sábado, 13 de junho de 2020

Criatura Sangrenta (Blood Creature, EUA / Filipinas, 1959, PB)



O escritor inglês Herbert George Wells foi o autor de inúmeros livros de Ficção Científica e Horror que serviram de inspiração para o cinema fantástico. Histórias como “O Homem Invisível”, “A Guerra dos Mundos”, “O Alimento dos Deuses”, “Daqui a Cem Anos”, “Os Primeiros Homens na Lua”, “A Máquina do Tempo”, transformaram-se em muitos filmes e várias versões. No caso de “A Ilha do Dr. Moreau” (1896), o livro foi filmado em três produções mais conhecidas, em 1933 (com Charles Laughton e Bela Lugosi), 1977 (com Burt Lancaster, Michael York e Richard Basehart), e 1996 (com Marlon Brando e Val Kilmer).
Porém, em 1959 foi lançada uma bagaceira chamada “Criatura Sangrenta” (Blood Creature / Terror is a Man), dirigida pelo filipino Gerry de Leon, cujo roteiro de Harry Paul Harber também é baseado na famosa obra literária de Wells, porém de forma não creditada. E surpreendentemente, o filme teve distribuição em DVD por aqui, para a satisfação dos colecionadores ávidos por filmes bizarros, exóticos, desconhecidos e principalmente ruins de forma não proposital.      

O único sobrevivente do naufrágio de um navio de carga, o engenheiro de petróleo William Fitzgerald (Richard Derr), chega inconsciente num bote até o litoral de uma ilha isolada na costa do Oceano Pacífico. Lá, ele é resgatado pelo Dr. Charles Girard (o tcheco Francis Lederer), um médico exilado de New York, que procurou privacidade na ilha para se dedicar às pesquisas e experiências genéticas com animais e homens, dando origem a um grotesco ser mutante. Inevitavelmente, o novo hóspede acaba tendo um romance com a carente esposa solitária e insatisfeita do cientista, Frances (a dinamarquesa Greta Thyssen), cujo marido cirurgião está mais preocupado com seu trabalho, no desenvolvimento de uma raça de homens perfeitos, gerados a partir de uma pantera negra e através da descoberta de um composto químico capaz de controlar o tamanho do cérebro, transformando a matéria viva.
Porém, a “criatura sangrenta” consegue fugir do laboratório, entre uma cirurgia e outra, fazendo vítimas fatais em quem atravessasse seu caminho, como o ajudante do cientista, Walter Perrera (Oscar Keesee Jr.), e uma criada, Selene (Lilio Duran), que vive na casa com seu irmão pequeno Tiago (Peyton Keesee). E, após seqüestrar Frances se refugiando na floresta, o Dr. Girard e o visitante náufrago partem em seu encalço para salvar a mulher das garras da besta assassina.     

O filme, com fotografia em preto e branco e apenas 82 minutos de duração, é uma produção das Filipinas, e foi realizado com um orçamento minúsculo. No roteiro, temos o “cientista louco” obcecado em contribuir para o bem da humanidade, e seu assistente que mais tarde não concorda com os resultados das experiências, além do mocinho (alguém que surge para tentar se opor às barbaridades científicas do vilão), e da mocinha (uma mulher infeliz com o casamento e à espera de alguém para salvá-la). Não poderia faltar também o monstro (interpretado por Flory Carlos), que no caso é uma fera gerada através de inúmeros procedimentos cirúrgicos, e que obviamente escapa e volta-se contra o criador em busca de vingança.
A história original de H. G. Wells é famosa e cultuada, explorando um argumento bem interessante, principalmente para a época em que foi escrita, há mais de um século atrás, apresentando um cientista na criação de uma raça mutante, transformando animais em homens. E diante de todas as limitações impostas pela produção barata, o que mais importa é que “Criatura Sangrenta” até consegue atingir seu objetivo de entreter os apreciadores de filmes bagaceiros, ou seja, todos aqueles que sabem antecipadamente o que irão encontrar num filme com essas características: vários defeitos facilmente notáveis, com imagens muito escuras em algumas cenas noturnas, maquiagem tosca do monstro, edição ineficiente e cheia de cortes bruscos, elenco inexpressivo, diálogos banais, desfecho previsível e roteiro superficial.      

 “Criatura Sangrenta” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD a tranqueira “O Lobisomem no Quarto das Garotas” (Lycanthropus / Werewolf in a Girl´s Dormitory, 1962), de Richard Benson (pseudônimo do diretor italiano Paolo Heusch). Infelizmente, a qualidade das imagens apresentadas no DVD é ruim, com algumas manchas, riscos e imperfeições que parecem causados por deterioração e má conservação dos originais.

