rocco, foram Zigurate: Uma fábula babélica (2003) e a ficção histórica O centésimo de Roma (2010), e sua sequência, As mil mortes de César (2014). Seu último trabalho publicado foi Tomai e bebei, uma pequena novela sobre vampiros lançada em 2015 pela editora Aquario.
Dono de uma prosa agradável e divertida, Mallmann não abria mão do humor e da ironia em doses generosas, que eram também características de seu comportamento social, sendo assim um autor querido por seus colegas e leitores.
Sua morte foi decorrência do agravamento de um câncer de pulmão com o qual lutava desde 2015. O corpo foi cremado no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, e as cinzas levadas para sua cidade natal.
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
sábado, 23 de setembro de 2017
Narco Satanico (México, 1968)
“Sonhar com uma mulher
vestida de noiva significa morte, mas se o noivo é Satã, a morte é provocada
por forças do além.”
“Narco Satanico” é uma
produção obscura mexicana de 1968 dirigida por Rafael Portillo, que traz uma
história que mistura elementos de magia negra e satanismo com crimes passionais
e zumbis vingativos.
Vicki (Ana Luisa Peluffo) é
uma dançarina apaixonada pelo arquiteto Ricardo Santamaria (Gonzalo Aiza,
creditado como Carluis Saval), um homem rico e bem sucedido que é casado com
Barbara (Barbara Wells). Para conseguir a atenção dele, a inescrupulosa Vicki
apela para os serviços de magia negra de uma bruxa (Norma Somarriba) e num
ritual de satanismo ela faz um pacto com o demônio, oferecendo seu corpo e alma
em troca de juventude, beleza e poder sobre os homens.
Ela consegue seus objetivos
usando forças sobrenaturais para prejudicar Barbara e seus familiares. Porém,
depois que Vicki mata violentamente seu amante Ricardo depois de receber uma
orientação em sua mente do próprio diabo, ela passa a sentir na pele a fúria
vingativa do morto, cujo espírito se apossa do corpo de seu irmão Carlos
(também interpretado pelo mesmo ator).
O filme é uma tranqueira
extremamente ruim que somente diverte um pouco os fãs de cinema bagaceiro de
horror por causa das várias cenas de pesadelos de Carlos sendo atormentado num
cemitério tosco, entre túmulos sinistros e criaturas bizarras. Os efeitos de maquiagem
são tão precários que passam a ser inevitavelmente risíveis. Além da utilização
artificial e forçada de gargalhadas tétricas e uivos de lobo retirados de algum
efeito sonoro padrão. Tem também o zumbi Ricardo saindo apodrecido de sua cova e
retornando para o mundo dos vivos, arrancando literalmente as tripas de quem
cruzasse seu caminho, à procura de vingança e para cumprir uma promessa macabra
que fez para sua esposa.
A história é uma salada
indigesta com tantos elementos de horror misturados que o resultado final virou
uma bagunça com a tendência de desviar a atenção do espectador. Os vários cortes
bruscos de edição e uma parte irritante da trilha sonora contribuem ainda mais
para afastar o interesse, exceto apenas pelas mortes sangrentas e a atmosfera fantasmagórica
dos devaneios e cenas oníricas.
(Juvenatrix – 22/09/17)
Marcadores:
1968,
cinema,
diretor estrangeiro,
horror,
Rafael Portillo,
resenha
O cão de caça e outras histórias, Lovecraft & Gou Tanabe
O cão de caça e outras histórias, (The hound e other stories) H. P. Lovecraft & Gou Tanabe, 176 páginas, Editora JBC, São Paulo, 2015
O escritor americano H. P. Lovecraft (1890-1937) tornou-se, ao longo dos últimos trinta anos, um dos autores literários mais adaptados para os quadrinhos, concorrendo em prestígio com Edgar Allan Poe e Ray Bradbury.
Na coletânea O cão de caça e outras histórias, traduzida em 2015 pela Editora JBC, encontramos ótimas adaptações de três histórias clássicas do mestre do horror, com roteiro e desenhos intensos do mangaka Gou Tanabe.
Em "O templo" ("The temple"), num raro cenário de guerra na obra de Lovecraft, o último sobrevivente a bordo de um submarino alemão naufragado se vê diante dos portões e escadarias de uma cidade perdida nas profundezas do mar. "O cão de caça" ("The hound", também conhecido no Brasil como "O sabujo"), conta a história de dois amigos em busca de emoções bizarras que, ao encontrar um raro artefato numa sepultura, são amaldiçoados para sempre. "A cidade sem nome" ("The nameless city") fecha a edição, com o relato de um explorador que encontra, sob as areias do deserto, a necrópole de uma antiga civilização que ainda mantém segredos terríveis em seu interior.
Tanabe, que tem em seu currículo as séries Kasane, Mr. Nobody e The outsider, é senhor de um traço acadêmico realista que combina perfeitamente com o estilo das histórias tenebrosas de Lovecraft, em nada lembrando as caricaturas dos mangás mais populares.
Por enquanto, só tivemos a felicidade de encontrar esta edição no Brasil, mas há notícias que Tanabe adaptou mais histórias de Lovecraft. Tomara que as editoras nacionais traduzam mais trabalhos dessa série, que é uma das melhores já realizadas a partir da obra do Cavalheiro de Providence.
