sexta-feira, 27 de março de 2020

A Ilha dos Homens-Peixe (Island of the Fishmen, Itália, 1979)


Utilizando como inspiração a história do livro “A Ilha do Dr. Moreau”, escrito em 1896 por H. G. Wells, sobre um “cientista louco” que realiza experiências genéticas misturando animais e homens, o diretor italiano Sergio Martino lançou em 1979 a aventura com elementos de horror e ficção científica “A Ilha dos Homens-Peixe” (Island of the Fishmen). Trata-se de uma divertida preciosidade dos antigos filmes bagaceiros com elementos fantásticos, que muitos apreciadores do estilo se lembrarão pelas exaustivas reprises na televisão.
Ambientado em 1891 na região do Mar do Caribe, temos um grupo de náufragos de um navio francês de prisioneiros tentando se salvar à bordo de um bote que acaba se chocando contra os rochedos de uma ilha. Somente alguns poucos conseguem sobreviver e se reúnem para explorar a região em busca de comida e abrigo. Enfrentando os perigos de uma ilha vulcânica como as águas venenosas de um lago ou ainda armadilhas mortais como um buraco com lanças pontiagudas, o médico Tenente Claude de Ross (Claudio Cassinelli) e dois prisioneiros, José (Franco Iavarone) e Peter (Roberto Posse), encontram um casarão e o improvável morador da ilha, Edmond Rackham (Richard Johnson). Ele comanda com austeridade um grupo de nativos praticantes de vodu, através de sua líder sacerdotisa Shakira (Beryl Cunningham), e mantém sob seu domínio uma jovem mulher, Amanda (Barbara Bach).
O médico náufrago inevitavelmente fica intrigado com a bela mulher vivendo numa ilha remota fora dos mapas e com seu misterioso anfitrião, que revela estar longe da civilização há quinze anos. Além também com as estranhas criaturas anfíbias, mistura de homens e peixes, que ele não sabe ao certo se fazem parte de um pesadelo ou realidade.
As coisas se complicam ainda mais depois que seus companheiros náufragos desaparecem misteriosamente e o médico descobre a existência de um laboratório bem equipado, comandado por um veterano biólogo, Prof. Ernest Marvin (Joseph Cotten), que está doente e realiza experiências proibidas como o típico “cientista louco” que dedica seu trabalho para o bem da humanidade.
“A Ilha dos Homens-Peixe” é uma daquelas divertidas tranqueiras italianas com história aproveitando ideias recicladas, já vistas em filmes como “A Ilha do Dr. Moreau”, lançado apenas dois anos antes em 1977, sobre o cientista recluso responsável por criaturas híbridas de homens e animais, ou “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), na apresentação de seres anfíbios mutantes, mistos de homens e peixes. Nele encontramos todos aqueles elementos que caracterizam o cinema fantástico bagaceiro, destacando principalmente os efeitos toscos com os monstros do título, muito mais divertidos com suas fantasias de borracha, garras afiadas e expressões estáticas, quando comparados com a artificialidade da computação gráfica dos filmes atuais.
Curiosamente, o filme teve uma versão americana lançada pelo produtor Roger Corman, acrescentando um prólogo e novo título, “Screamers”, com a participação de atores conhecidos dos filmes de poucos recursos como Cameron Mitchell e Mel Ferrer. Teve também uma continuação picareta em 1995, uma produção para a TV também dirigida por Sergio Martino chamada “La regina degli uomini pesce”, que basicamente é uma colagem com cenas reutilizadas do filme anterior e também de “2019: After the Fall of New York” (1983).
       