(Juvenatrix - 04/11/2006)



A Mulher Vespa (The Wasp Woman, EUA, 1960, PB)



“Uma rainha da beleza de dia, uma vespa rainha voraz à noite!”

O produtor e diretor americano Roger Corman é um profissional que tem seu nome eternamente gravado dentro do gênero fantástico por causa de seus inúmeros filmes de baixo orçamento, principalmente aqueles realizados entre os meados da década de 1950 até o final dos anos 60. Sua maior especialidade é a de fazer filmes com agendas apertadas, correndo contra o tempo com o mínimo de recursos disponíveis, aproveitando e reciclando cenários, demonstrando uma habilidade e talento incomum que lhe garantiu o título de “Rei dos Filmes B”, tendo sua obra cultuada por uma legião de fãs de filmes bagaceiros. Ele também é conhecido por oferecer a oportunidade do lançamento das carreiras de personalidades que se consagraram como os diretores Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Peter Bogdanovich, e os atores Jack Nicholson, Robert DeNiro e Ellen Burstyn.
Entre as muitas divertidas tranqueiras de sua filmografia como cineasta está o inusitado “A Mulher Vespa” (The Wasp Woman, 1960), cuja simples menção do nome já desperta inevitavelmente aquela curiosidade para os apreciadores de filmes exóticos e com roteiros absurdos, onde não falta o cientista louco, a mulher que ambiciona a juventude eterna e um monstro mutante assassino. 

Também produzido por Corman, com fotografia em preto e branco e duração curta de aproximadamente 71 minutos, o bizarro roteiro de Leo Gordon a partir de uma história de Kinta Zertuche mostra uma poderosa proprietária de uma empresa de cosméticos, Janice Starlin (Susan Cabot), que está preocupada com a crescente queda de vendas de seus produtos. Temendo perder todo o patrimônio que conquistou ao logo dos anos de muito trabalho, ela foi convencida pelos executivos da empresa que sua imagem distante da juventude pode ser um dos motivos do desinteresse do público.
Em paralelo, um cientista que faz pesquisas com enzimas de vespas e que vem obtendo bons resultados de rejuvenescimento em experiências com insetos e animais, Dr. Eric Zinthrop (Michael Mark), é demitido por seus patrocinadores e apresenta seu trabalho para a Srta. Starlin, que uma vez à procura de manter sua juventude, aceita servir de cobaia humana para as experiências do cientista, deixando preocupados seus amigos e companheiros de trabalho como a secretária Mary Dennison (Barboura Morris) e o namorado dela Bill Lane (Anthony Eisley, creditado como Fred Eisley), além do cientista Arthur Cooper (William Roerick).
Uma vez animada com a possibilidade de resultados bem sucedidos, a mulher tenta secretamente acelerar o processo injetando em si mesma uma quantidade exagerada da solução química, ocasionando com isso uma terrível mutação, transformando-se num monstro grotesco e incontrolável, que passa a atacar as pessoas que atravessam seu caminho, procurando se alimentar do sangue de suas vítimas.

Com um roteiro desses, é óbvio que devemos assistir o filme de forma totalmente descontraída, esperando ver uma tranqueira em todos os sentidos, desde os absurdos da história até a falta de recursos de uma produção de baixo orçamento, que obrigou seus realizadores a trabalhar com efeitos bizarros na concepção da criatura mista de mulher e vespa, uma maquiagem tão tosca que se na época (há quase meio século atrás) poderia causar medo, espanto e repulsa nos espectadores, manipulando suas emoções perante um filme de horror, nos dias atuais da modernidade do século 21, causaria acessos de risos no público. Esse é mais um dos motivos que comprova que devemos ver o filme sem exigência e procurando apenas se divertir com a precariedade da produção, respeitando os esforços dos envolvidos no projeto, principalmente o cultuado diretor e produtor Roger Corman. Tanto que a “mulher vespa” aparece pela primeira vez na tela somente com 50 minutos de filme, ou seja, bem próximo do fim da projeção, e com participações rápidas no ataque às suas vítimas. E, apesar do desfecho previsível e das poucas mortes, “A Mulher Vespa” é um “trash” que garante a diversão.