O escritor americano H. P. Lovecraft (1890-1937) tornou-se, ao longo dos últimos trinta anos, um dos autores literários mais adaptados para os quadrinhos, concorrendo em prestígio com Edgar Allan Poe e Ray Bradbury.
Na coletânea O cão de caça e outras histórias, traduzida em 2015 pela Editora JBC, encontramos ótimas adaptações de três histórias clássicas do mestre do horror, com roteiro e desenhos intensos do mangaka Gou Tanabe.
Em "O templo" ("The temple"), num raro cenário de guerra na obra de Lovecraft, o último sobrevivente a bordo de um submarino alemão naufragado se vê diante dos portões e escadarias de uma cidade perdida nas profundezas do mar. "O cão de caça" ("The hound", também conhecido no Brasil como "O sabujo"), conta a história de dois amigos em busca de emoções bizarras que, ao encontrar um raro artefato numa sepultura, são amaldiçoados para sempre. "A cidade sem nome" ("The nameless city") fecha a edição, com o relato de um explorador que encontra, sob as areias do deserto, a necrópole de uma antiga civilização que ainda mantém segredos terríveis em seu interior.
Tanabe, que tem em seu currículo as séries Kasane, Mr. Nobody e The outsider, é senhor de um traço acadêmico realista que combina perfeitamente com o estilo das histórias tenebrosas de Lovecraft, em nada lembrando as caricaturas dos mangás mais populares.
Por enquanto, só tivemos a felicidade de encontrar esta edição no Brasil, mas há notícias que Tanabe adaptou mais histórias de Lovecraft. Tomara que as editoras nacionais traduzam mais trabalhos dessa série, que é uma das melhores já realizadas a partir da obra do Cavalheiro de Providence.
— Cesar Silva
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
Superman and the Mole-Men (EUA, 1951)
“Há muitos anos atrás,
quando o planeta Krypton, lar de uma raça de super homens, explodiu no espaço,
o único sobrevivente foi um menino que veio para a Terra, com poderes e
habilidades muito superiores a dos homens mortais. Hoje o menino é um adulto
conhecido como Super Homem. Para ajuda-lo em sua batalha sem fim contra as
forças do mal, ele se disfarça de Clark Kent, um discreto repórter de um grande
jornal de Metrópolis. Ninguém sabe que Kent é o Super Homem, corajoso defensor
da verdade, da justiça e da América.”
Com essa introdução narrada
inicia-se o filme de aventura com elementos de fantasia e ficção científica
“Superman and the Mole-Men”, produção em preto e branco de 1951 que numa
tradução literal seria “Super Homem e os Homens-Toupeira”. Curto, com apenas 58
minutos de duração, o filme é bem ruim, principalmente pela história ingênua e
previsível demais, cheia de clichês óbvios e cansativos (mesmo para aquela
distante época), e pelos efeitos hilários de tão bagaceiros.
Com direção de Lee Sholem, a
história mostra a pequena cidade de Silsby, que é conhecida pelo poço de
petróleo mais profundo do mundo. Os repórteres do jornal “Planeta Diário”, Lois
Lane (Phyllis Coates) e Clark Kent (George Reeves, que morreu com apenas 45
anos), foram escalados para viajar até a cidade e fazer uma matéria sobre o
assunto. Porém, eles são mal recebidos pelo supervisor do campo de petróleo,
Bill Corrigan (Walter Reed), que informa que o poço está fechado, contrariando
até o responsável pelas relações públicas da empresa, John Craig (Ray Walker),
que não sabia desse fato e acompanhava os jornalistas na visita monitorada.
Entretanto, os repórteres
ainda ganhariam um assunto interessante e no mínimo incomum para sua matéria,
depois que dois pequenos seres estranhos parecidos com toupeiras (daí a
motivação para o título original “mole-men”), decidiram sair de suas tocas num
mundo subterrâneo através de uma escotilha no poço de petróleo, e investigar
por curiosidade o mundo dos humanos acima do solo.
As criaturas são mal
recebidas pelos moradores da cidade, e liderados pelo prepotente Luke Benson
(Jeff Corey), começam a caçar mortalmente os invasores com a ajuda de cães
farejadores. Resta ao herói Super Homem a tarefa de impedir a chacina e salvar
os homens toupeira, restabelecendo a ordem e justiça na cidade.
O filme especula que o
centro da Terra é oco e que o profundo poço de petróleo permitiu a entrada de
uma raça de criaturas parecidas com toupeiras radioativas na superfície do
planeta. Elas são inofensivas, mas são confundidas como seres hostis, ameaçadores
e perigosos, validando a ideia extremamente explorada no cinema fantástico
sobre a intolerância da humanidade contra tudo que desconhece, sempre adotando reações
ofensivas antes de avaliar a situação com mais inteligência. As criaturas inevitavelmente
tornaram-se vítimas dos homens da superfície, sendo perseguidas e caçadas
violentamente.
A história é tão ingênua e
recheada de situações óbvias e previsíveis, que fica difícil despertar algum
interesse no espectador. E os efeitos bagaceiros ao extremo, típicos de uma
produção de baixíssimo orçamento e com as dificuldades técnicas da época, apenas
ajudaram a tornar o filme ainda mais ruim. Normalmente, para os apreciadores de
filmes bagaceiros, os efeitos toscos fazem parte da diversão junto com as histórias
exageradas no escapismo e fantasia, mas no caso de “Superman and the Mole-Men”,
o roteiro banal de super herói junto com os efeitos ruins tornaram o resultado
final bem decepcionante.