(Juvenatrix – 27/03/20)




quarta-feira, 25 de março de 2020

A Invasão das Aranhas Gigantes (The Giant Spider Invasion, 1975)


Pensando no sub-gênero dentro do cinema fantástico bagaceiro que explora o ataque ou invasão de insetos ou aracnídeos, gigantes ou não, as aranhas estão entre aqueles que mais são escolhidos pelos roteiristas para aparecer nos filmes, rivalizando com as formigas. Em 1975, o diretor e produtor Bill Rebane, responsável por diversas tranqueiras no currículo, lançou “A Invasão das Aranhas Gigantes” (The Giant Spider Invasion), uma preciosidade dos “filmes ruins” que era reprisada à exaustão na televisão nos bons e saudosos tempos onde os canais exibiam tralhas divertidas de horror e ficção científica.
Um meteoro cai próximo de uma pequena cidade americana no Estado do Wisconsin, causando panes mecânicas nos carros e fazendo os rádios pararem de funcionar. Da pequena cratera aberta no chão pela queda surgem diversas pedras redondas com diamantes em seu interior, e quando abertas liberam aranhas peludas alienígenas parecidas com as nossas tarântulas. Elas inicialmente atacam as vacas de uma fazenda e ao aumentar seus tamanhos de forma descomunal, invadem a cidade colecionando vítimas pelo caminho.
Um cientista da NASA, Dr. Vance (Steve Brodie), se desloca de Houston, Texas, até a região da queda da bola de fogo do espaço para investigar junto com os esforços de outra cientista local, Dra. Jenny Langer (Barbara Hale). Eles descobrem um buraco negro responsável pela vinda das aranhas de outra dimensão. Depois que uma aranha gigante com quinze metros causa um rastro de destruição por onde passa, a dupla de cientistas tenta encontrar um meio de anular o buraco negro, fechando a porta do inferno, e destruir a criatura aracnídea extraterrestre, contando com a ajuda do xerife local, Jeff Jones (Alan Hale).
“A Invasão das Aranhas Gigantes” é um daqueles filmes divertidos pela ruindade geral, desde a produção paupérrima ao roteiro típico do horror bagaceiro, passando pelos efeitos extremamente toscos da aranha gigante, lembrando um carro alegórico fuleiro de carnaval (na verdade, um bicho de pelúcia enorme montado sobre um fusca). Já no caso das aranhas de tamanho normal foram usadas criaturas de oito pernas reais passeando pelos cenários e sobre os atores, algo que o grande cineasta brasileiro José Mojica Marins já fazia muitos anos antes, como no clássico “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1963).
É verdade que o monstro aparece pouco em cena, seja destruindo uma casa, atacando um carro ou perseguindo pessoas desesperadas pela cidade, e a primeira cena só vem com quase 50 minutos de filme. Mas, é inegável a diversão garantida com a aranha colossal espalhando o caos por onde anda.
Devido às dificuldades orçamentárias da produção, o roteiro tratou de gastar muito tempo com enrolação na história, seja na investigação dos cientistas ou com os habitantes de uma cidadezinha não acostumada com movimentações na rotina simples. Mas, a espera pelas cenas da aranha imensa é recompensada com momentos hilariantes para os apreciadores de tosquices. Existem também várias cenas noturnas (filmadas na luz do dia) que ficaram muita escurecidas, algo bem apropriado para os realizadores esconderem os defeitos do monstro.
A história mistura um tom de seriedade com elementos cômicos inseridos por Robert Easton, um dos roteiristas e que também atuou como o fazendeiro Kester que encontrou as pedras espaciais com as aranhas. E tem o xerife bonachão apenas acostumado em resolver problemas comuns de uma pequena cidade do interior americano, e que passa a maior parte do tempo em seu escritório lendo o livro “Flying Saucers Want You” (Os Discos Voadores Querem Você) e atendendo chamadas no telefone.
Curiosamente, tem uma piada referenciando o filme “Tubarão”, o clássico de Steven Spielberg lançado no mesmo ano de 1975, onde um comentário hilário do xerife sobre a aranha gigante revela que numa comparação, “o tubarão é um peixinho dourado”.  
       