Seguem algumas curiosidades que merecem registro:
* o próprio Roger Corman (ainda bem jovem) aparece numa ponta super rápida não creditada como um médico no hospital. Aliás, ele costuma usar esse expediente em vários de seus filmes, participando de forma discreta, assim como em filmes de outros amigos também como aconteceu em “Trilogia do Terror” (Body Bags, 1993), de John Carpenter e Tobe Hooper, onde Corman também interpretou um médico no episódio “Olho”.
* “A Mulher Vespa” recebeu outros nomes alternativos originais como “Insect Woman” e “The Bee Girl”.
* Ao contrário do que aparece no cartaz promocional e sensacionalista que traz uma interessante ilustração com uma vespa gigante com rosto de mulher atacando um homem, no filme o monstro é uma mulher de tamanho natural com a cabeça e patas de vespa, algo bem mais fácil para ser reproduzido pela equipe de produção e de custo reduzido. Algo similar aconteceu com “A Mosca da Cabeça Branca” (The Fly, 1958), que mostrou um cientista que sofreu um acidente em sua experiência de teletransporte e transformou-se num monstro com a cabeça e uma das patas de mosca. 
* Em 1995 foi produzida uma refilmagem diretamente para a televisão, com direção de Jim Wynorski, produção executiva de Roger Corman e com Jennifer Rubin e Doug Wert no elenco.
* Para a satisfação dos colecionadores de filmes de horror, “A Mulher Vespa” foi lançado no Brasil em DVD pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, numa coleção chamada “Sessão da Meia-Noite”, que inclui outras tranqueiras divertidíssimas da mesma época. Filmes que eram exibidos com freqüência nos drive-in´s americanos. O mesmo DVD de “A Mulher Vespa” traz também “O Ataque das Sanguessugas Gigantes” (Attack of the Giant Leeches, 1959), de Bernard L. Kowalski e com Ken Clark e Yvette Vickers, e apresenta como materiais extras os respectivos trailers legendados em português.  

(Juvenatrix - 21/10/2006)



O Ataque das Sanguessugas Gigantes (Attack of the Giant Leeches, EUA, 1959, PB)



“Das escuras cavernas submersas surgem monstruosas criaturas aquáticas! Esfomeadas por vítimas humanas!”

Com produção executiva do especialista Roger Corman, produção de seu irmão Gene Corman e direção de Bernard L. Kowaski, “O Ataque das Sanguessugas Gigantes” (Attack of the Giant Leeches / Demons of the Swamp, 1959) é mais uma daquelas tranqueiras produzidas numa época de paranóia nuclear, que motivou uma infinidade de filmes explorando os efeitos nocivos da radiação sobre animais, sendo nesse caso sanguessugas que vivem num pântano, e que se tornam monstruosas e assassinas.

Um pescador, Lem Sawyer (George Cisar), encontra uma criatura estranha nadando num pântano e descarrega seu rifle tentando matá-la. Na cidade, ninguém acredita em sua história até que ocorrem misteriosos desaparecimentos, entre lês um casal de amantes formado pela bela Liz Walker (Yvette Vickers) e Cal Moulton (Michael Emmet), apesar de o marido traído da moça, o obeso Dave Walker (Bruno VeSota), ser acusado de suas mortes. A partir daí, um guarda florestal, Steve Benton (Ken Clark), inicia uma investigação sobre o paradeiro das prováveis criaturas assassinas, percorrendo todo o pântano e explorando em cavernas submersas, contando com a ajuda de sua noiva Nan (Jan Shepard) e do pai dela, o médico Dr. Greyson (Tyler McVey), e também enfrentando a desconfiança do xerife local Kovis (Gene Roth).   

O filme tem todos aqueles elementos e clichês característicos do cinema bagaceiro dos anos 50 e 60 do século passado, ou seja, o enorme título sonoro e sensacionalista (“O Ataque das Sanguessugas Gigantes”); a produção paupérrima com monstros toscos (atores vestindo fantasias de borracha, nesse caso simulando sanguessugas mutantes de tamanho descomunal); a duração curta (aqui temos apenas 62 minutos de projeção); a fotografia em preto e branco, bastante escura para esconder as falhas da produção; o roteiro superficial (de Leo Gordon, habitual colaborador da “American International Pictures”), que explora o efeito da radiação de testes nucleares com foguetes em animais na região (aqui temos um pântano contaminado que transforma simples sanguessugas em monstros gigantes e sedentos por sangue humano); personagens arquetípicos como o sempre presente homem da ciência (o médico Dr. Grayson, responsável pelas teorias que explicam a origem das criaturas), o mocinho (o guarda florestal Steve, que combate a ameaça mortal das sanguessugas), sua noiva e par romântico (Nancy, filha do Dr. Grayson), o xerife (Kovis, bonachão e caipira), que obviamente é descrente sobre qualquer explicação fora do normal para a causa das mortes misteriosas na região; e o tradicional desfecho previsível onde sempre sabemos com muita antecedência o destino das criaturas assassinas, quem serão as vítimas e quem serão os heróis responsáveis pela eliminação da ameaça.
Mas, são justamente todos esses clichês absurdos que fazem desses filmes bagaceiros uma diversão impagável, comprovando o motivo de serem cultuados por uma legião de admiradores do cinema “trash” ao longo dos tempos. O segredo para embarcar nessas histórias absurdas com monstros ridículos é apenas relaxar e divertir-se. E é curioso notar como essa fórmula é utilizada até os dias atuais em inúmeras tranqueiras produzidas em pleno início de século 21, nos filmes abordando a temática de animais mutantes que ameaçam a humanidade, com poucas diferenças em relação ao que se fazia em meados do século anterior.