As criaturas do centro da
Terra são anões fantasiados de forma hilária, usando uma espécie de touca na
cabeça para simular a falta de cabelos na parte central, e com sobrancelhas
grossas e mãos peludas, tentando passar a ideia de seres com corpo de marmota e
rostos humanoides. Entre os “efeitos especiais”, vale destacar uma cena que
provavelmente está entre as mais toscas que já vi no cinema fantástico
bagaceiro, e posso garantir que já vi muita porcaria do gênero: o resgate de um
homem toupeira baleado, caindo do alto de uma barragem e sendo salvo no ar pelo
super homem.
Para completar, ainda temos
um xerife extremamente incompetente, interpretado por Stanley Andrews, que não
tem autoridade na pequena cidade e é facilmente dominado pelos habitantes
revoltosos contra as criaturas do subterrâneo. Aliás, os homenzinhos tentam se
vingar da má receptividade dos humanos utilizando uma enorme arma de raios que
quase não conseguem carregar, que é risível de tão bizarra.
(Juvenatrix – 21/09/17)
Marcadores:
1951,
cinema,
diretor estrangeiro,
fantasia,
ficção científica,
Lee Sholem,
resenha
domingo, 17 de setembro de 2017
Mistério no Bosque / Olhos na Floresta (The Watcher in the Woods, EUA, 1980)
A produtora “Walt Disney”,
conhecida pelas animações e filmes com humor e histórias voltadas para a
família, também tem a sua contribuição para o gênero fantástico, representado
por “Mistério no Bosque” (1980), uma mistura de horror, assombração, suspense, mistério
e até ficção científica. A direção é do inglês John Hough, que tem em seu
currículo “As Filhas de Drácula” (1971), da “Hammer” e com o ícone Peter
Cushing, e o clássico de casa assombrada “A Casa da Noite Eterna” (1973), com
Roddy McDowall.
Uma família se muda para um antigo
casarão no interior da Inglaterra, isolado e cercado por uma floresta. Temos o
pai músico Paul Curtis (o escocês David McCallum, rosto conhecido pela série de
TV dos anos 70 “O Homem Invisível”), a mãe escritora Helen (Carroll Baker) e as
duas filhas, a adolescente Jan (Lynn-Holly Johnson) e a pequena Ellie (Kyle
Richards). A mansão pertence à idosa mal humorada Sra. Aylwood, interpretada
por Bette Davis (1908 / 1989), veterana com vários filmes de horror na carreira
como o clássico “O Que Aconteceu Com Baby Jane?” (1962).
Porém, um mistério ronda a
região, com o desaparecimento 30 anos atrás da adolescente Karen (Katharine
Levy), filha da Sra. Aylwood, em circunstâncias estranhas durante um raro
eclipse solar, e que nunca foram solucionadas. Um segredo obscuro também
envolve outros moradores das redondezas como o sinistro John Keller (Ian
Bannen), o ermitão Tom Colley (Richard Pasco), e Mary Fleming (Frances Cuka),
mãe do adolescente Mike (Benedict Taylor), amigo de Jan, e vizinho que trabalha
com frutas e legumes.
Para complicar ainda mais as
coisas, a família recém chegada precisa lidar com a ocorrência de constantes situações
perturbadoras como ruídos, vozes e visões fantasmagóricas de uma menina com os
olhos vendados, desesperada pedindo ajuda. Além de sensações desconfortáveis como
se os novos moradores estivessem sendo observados à espreita (daí o título
original), tanto no interior da enorme casa quanto principalmente no bosque
sinistro, em relatos das filhas que revelam habilidades sensitivas.
“Mistério no Bosque” é um
filme comum sobre casas e florestas assombradas, com todos os velhos clichês e
elementos do estilo, que ainda assim continuam funcionando sem muita exigência.
Uma diferença notável que lhe confere certo destaque é a sempre bem vinda
presença de Bette Davis no elenco, mesmo numa participação menor, e o fato de
ser uma produção da “Walt Disney”, cujo nome está sempre associado às animações
e filmes infanto-juvenis de aventura, comédia e dramas familiares, sem ligação
com o horror.
Entre as diversas
curiosidades interessantes, vale destacar que o final original do filme lançado
em 1980 foi considerado muito sombrio e não foi bem recebido na época. Então os
realizadores optaram por relançar o filme um ano depois em 1981, com outro
final mais leve e explicativo, que teve a direção não creditada de Vincent
McEveety. Particularmente, o final original e depois censurado é muito melhor e
mais interessante, com ótimos efeitos especiais típicos daquele período e com
uma associação mais efetiva com os elementos de ficção científica da história.
O filme foi baseado no livro
“A Watcher in the Woods” (na tradição literal, “Um Observador na Floresta”,
publicado em 1976 e escrito por Florence Engel Randall. A película recebeu dois
nomes no Brasil, “Mistério no Bosque” na exibição nos cinemas e “Olhos na Floresta”
no lançamento em vídeo VHS. Em 2017, ganhou uma refilmagem dirigida por Melissa
Joan Hart e com Anjelica Houston liderando o elenco.