“O Ataque das Sanguessugas Gigantes” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD outro filme igualmente tosco, “A Mulher Vespa” (The Wasp Woman, 1960), com direção e produção do cultuado “Rei dos Filmes B” Roger Corman e elenco liderado por Susan Cabot, Anthony Eisley (creditado como Fred Eisley) e Barboura Morris.  

(Juvenatrix - 22/10/2006)



sexta-feira, 12 de junho de 2020

A Besta da Caverna Assombrada (Beast From the Haunted Cave, EUA, 1959, PB)



Uma quadrilha de assaltantes formada pelo líder Alex Ward (Frank Wolff), sua amante Gypsy Boulet (Sheila Carol), e dois comparsas, Marty Jones (Richard Sinatra) e Byron Smith (Wally Campo), planejam roubar ouro de um banco de uma pequena cidade no Estado americano de Dakota. Para isso, eles se hospedam numa estação de esqui no meio das montanhas geladas e carregadas de neve. O plano ainda consiste na explosão de uma mina com uma bomba para desviar a atenção das pessoas da região enquanto roubam barras de ouro do banco da cidade.
Fugindo para uma cabana isolada nas montanhas, de propriedade do instrutor de esqui Gil Jackson (Michael Forest), o grupo aguarda um resgate de avião para o Canadá, porém eles não imaginavam que a explosão na caverna despertou a ira de uma criatura monstruosa parecida com uma aranha, repleta de tentáculos peludos e que se alimenta do sangue de suas vítimas, que ficam imobilizadas e presas em teias. Agora, além de enfrentar problemas de relacionamento entre eles (a única mulher do bando está querendo abandonar a carreira de crimes e inevitavelmente se apaixona pelo “garoto natureza” Gil), e de tentar colocar em prática o plano de fuga com o ouro roubado, eles terão também que lutar por suas vidas contra a fúria da “besta da caverna assombrada”.

A Besta da Caverna Assombrada” (Beast From the Haunted Cave, 1959) é mais uma bagaceira de orçamento paupérrimo da nostálgica década de 50 do século passado, produzido pelos irmãos Corman (Gene e Roger, este último mais conhecido como o “Rei dos Filmes B”), e com direção de Monte Hellman a partir de um roteiro de Charles B. Griffith. Com pouco mais de 70 minutos de duração, o filme tem um nome chamativo, mas na verdade a história é bem superficial e decepcionante não despertando grande interesse, servindo praticamente apenas como um pretexto para mostrar os ataques de um monstro assassino (interpretado por Christopher Robinson), que habitava a escuridão de uma caverna.
As cenas com a criatura são poucas e quando ela aparece, suas ações são muito rápidas e de visualização prejudicada pela fotografia escura demais, exceto pela seqüência final dentro de seu próprio ambiente, onde ocorre um sangrento confronto entre o monstro vampiro e os assaltantes de banco, com um desfecho tradicional e totalmente previsível.
Vale conhecer como curiosidade, por se tratar de mais uma daquelas tranqueiras produzidas em preto e branco há quase meio século atrás, com produção executiva do cultuado Roger Corman, e pela fera absurda do título.

 “A Besta da Caverna Assombrada” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD o divertido “O Cérebro Que Não Queria Morrer” (The Brain That Wouldn´t Die, 1962), dirigido por Joseph Green e com Jason Evers, Virginia Leith e Leslie Daniels.  

(Juvenatrix - 29/10/2006)


O Cérebro Que Não Queria Morrer (The Brain That Wouldn´t Die, EUA, 1962, PB)



“O cérebro dela foi mantido vivo por experimentos científicos! Por um homem com uma paixão anormal, inspirado em tentar o impossível!” – reprodução de trecho narrado no trailer

Com um título sonoro desses e vendo o pôster de divulgação, que traz a cabeça de uma mulher sobre uma bacia inundada com um líquido misterioso e cercada de aparelhos típicos de um laboratório de “cientista louco”, é muito difícil não despertar um interesse e principalmente curiosidade em assistir “O Cérebro Que Não Queria Morrer” (The Brain That Wouldn´t Die, 1962), bagaceira super divertida da “American International Pictures”, dirigida por Joseph Green a partir do roteiro de Rex Carlton, com fotografia em preto e branco e elenco principal formado por Jason Evers, Virginia Leith e Leslie Daniels.

Um jovem cirurgião, Dr. Bill Cortner (Jason Evers, creditado como Herb Evers), faz experiências secretas em seu laboratório numa casa de campo, com o objetivo de conseguir sucesso no transplante de membros humanos, utilizando um soro especialmente desenvolvido para evitar a rejeição. Quando ocorre um grave acidente de carro que vitimou sua noiva Jan Compton (Virginia Leith), ele consegue recuperar apenas sua cabeça dos escombros em chamas e decidiu mantê-la viva em seu laboratório, repousando-a numa bandeja com o soro. Agora, o desafio do cientista é encontrar um corpo de uma bela mulher, sem chamar a atenção da polícia, para tentar uma cirurgia de transplante na cabeça da noiva, que por sua vez não aceita a condição monstruosa em que se encontra, adquirindo poderes não previstos, distorcendo a mente, adquirindo raiva e conseguindo se comunicar e se aliar com uma aberração grotesca que está mantida presa no porão, fruto das experiências fracassadas do cirurgião.  

O filme é curto, apenas 82 minutos, e apresenta uma história bastante ousada para a época de produção, há quase meio século atrás, tanto que ocorreram problemas com a censura devido às cenas fortes e bizarras de horror com direito a uma cabeça viva sem o corpo, um enorme monstro mutante formado por pedaços de cadáveres, um braço amputado de forma sangrenta e nacos de carne arrancados a violentas dentadas.
Em “O Cérebro Que Não Queria Morrer”, como já esperado nesse tipo de produção de baixo orçamento, encontramos os elementos típicos dos filmes de horror daquele período, não faltando o “cientista louco” de plantão, sendo nesse caso um jovem cirurgião que faz sucesso entre as mulheres, sempre que não está trabalhando em suas experiências com transplantes de partes danificadas do corpo humano. Nem falta também o tradicional ajudante e cúmplice de suas barbaridades científicas, sendo nesse caso o cirurgião Kurt (Leslie Daniels), que perdeu o braço direito num acidente e serviu de cobaia nas experiências do cientista, sempre apresentando rejeição com o membro transplantado, e acreditando que um dia deixaria de ser deformado. O laboratório do Dr. Cortner faz lembrar o do seu companheiro de ofício e loucuras (porém, bem mais famoso) Dr. Frankenstein, repleto de líquidos borbulhantes, aparelhos elétricos, tubos de ensaio e instrumentos de medição. Sem contar a similaridade também de sua ambição no transplante de pedaços de corpos humanos, criando um ser monstruoso.
É claro que se fizermos uma análise crítica mais apurada, encontraremos vários furos no roteiro e situações manipuladas apenas para favorecer o trabalho do roteirista, como por exemplo o simples fato de não ocorrer nenhuma investigação da polícia sobre o acidente de carro do Dr. Cortner e sua noiva, na estrada que leva ao laboratório, apesar que toda a ação ocorre rapidamente num final de semana.  
Curiosamente, não posso deixar de citar uma frase da apaixonada Jan Compton para seu noivo Dr. Bill Cortner, antes de sofrer o acidente. Ela disse: “Sempre que toca em mim eu perco a cabeça”. Ela não imaginaria que pouco tempo depois perderia o corpo carbonizado e ficaria viva justamente apenas com sua cabeça. Seria irônico e hilário se não fosse trágico...
“O Cérebro Que Não Queria Morrer” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD o filme “A Besta da Caverna Assombrada” (Beast From Haunted Cave, 1959), produzido pelos irmãos Corman (Gene e Roger, esse último mais famoso e cultuado como o “Rei dos Filmes B”).  

(Juvenatrix - 30/10/2006)



quarta-feira, 10 de junho de 2020

Jasão e os Argonautas (Jason and the Argonauts, EUA / Inglaterra, 1963)