Boa parte das locações são
as mesmas do clássico “Desafio ao Além” (The Haunting, 1963), de Robert Wise,
um dos principais filmes de casas assombradas da história do cinema de horror.
(Juvenatrix – 17/09/17)
Marcadores:
1980,
cinema,
diretor estrangeiro,
ficção científica,
horror,
John Hough,
resenha
sábado, 9 de setembro de 2017
O Endereço do Medo (The House That Mary Bought, Inglaterra, 1995)
“O Endereço do Medo” (The
House That Mary Bought, 1995) é uma produção inglesa para a televisão que foi
lançada em DVD no Brasil. Trata-se de uma história típica de suspense e
mistério, dirigida por Simon MacCorkindale (1952 / 2010), a partir de um
roteiro dele em parceria com Chris Bryant, baseado numa novela de Tim
Wynne-Jones.
Mary Close (Susan George)
pinta quadros e é casada com Malcolm (Ben Cross), um arquiteto que também gosta
de escrever. Eles vivem num belo casarão à beira mar, afastado da cidade.
Sozinhos depois da morte do filho, o casal conta apenas com a ajuda parcial de
uma empregada doméstica, Odette Callot (Chantal Gresset). Porém, as coisas
começam a se complicar depois que diversos eventos misteriosos e estranhos
passam a acontecer na enorme casa isolada, transformando o local no “endereço
do medo” do título nacional. E a “casa que Mary comprou”, do título original,
torna-se o palco de um mistério que poderia ser associado a assombrações ou
loucura dos moradores.
Os acontecimentos bizarros
geram um clima de tensão constante e crescente envolvendo o casal e também
amigos próximos como Alex Fischer |(Maurice Thorogood), o agente para exposição
dos quadros de Mary, ou a jovem Claire Benoit (Charlotte Valandrey), secretária
de Malcolm. Culminando com as investigações da polícia local, sob o comando do
Inspetor Jarrier (Jean-Paul Muel), que tenta em vão descobrir alguma coisa.
O filme é uma típica
produção para a televisão, sem elementos de violência ou cenas sangrentas, num
trabalho mais voltado para o suspense psicológico sobre o mistério da casa, com
um resultado final mediano, o que não deixa de ser interessante, uma vez que a
grande maioria dos filmes similares é descartável. Apesar de longo, com 104
minutos, sua história desperta uma empatia com o espectador na construção
relativamente bem sucedida de uma atmosfera de mistério que prende a atenção na
tentativa de descoberta da origem e motivação dos acontecimentos estranhos na
casa, com a inevitável influência no relacionamento do casal, progressivamente
mais conturbado.
(Juvenatrix – 08/09/17)
Marcadores:
1995,
cinema,
diretor estrangeiro,
horror,
resenha,
Simon MacCorkindale
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
O Massacre da Serra Elétrica - Arquivos Sangrentos (2003)
“...O Massacre da Serra Elétrica é atemporal,
inigualável, talvez até uma obra de arte; ele criou vida própria além de
qualquer coisa que seus realizadores pudessem ter imaginado...”
A Editora “Dark Side” presenteou os fãs
brasileiros lançando por aqui em 2013 um livro sobre os bastidores de um dos
grandes e indispensáveis filmes de horror de todos os tempos, “O Massacre da
Serra Elétrica” (The Texas Chainsaw Massacre, 1974), dirigido por Tobe Hooper e
que iniciou uma extensa franquia com continuações e refilmagens. A autoria é do
músico e escritor inglês Stefan Jaworzyn, e o livro traz uma imensa quantidade
de fotos, informações gerais e principalmente detalhes e curiosidades de bastidores
da produção não só do primeiro filme, mas de toda a extensa franquia, com
depoimentos de muita gente envolvida no projeto, de atores à equipe técnica. O
livro, na verdade um compêndio, foi lançado pela “Coleção Dissecando – Filmes
Clássicos de Terror” em duas versões, sendo uma delas com capa dura.
“Eggshells”
(1969)
O capítulo inicial falando sobre o
primeiro filme de longa metragem da carreira de Tobe Hooper, “Eggshells”, é bem
arrastado e cansativo, não despertando interesse. O filme é um drama
psicodélico experimental com elementos de fantasia. Porém, logo a seguir, ao
iniciar os depoimentos sobre o clássico “Massacre”, começa a grande quantidade
de curiosidades e informações de bastidores.
“O Massacre
da Serra Elétrica” (1974)
O cineasta Tobe Hooper, que nasceu em 1943
em Austin, Texas, e morreu em 2017, revelou que a ideia básica para a concepção
do filme teve inspiração numa combinação de quatro fatores. A leitura dos
antigos quadrinhos americanos de horror da “E.C. Comics” dos anos 1950, que
foram censuradas e cujas histórias se transformaram em filmes e séries de TV. A
lenda do assassino em série Ed Gein, que vivia em Wisconsin e tinha a particularidade
de guardar os ossos e se alimentava literalmente de suas vítimas. A ressaca de
seu primeiro filme na carreira, o psicodélico “Eggshells” (1969). E as tão
temíveis serras elétricas, as quais foram lembradas quando ele estava na seção
de ferramentas numa grande loja de departamentos infestada de gente na época do
natal, e pensou como elas poderiam ser úteis para ele conseguir sair de lá.