Jasão e os Argonautas” (Jason and the Argonauts, 1963), que também é conhecido no Brasil como “Jasão e o Velo de Ouro”, título que recebeu quando foi exibido na televisão, é um daqueles filmes antigos de puro entretenimento que passavam na saudosa “Sessão da Tarde” da TV Globo. Na época em que eram exibidas preciosidades do cinema fantástico como “O Planeta dos Macacos” (1968), “Viagem Fantástica” (1966), “Robur, o Conquistador do Mundo” (1961), “Destino: Lua” (1951), “Jornada ao Centro do Tempo” (1968), “Viagem ao Centro da Terra” (1959), entre outras.
Com direção de Don Chaffey e co-produção entre Estados Unidos e Inglaterra, o filme é muito conhecido entre os apreciadores do cinema fantástico do passado, principalmente por causa dos excepcionais efeitos especiais de Ray Harryhausen (1920 / 2013), um mestre na concepção de criaturas que ganham vida com a técnica de “stop motion”.
Na divertida história inspirada na mitologia grega, Jasão (Todd Armstrong), é o herdeiro do trono de Tessália, e pretende assumir o seu posto vinte anos depois que seu pai foi assassinado e o reino tomado por Pelias (Douglas Wilmer). Porém, Jasão acaba participando de um jogo manipulado pelos deuses do Olimpo, Zeus (Niall MacGinnis) e Hera (Honor Blackman), e reúne um grupo de guerreiros gregos que partem num navio de guerra para o fim do mundo. O objetivo é se apossar de um valioso artefato, o “Velo de Ouro” do título alternativo, um presente dos deuses para o reino de Cólquida, e que garante paz e prosperidade para o povo que o possuir.
No tortuoso caminho, Jasão e os argonautas, os tripulantes da nau “Argos” (mesmo nome de seu proprietário, interpretado por Laurence Naismith), recebem a ajuda limitada de Hera, a rainha dos deuses, e enfrentam grandes perigos que ameaçam suas vidas. Incluindo um gigante de bronze (“Talos”), guardião dos tesouros dos deuses numa ilha escondida; demônios alados (“harpias”), que atormentam um velho cego, Hermes (Michael Gwynn), que sabe como chegar ao destino final da expedição; um desmoronamento mortal na passagem do navio por um estreito das “Rochas Estrondosas”; um monstro de sete cabeças (“hidra”), que protege o “velo de ouro” de saqueadores; e finalmente um grupo de esqueletos guerreiros invocados do mundo dos mortos por vingança pelo rei Aeetes (Jack Gwillim).
Além ainda de enfrentar a traição de Acastus (Gary Raymond), filho de Pelias, infiltrado na expedição. Mas, para compensar a imensa quantidade de desafios mortais em sua jornada, Jasão encontra a bela Medea (Nancy Kovack), resgatada de um naufrágio e que o ajudou na localização do desejado “velo de ouro”.          
“Jasão e os Argonautas” é um clássico “B” da Fantasia com elementos de Horror, com uma história extremamente divertida e sem compromisso com a realidade, um mergulho no escapismo que traz a simples satisfação do entretenimento. Mas, o que principalmente faz do filme algo que fica guardado num lugar especial na memória, se destacando de tantos outros similares, são as criaturas animadas pelo mestre em “stop motion” Ray Harryhausen. Os efeitos de qualidade impecável são obtidos com um trabalho árduo na captação dos movimentos quadro a quadro da miniaturas dos monstros, com um resultado impressionante para a época da produção, e que desperta admiração até hoje. Particularmente, acho essa técnica mais interessante que os efeitos do cinema moderno com imagens geradas por computador, que muitas vezes soam tão artificiais que depreciam os filmes.
Um destaque certamente é a fascinante batalha de três argonautas com um pequeno exército de sete esqueletos criados em “stop motion”, sendo um dos melhores trabalhos de toda a bem sucedida carreira de Ray Harryhausen. Essa sequência serviu de inspiração para os esqueletos de “Uma Noite Alucinante 3” (1992), terceiro filme da trilogia “Evil Dead”, de Sam Raimi.
Seguem algumas pequenas curiosidades. O filme teve um final aberto, com um gancho para a continuação que não aconteceu. Com o fim da perigosa jornada de Jasão, surgiu uma vasta variedade de possibilidades para o herói, infelizmente não exploradas. O ator Todd Armstrong (1937 / 1992), que interpretou Jasão, teve uma carreira curta e “Jasão e os Argonautas” foi seu único trabalho relevante. Sua parceira em cena, Nancy Kovack, que fez a mocinha Medea, aparece pouco, somente a partir do último ato, apesar de seu nome figurar em destaque nos créditos.    

(Juvenatrix – 10/06/20)







segunda-feira, 1 de junho de 2020

Viagem Fantástica (Fantastic Voyage, EUA, 1966)



“Quatro homens e uma mulher embarcam na mais fantástica , espetacular e aterrorizante viagem de suas vidas...”

                No início dos anos 1980, a famosa “Sessão da Tarde” da “TV Globo” exibia com frequência uma infinidade de nostálgicos clássicos, filmes “B” e outras raridades do cinema de ficção científica do passado, os quais povoaram a nossa imaginação com as mais fantásticas aventuras já concebidas pelo Homem, seja na exploração rumo ao infinito espaço sideral, ou para regiões misteriosas e esquecidas pela humanidade em nosso próprio planeta, ou ainda para o espaço interno, nas profundezas de nossos oceanos, ou até no interior do próprio corpo humano.
Filmes como “Planeta Proibido” (1956), “O Planeta dos Macacos” (68), “Destino: Lua” (51), “A Máquina do Tempo” (60), “O Dia Em Que a Terra Parou” (51), “A Guerra dos Mundos” (53), “Guerra Entre Planetas” (55), “Viagem ao Fundo do Mar” (61), “O Mundo Perdido” (60), “Vampiros de Almas” (56), “Viagem ao Centro da Terra” (59), “A Terra Que o Mundo Esqueceu” (75), “Cidade Submarina” (62), “A Bolha” (58), “Vinte Mil Léguas Submarinas” (54), “O Homem dos Olhos de Raio-X” (63), “O Incrível Homem Que Encolheu” (57), “Robur, o Conquistador do Mundo” (61), “A Mosca da Cabeça Branca” (58), e muitos outros mais, foram responsáveis por uma quantidade incomensurável de satisfação e puro entretenimento na frente de uma televisão, em momentos que devem ser o máximo possível resgatados, compartilhados, reverenciados e enaltecidos para manter suas memórias e legados eternos na história do cinema fantástico.
Fazendo parte dessa seleta galeria de preciosidades temos também “Viagem Fantástica” (Fantastic Voyage), uma pérola de ficção científica produzida em 1966 mostrando a incrível jornada de uma expedição científica à bordo de um submarino nuclear miniaturizado, através do complexo interior do corpo humano.

Um importante diplomata e cientista, Dr. Jan Benes (Jean Del Val), é o único possuidor de um conhecimento indispensável para o sucesso de um projeto científico militar, disputado pelas principais nações da guerra fria, os Estados Unidos e o “outro lado” (como sempre se referiam à antiga União Soviética e os países da “Cortina de Ferro”, nunca citando nomes). Uma vez decidindo apoiar os americanos (aqueles que acreditam em Deus e nas suas maravilhosas criações, assumindo o óbvio lado do “bem”, na visão deles), ele é recepcionado pelo governo num cuidadoso esquema de segurança, mas que ainda assim não pode evitar um atentado terrorista que feriu gravemente o cientista, deixando-o com um perigoso coágulo sanguíneo no cérebro.
Para salvar sua vida, a única forma encontrada pelos militares americanos foi colocar em prática um projeto desenvolvido secretamente, que consiste na miniaturização de um submarino nuclear levando uma equipe científica selecionada com o objetivo de navegar no interior do corpo do cientista ferido e tentar dissolver o coágulo com disparos precisos de laser. O maior problema é que a missão não pode exceder o tempo de sessenta minutos, pois a partir daí o processo de encolhimento inicia uma reversão automática.
A missão de salvamento é liderada na base de controle por oficiais de alta patente como o General Alan Carter (Edmond O´Brien) e o Coronel Donald Reid (Arthur O´Connell), e a equipe de resgate é comandada pelo chefe Dr. Michaels (Donald Pleasence), como o navegador que além de interpretar os mapas precisa também superar um problema com claustrofobia. Completando o time de especialistas temos ainda o cirurgião cerebral Dr. Peter Duval (Arthur Kennedy) e sua jovem assistente Cora Peterson (a belíssima Rachel Welch), responsáveis pela remoção com laser do coágulo, o projetista e piloto do submarino “Proteus”, Capitão Bill Owens (William Redfield), e finalmente o Dr. Grant (Stephen Boyd), um agente do serviço secreto americano, perito em comunicações e exímio mergulhador, encarregado pela segurança da missão.
A partir daí, com o submarino e sua tripulação reduzidos a um tamanho microscópico, eles embarcam numa “viagem fantástica” no interior do corpo humano, encarando uma infinidade de desafios e mistérios desconhecidos através da corrente sanguínea do célebre cientista, com direito a passagens turbulentas pelo coração, paradas obrigatórias nas regiões do pulmão e ouvido, e enfrentando tentativas de sabotagem durante a perigosa missão, além de ataques furiosos de glóbulos brancos e anticorpos.

“Viagem Fantástica” é um típico exemplar das divertidas produções de ficção científica das décadas de 1950 e 60, mais especificamente aquelas que com um orçamento mais generoso e contando com um elenco expressivo, tentavam traduzir em maravilhosas imagens mais uma incrível aventura até então apenas existente na imaginação dos escritores.
É inevitável o envolvimento com o fascinante show de imagens coloridas do sangue e órgãos internos do corpo humano, levando a humanidade em mais uma viagem pelos caminhos desconhecidos da ciência, após explorar os mistérios das estrelas, a imensidão dos oceanos e as regiões perdidas do nosso planeta. Como toda produção da época, não podiam faltar a sofisticada base secreta militar, localizada em um complexo subterrâneo, as salas de controle com enormes computadores repletos de luzes piscando, o sempre recorrente conflito de poder da guerra fria, com a paranóia nuclear, os atentados terroristas e crimes de sabotagem, além de uma equipe científica encarregada de uma perigosa missão.                         
                Para reforçar o deslumbramento vivido pelo cirurgião Dr. Duval frente às maravilhas que estava presenciando no interior do sofisticado corpo humano, ele fez um comentário especial sobre sua primeira impressão ao navegar pelas veias e artérias no início da viagem: “Os filósofos medievais estavam certos. O Homem é o centro do Universo. Estamos no meio do infinito, entre o espaço interno e o sideral. E não há limites para ambos.”
                E também outro pronunciamento quando estava próximo ao cérebro:
“Mesmo que todos os sóis que iluminam os corredores do Universo brilhem menos ante às chamas de um único pensamento, proclamando a glória incandescente: a infinita mente do Homem.”