Já a atriz Marilyn Burns (1949 / 2014),
que interpretou a “scream queen” Sally Hardesty, comentou sobre o estranho
roteiro inspirado no assassino Ed Gein, cujas atrocidades também serviram de
referência para outros dois excelentes filmes, “Psicose” (1960) e “O Silêncio
dos Inocentes” (1991), sem contar diversos outros menores. Segundo ela, os três
filmes são diferentes, apesar da mesma fonte de inspiração, e no caso do
“Massacre”, eles apenas juntaram a serra elétrica e a palavra “Texas”.
O ator islandês Gunnar Hansen (1947 /
2015), que interpretou o maníaco “Leatherface”, curiosamente revelou que no
período de contratação do elenco, a equipe de produção gostou do fato dele ser
tão grande que ocupava todo o vão da porta, e isso deve ter ajudado na sua
escolha para o papel do psicopata.
O diretor de arte Robert A. Burns, assim
como outros envolvidos na produção, informou que o roteiro original do filme
tinha muitas páginas sobre jovens dirigindo aleatoriamente pelas estradas, com
muito humor hippie, e que depois foi encurtado e reescrito diariamente durante
as filmagens. Ainda bem que ocorreu essa mudança, pois teria grande chance de
tornar o filme mais comum e menos perturbador. “Leatherface” teria muitas falas
originalmente, mas após uma análise de Tobe Hooper foi decidido que não
funcionariam e foram cortadas, numa decisão acertada. O psicopata com máscara
de pele humana tornou-se uma lenda do cinema de horror, sem voz e rosto. Burns
foi o responsável pelos efeitos especiais em geral e pelos objetos de cena,
como as mobílias de ossos. Ele revelou que coletava ossos de animais mortos em
fazendas e que recebia artefatos similares de seus amigos. Disse também que até
aprendeu taxidermia especialmente para aplicar a técnica num tatu que encontrou
morto atropelado, e que foi utilizado numa cena rápida do filme.
Os atores fizeram questão de enfatizar as imensas
dificuldades de trabalho por causa do baixo orçamento, que ficou em torno de
apenas US$ 125 mil. Eles tinham que filmar entre 12 e 16 horas diárias
enfrentando muito calor, acima de 40 graus. E não havia um trailer para descanso,
pois tudo era muito limitado. A famosa cena do jantar demorou 26 horas para
filmar e com o calor intenso as mobílias de ossos e os restos de vísceras
estavam apodrecendo, deixando o ambiente com um cheiro extremamente
desagradável.
O ator John Dugan, cunhado de Kim Henkel (um
dos roteiristas e produtores), era muito jovem na época, com apenas 20 anos.
Ele interpretou o centenário vovô, tendo que se submeter a um trabalho demorado
de maquiagem para envelhecimento.
Por causa do baixo orçamento e o receio de
estragar a roupa de “Leatherface” com uma lavagem que poderia alterar a cor, o
ator Gunnar Hansen teve que utilizar a mesma roupa sem lavar durante o filme
inteiro, convivendo com um odor que inevitavelmente incomodava todos ao redor.
O filme não tem muito sangue e violência
explícita, mesmo sendo considerado um dos mais perturbadores da história do
cinema de horror. Os realizadores não queriam sangue em profusão, preferindo optar
por um horror mais implícito. Por mais reais que as cenas sangrentas possam
parecer, existe uma distância entre o público e a história, pois os
espectadores sabem que é falso. A cena da garota Pam (Teri McMinn) pendurada
num gancho de açougue é extremamente chocante sem uma única gota de sangue, com
o uso de efeitos especiais convincentes, numa época sem a computação gráfica
que torna tudo muito artificial.
“O Massacre” estreou em 11/10/1974 nos
Estados Unidos, distribuído pela “Bryanston Pictures”, que curiosamente tinha
relações com a máfia e com o lançamento do famoso filme erótico “Garganta Profunda”
(Deep Throat, 1972). Porém, a grande quantidade de dinheiro obtida pelo sucesso
comercial do filme sumiu, não chegando até os realizadores. Depois de vários
problemas e processos na justiça, o filme foi depois relançado pela “New Line”.
Algo similar também aconteceu com a distribuição internacional com a empresa
“Raven”, cujos proprietários desapareceram depois de ganhar muito dinheiro com
o filme.
Todos os membros da equipe técnica e os
atores foram unânimes em afirmar que jamais esperavam o imenso sucesso e
repercussão positiva que o filme conquistou. Eles achavam que seria apenas mais
um filme de horror de baixo orçamento, e que a maior parte do sucesso deve-se
ao fato do público acreditar que a história fosse real, que o filme poderia ser
uma espécie de documentário falando de algo violento que realmente aconteceu.
Porém, a história é totalmente fictícia, e apenas inspirada no assassino Ed
Gein.
Assim como diversos outros filmes
similares de horror, o “Massacre” foi censurado na Inglaterra por muitos anos e
apenas em 1999 foi liberado sem cortes no cinema e em vídeo, ou seja, 25 anos
depois de seu lançamento americano.
Uma das cenas mais perturbadoras e sempre
lembradas e citadas tanto pelos envolvidos no projeto quanto pelos fãs, é a
longa sequência de perseguição entre a garota Sally e o psicopata “Leatherface”,
numa correria desenfreada e interminável pela floresta, com o barulho
ensurdecedor da motosserra muito próxima de destroçar a carne da vítima
indefesa.