Curiosamente, “Viagem Fantástica” esteve dois longos anos em produção, utilizando as mais modernas técnicas de efeitos especiais da época, os saudosos anos 1960, e seus idealizadores fizeram questão de ressaltar a importância e grandiosidade do projeto colocando uma nota na abertura do filme onde “agradecem os muitos médicos, técnicos e cientistas pesquisadores, cujo conhecimento e visão ajudaram a guiar a produção do filme”.
O famoso autor de Ficção Científica russo Isaac Asimov (1920/1992) escreveu uma excelente novelização do filme, e posteriormente, um novo livro intitulado “Viagem Fantástica II – Rumo ao Cérebro”, que era para ter se transformado em filme mas o projeto não foi realizado.
“Viagem Fantástica” foi lançado no Brasil em vídeo DVD pela “20th Century Fox Home Entertainment Brasil”, numa rara oportunidade dos apreciadores de enriquecerem suas coleções com mais essa relíquia do cinema fantástico, tendo como ponto negativo apenas a pobreza do material extra que traz apenas um trailer promocional sem legendas em português. “Viagem Fantástica” também recebeu os títulos alternativos de “Microscopia” e ”Strange Journey” em sua distribuição ao redor do mundo.
O cineasta americano Richard Fleischer (1916 / 2006) é dono de uma vasta filmografia onde se aventurou algumas outras vezes no gênero fantástico como em “Vinte Mil Léguas Submarinas” (54), com Kirk Douglas, “Terror Cego” (71), com Mia Farrow, “No Mundo de 2020” (73), com Charlton Heston, “Conan: O Destruidor” (84), com Arnold Schwarzenegger, e “Amityville 3: O Demônio” (83).
O escritor Jerome Bixby, autor da história na qual o filme foi baseado, faleceu aos 73 anos em 1998. Sua contribuição para o cinema fantástico inclui roteiros para as séries de TV “Além da Imaginação” (1959/64) e “Jornada nas Estrelas” (1966/68).   
O elenco de “Viagem Fantástica” é uma reunião de grandes nomes do cinema na época destacando-se o ator inglês Donald Pleasence (falecido em 1995 aos 75 anos), mais conhecido como o incansável psiquiatra Dr. Loomis em cinco filmes da franquia do psicopata Michael Myers criada em 1978 por John Carpenter com “Halloween – A Noite do Terror”. Sua participação em filmes de horror e ficção científica é notável numa carreira com quase 200 títulos, destacando a raridade “A Carne e o Diabo” (1959), “Circo dos Horrores” (60), “THX 1138” (71), “Estranhas Mutações” (73), “Tales That Witness Madness” (73), “Vozes do Além” (73), “Drácula” (79), “The Monster Club” (80), “Fuga de New York” (81), “Sozinho no Escuro” (82), “Drácula em Veneza” (86), “Príncipe das Sombras” (87) e  “Enterrado Vivo” (89), entre outros mais.
A atriz americana Rachel Welch nasceu em 1940 em Chicago, Illinois e no mesmo ano em que atuou em “Viagem Fantástica” também participou da ficção científica “1000 Séculos A.C.”, da produtora inglesa “Hammer”.  

“Unindo a imaginação do Homem e a magia da câmera como nunca antes... Levando você numa aventura onde ninguém jamais havia experimentado antes”

Viagem Fantástica (Fantastic Voyage, Estados Unidos, 1966). 20th Century Fox. Duração: 100 minutos. Direção de Richard Fleischer. Roteiro de Harry Kleiner, a partir de adaptação de David Duncan para a história de Jerome Bixby e Otto Klement. Produção de Saul David. Música de Leonard Rosenman. Fotografia de Ernest Laszlo. Edição de William B. Murphy. Direção de Arte de Dale Hennsy e Jack Martin Smith. Elenco: Stephen Boyd (Dr. Grant), Rachel Welch (Cora Peterson), Edmond O´Brien (General Alan Carter), Donald Pleasence (Dr. Michaels), Arthur O´Connell (Coronel Donald Reid), William Redfield (Capitão Bill Owens), Arthur Kennedy (Dr. Peter Duval), Jean Del Val (Dr. Jan Benes), Barry Coe, Ken Scott, Shelby Grant, James Brolin, Brendan Fitzgerald, Brendan Boone.

(Juvenatrix - Janeiro 2004)