No capítulo referente à repercussão do
filme entre os críticos de cinema, vale transcrever o resumo de uma das
críticas:
“Prepare-se
para uma experiência totalmente repugnante e, para muitos, literalmente
nauseante... uma torrente explícita de sangue. Quatro ou cinco (é difícil
determinar a quantia exata somando os pedaços) jovens aventureiros encontram um
diabólico açougueiro de carne humana no interior do Texas. O maníaco corre
enfurecido atrás deles com uma serra elétrica e outros instrumentos de
destruição, incluindo um gancho de açougue. O filme é doentio, como também é o
público que se diverte com ele.”
O diretor Tobe Hooper também ganhou um capítulo
específico sobre sua carreira instável, sempre oscilando em altos e baixos, com
informações curiosas de bastidores sobre vários de seus filmes. De sua
filmografia foram citados, analisados e comentados, entre outros, os filmes
“Eaten Alive” (1976), “Pague Para Entrar, Reze Para Sair” (The Funhouse, 1981),
“Poltergeist, o Fenômeno” (1982), “Força Sinistra” (Lifeforce, 1985),
“Invasores de Marte” (1986), “O Massacre da Serra Elétrica Parte 2” (1986),
“Conspiração Atômica” (Spontaneous Combustion, 1990), “A Morte Veste Vermelho”
(I´m Dangerous Tonight, 1990), “Noites de Terror” (1993), “Mangler – O Grito de
Terror” (1995), “Crocodilo” (2000), etc.
A produtora Cannon, dos israelenses Yoram Globus e
Menahem Golan, fechou um contrato com Hooper para 3 filmes entre 1985 e 1986:
“Força Sinistra”, “Invasores de Marte” e “O Massacre 2”. Porém, a parceria foi
tensa e cheia de conflitos e os dois primeiros filmes tiveram uma receptividade
ruim nas bilheterias. “Força Sinistra”, por exemplo, sofreu um corte imenso dos
produtores e teve seu nome original alterado de “Space Vampires” para
“Lifeforce”, desagradando completamente Hooper. “Space Vampires” (no Brasil,
“Vampiros do Espaço”) é o nome do livro de Colin Wilson, lançado em 1976 e que
inspirou o roteiro do filme.
Curiosamente, a máquina assassina do bizarro “Mangler
– O Grito de Terror”, uma espécie de lavadeira que se alimenta de carne humana,
foi criada pelo filho de Hooper, William Tony Hoopert. O filme foi baseado num
conto de Stephen King e estrelado por Robert Englund, que é mais conhecido como
o psicopata da luva de facas “Freddy Krueger” na franquia “A Hora do Pesadelo”.
“O Massacre
da Serra Elétrica Parte 2” (1986)
A continuação de “O Massacre da Serra Elétrica”
recebeu outro extenso capítulo. Infelizmente, por decisão equivocada de Hooper,
a parte 2 é repleta de elementos de humor negro que em minha opinião não
funcionaram. E, apesar da grande quantidade de cenas sangrentas e do excelente
trabalho de maquiagem do mestre Tom Savini, em comparação com o filme de 1974,
a sequência é infinitamente inferior. Hooper inicialmente seria apenas
produtor, mas como não conseguia encontrar um diretor com as qualidades
exigidas em tempo, foi obrigado a assumir a direção também.
O filme teve um elenco diferente do original, exceto
pelo retorno de Jim Siedow como o cozinheiro. Com um orçamento muito maior e
produção da “Cannon”, os realizadores cometeram uma falha quando não fizeram grandes
esforços para trazer de volta Gunnar Hansen como “Leatherface”, e o papel foi para
Bill Johnson. Foi um erro grosseiro, uma vez que Hansen fez o “Leatherface”
original e será para sempre lembrado por sua atuação.
Entre as diversas informações de bastidores, foi
revelada a imensa dificuldade no trabalho de muitas horas de maquiagem do ator
Ken Evert para ser transformado no vovô (aliás, foi sua única participação no
cinema). As condições de trabalho eram muito difíceis, e vários atores e
membros da equipe técnica adoeceram nas filmagens, devido à grande diferença de
temperatura entre o ambiente externo com muito calor e o set com ar
condicionado misturado com fumaça. Bill Johnson revelou que contraiu pneumonia
e passou muito mal.
O diretor de fotografia Richard Kooris informou que a
relação com a produtora “Cannon” era caracterizada por muita animosidade entre
eles. Hooper e demais comandados sofreram grande pressão para redução de prazos
e custos. O trabalho foi extremamente árduo e desgastante física e
psicologicamente, com quinze horas diárias de filmagens, em seis dias por
semana, num total de nove semanas e meia.
Na parte das resenhas sobre a continuação,
a receptividade foi ruim. Segue transcrição de uma delas:
“Outro
erro é comparar gritaria e mutilação com suspense. Este filme é monótono do
início ao fim, nunca dando atenção ao ritmo, ao tempo, à expectativa do horror.
Ele não pausa nem para apresentar os personagens; Dennis Hopper tem a tarefa
mais ingrata, a de interpretar um homem que passa a primeira metade do filme
parecendo distraído e vago, e a segunda metade gritando em meio a duelos de
serras.”
“Leatherface:
O Massacre da Serra Elétrica 3” (1990)
A terceira parte da franquia também recebeu o seu capítulo
específico, com a produção passando agora para a “Nerw Line Cinema”, que fez
alguns filmes da cinessérie “A Hora do Pesadelo”. O roteirista do original, Kim
Henkel, achava inicialmente que poderia ser um consultor com significativa
participação na concepção do filme, mas a produtora não deu muita atenção para
ele.
A direção é de Jeff Burr e o elenco tem nomes
importantes como Viggo Mortersen (o Aragorn da trilogia “O Senhor dos Anéis”) e
Ken Foree (do cultuado “Despertar dos Mortos”, 1978, de George Romero, e “Do
Além”, 1986, de Stuart Gordon). “Leatherface” mudou de ator novamente, passando
a serra para R. A. Mihailoff.
Com um orçamento de US$ 3 milhões, as filmagens
ocorreram entre Julho e Agosto de 1989, com 80% de cenas noturnas que foram
trabalhosas e dificultadas pela forte neblina das madrugadas no set de
filmagens.
Como o filme sofreu muitos cortes de cenas violentas
para poder receber uma classificação de acesso para um público maior, o diretor
Jeff Burr não gostou do tratamento final e queria seu nome retirado dos
créditos, alegando que os cortes prejudicaram demais o filme. Que, aliás, foi
censurado na Inglaterra, ficando proibido até 2004. O capítulo traz também uma
interessante entrevista com o roteirista David J. Schow, onde ele fala sobre
esse problema com a censura e a crítica de violência contra as mulheres no
filme.
A receptividade dessa terceira parte da franquia
também não foi entusiasmada, apesar da opinião geral dos críticos e público
sobre ser bem melhor que a parte 2, com seu humor meio fora de contexto.
“O Massacre
da Serra Elétrica – O Retorno” (1994)
A parte 4 da franquia também teve um orçamento baixo,
em torno de US$ 600 mil, com as filmagens ocorrendo em apenas 6 semanas em
1993. A direção e roteiro são de Kim Henkel, o roteirista do filme original. A
maior curiosidade é a presença no elenco dos atores Matthew McConaughey e Renée
Zellweger, então desconhecidos na época e que tiveram carreiras bem sucedidas.
Outra curiosidade refere-se à atriz Tonie Perenski, que estava sempre bonita e
maquiada nas filmagens, mesmo em cenas de confrontos e lutas, onde não deveria
estar tão bem. O ator Robert Jacks, que interpretou “Leatherface” e teve uma
carreira curtíssima com praticamente esse único filme, morreu ainda jovem em
2001 com 41 anos, vítima de um aneurisma abdominal.
Kim Henkel revelou que tiveram muitos problemas de
distribuição com a produtora Columbia, que não tinha interesse em lançar o
filme nos cinemas, tanto que foi exibido nos Estados Unidos em poucas salas de
forma limitada e com um atraso imenso, somente em 1997.
Três atores do clássico de 1974 foram homenageados com
pontas no final do filme: Paul A. Partain, John Dugan e Marilyn Burns.
Quanto à receptividade, existem opiniões diversas e
opostas, mas vale registrar e reproduzir uma resenha depreciativa de um fã bem
desapontado com o filme:
“... Leatherface
é um viado travesti que grita como uma menina e em todos os filmes a família
dele é canibal, menos na parte 4 em que eles comem pizza. Leatherface também
não é mais o principal membro da família, é aquele idiota do Vilmer (Matthew
McConaughey). E também Leatherface só matou uma pessoa e foi com uma marreta,
não a serra, o resto das mortes é do Vilmer. Então os filmes do Massacre da
Serra Elétrica são meus favoritos, exceto essa enganação da parte 4...”
“O Massacre
da Serra Elétrica” (2003)
A refilmagem de 2003 tem produção de Michael Bay, um
nome bem conhecido por blockbusters como “Armageddon” (1998) e “Pearl Harbor”
(2001), filmes da mesma época, e atualmente é só se lembrar da barulhenta franquia
“Transformers”. O único membro da equipe de produção do filme original que foi
chamado para participar novamente foi o diretor de fotografia Daniel Pearl.
Tobe Hooper e Kim Henkel estão creditados como co-produtores, mas revelaram que
suas opiniões para o projeto não foram consideradas.
A direção foi de Marcus Nispel, com um orçamento de
US$ 15 milhões pela produtora “New Line Cinema” novamente (que já tinha a parte
3 no currículo). “Leatherface” foi interpretado de novo por outro ator
diferente, Andrew Bryniarski. E exceto pelo veterano R. Lee Ermey, o elenco é formado
por jovens desconhecidos, vistos apenas em séries americanas de TV.
“O Massacre
da Serra Elétrica – O Início” (2006)
Apenas três anos depois da refilmagem, foi lançada uma
pré-sequência contando eventos antes da história do filme de 2003. A direção
foi de Jonathan Liebesman e Andrew Bryniarski repetiu o seu papel como o
maníaco “Leatherface”. Curiosamente, ele revelou que aprecia metal extremo e
citou a sangrenta música “Raining Blood”, da lendária banda de thrash metal
“Slayer”.
O eterno, primeiro e único “Leatherface”, Gunnar
Hansen, disse que ficou desapontado com o filme, pois o psicopata foi
desmascarado, seu mistério deixou de existir, revelando que teve uma doença de
pele na infância e que a partir daí começou a matar por vingança pessoal.
“O Massacre
da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua” (2013)
Considerado uma continuação direta do original de
1974, o sétimo filme da série foi filmado em 3D com direção de John Luessenhop.
Curiosamente, tem a presença de alguns atores do clássico, em pequenas participações
que serviram mais como forma de homenagem para Marilyn Burns, Gunnar Hansen e
John Dugan, além também de Bill Moseley, que foi o “Chop-Top” na parte 2.
“Leatherface” novamente foi interpretado por um ator diferente, com a serra
indo para as mãos de Dan Yeager.
Apesar que esses velhos atores revelaram que gostaram
do roteiro, esse filme é mais uma “bomba” manchando a franquia, repleto de
clichês e situações já vistas tantas vezes que o tornaram apenas mais um filme comum
perdido na infinidade de produções similares, com o único diferencial de
possuir um título da popular franquia.
OBS.1: Em 2017 veio o oitavo filme situado nesse imenso universo
ficcional de “Massacre da Serra Elétrica”. Com o sugestivo e manjado título “Leatherface”,
foi dirigido por Alexandre Bustillo e Julien Maury, os mesmos responsáveis pelo
excelente filme francês “A Invasora” (2007). A história mostra eventos
anteriores ao primeiro filme da saga, abordando a adolescência conturbada de
“Leatherface”.
OBS.2: Em 1988 foi lançada uma paródia do clássico de 1974,
“Hollywood Chainsaw Hookers”, com Gunnar Hansen no papel principal, e direção
de Fred Olen Ray. Foi lançado em VHS no Brasil com o nome picareta “O Massacre
da Serra Elétrica 3 – O Massacre Final”, mas não tem relação com a franquia, e
o título recebido por aqui apenas contribuiu para confundir os fãs.
Documentários
e filmes derivados
Segundo o livro, existem três documentários sobre a
franquia (e mais um “making of” no DVD da parte 3). São eles: “The Texas Chainsaw
Massacre: A Family Portrait” (1988), de Brad Shellady, “The Return of the Texas
Chainsaw Massacre: The Documentary” (1996), de Brian Huberman, e “Texas Chain
Saw Massacre: The Shocking Truth” (2000), de David Gregory.
O primeiro documentário é sobre o filme original, num
trabalho independente do diretor, que contou principalmente com o auxílio de
Gunnar Hansen. O segundo é sobre a parte 4, com informações de bastidores e
depoimentos dos envolvidos no projeto, com sua produção acontecendo em paralelo
com as filmagens. E o terceiro também tem como foco principal o primeiro filme,
porém com espaço paras as demais partes 2, 3 e 4, com vários depoimentos de
Tobe Hooper e Kim Henkel, além dos atores e demais membros da equipe técnica.
Tem também um documentário de curta metragem chamado
“Leatherface Speaks” (2001), de Jim Moran, com revelações interessantes de
Gunnar Hansen sobre os bastidores do clássico de 1974.
Além dos documentários, o livro informa sobre um filme
de curta metragem (22 minutos) chamado “Headcheese” (2002), que foi um dos
primeiros nomes imaginados para o “Massacre”. Tem direção de Duane Graves e
Justin Meeks, além de co-produção do próprio Kim Henkel. É uma homenagem ao
cultuado filme de 1974, com as filmagens utilizando as mesmas locações do clássico.
“All American Massacre” é um média metragem de 60
minutos que nunca foi lançado, dirigido pelo filho de Tobe Hooper, William Tony
Hooper e Eric Lasher. A história é um tributo aos dois primeiros filmes da
franquia, focando as ações no personagem doentio “Chop-Top”, interpretado por
Bill Moseley (parte 2).
Ed Gein
O psicopata americano Ed Gein (1906 / 1984) teve seu
capítulo também. Ele ficou conhecido pelas atrocidades cometidas, roubando restos
de cadáveres dos cemitérios e guardando em casa, além de fazer mobílias e
objetos com ossos e peles humanas, inspirando a realização de vários filmes. O
livro dá uma atenção especial para o filme “Confissões de Um Necrófilo”
(Deranged, 1974), baseado na história real desse assassino.
Finalizando este compêndio precioso, temos um capítulo
com os nomes e breves biografias de dezenas de pessoas envolvidas nos vários
projetos da extensa franquia: atores, diretores, roteiristas e equipe técnica
de produção. Em outro capítulo, temos as fichas técnicas de “Eggshells” e de todos
os sete filmes da série.
“O Massacre da
Serra Elétrica – Arquivos Sangrentos” (The Texas Chain Saw Massacre
Companion, 2003)
Autor: Stefan Jaworzyn
Editora “Dark Side” (Rio de Janeiro/RJ). Lançado no Brasil em
2013. Tradução de Antônio Tibau e Dalton Caldas.
“Coleção Dissecando – Filmes Clássicos de Terror”. Formato: 16 x 23
cm. 320 páginas.
(Juvenatrix - 07/09/17)
(Juvenatrix - 07/09/17)
Marcadores:
2003,
autor estrangeiro,
horror,
livro,
resenha,
Stefan Jaworzyn
Assinar:
Postagens (Atom)