(Juvenatrix – 25/03/20)





Deuses renascidos, Sylvain Neuvel

Deuses renascidos: Livro 2 dos Arquivos Têmis (Waking gods), Sylvain Neuvel, 392 páginas. Tradução de Mateus Duque Erthal. Editora Companhia das Letras, selo Suma, São Paulo, 2017.

No primeiro volume da série Arquivos TêmisGigantes adormecidos, publicado em 2016 pela Companhia das Letras e comentado aqui, vimos como um colosso de metal em forma de mulher foi montado a partir de partes pré-fabricadas enterradas há milênios em diversas regiões distantes da Terra. Reunidas por um departamento secreto do governo norte-americano a montagem foi supervisionada pela acadêmica Rose Franklin, uma especialista no artefato que em sua infância havia achado uma das mãos da gigante. Uma vez montada, a máquina revelou ser algo de origem extraterrestre, cuja pilotagem exigia duas pessoas com habilidades e genética especiais, além de características físicas um tanto perturbadoras. As dificuldades na anatomia, bem como em compreender a linguagem e os controles da máquina, resultaram na operacionalidade parcial do artefato que, mesmo assim, se tornou a mais poderosa arma de guerra do planeta, capaz de sozinha destruir um exército bem armado antes de sequer ser arranhada. Sua simples existência lança a humanidade num dilema, pois quem detiver o controle do robô gigante, mandará no mundo. O problema é que as pessoas por trás do robô, incluindo seus esforçados pilotos, são pessoas cheias de defeitos e paixões, e tudo nem sempre sai como se espera.  Quando Rose morre num acidente, parece que as coisas podem perder completamente o controle, mas ocorre o impensável: Rose retorna ressuscitada, mas numa "versão reiniciada" que não entende muito bem tudo o que está acontecendo. Quem a ressuscitou, como e por que são alguns dos mistérios que vamos tentar entender na leitura de Deuses renascidos.
Mas a história da robô – que ganhou o simpático nome de Têmis – e do apaixonado casal que o comanda, a piloto militar Kara Resnick e o linguista Vincent Couture, não se resume às paranoias de Rose. Acontece que apareceu um segundo robô na Terra, surgido do nada em pleno centro de Londres, um monstro ainda maior que Têmis, desta vez na forma masculina. Ninguém sabe de onde veio nem se há alguém dentro dele, pois desde que apareceu não se moveu um só milímetro. A organização que controla Têmis decide levá-la até o monstro que parece ter vindo do mesmo lugar que ela, mas o exército britânico decide não esperar e, de olho na possibilidade  de ter seu próprio robô, empreende um ataque ao gigante antes que Têmis tenha a chance de confrontá-lo. O resultado é catastrófico: ao sentir-se ameaçado, o robô entra em ação e simplesmente pulveriza as forças de ataque, atingindo uma grande área habitada da cidade no processo. O confronto dos dois monstros de metal é inevitável, e tudo parece indicar que Têmis não terá a menor chance. Para complicar, Kara descobre que a cientista psicopata Alyssa Papantoniou, que a submeteu a experiências dolorosas no primeiro romance, obteve sucesso ao fecundar um óvulo retirado dela, e em algum lugar na América, ela tem uma filha que está agora com dez anos e corre o risco de ser sequestrada por espiões de países interessados em deter uma possível piloto para a Têmis. E como tragédia pouca é bobagem, surgem outros treze robôs similares nas mais populosas cidades mundo, e cada um deles passa a atacá-las com um gás mortal que devasta as populações em segundos. Mesmo com Têmis completamente operacional já seria praticamente impossível enfrentar tantos adversários mas, justamente nessa hora, Têmis desaparece dos radares e tudo leva a crer que é chegado o fim da humanidade. Há uma saída, contudo, porque os alienígenas não querem de fato destruir a humanidade. Mas, para obter o direito de sobreviver, será necessário entender a psicologia alienígena e dar-lhes a única resposta adequada possível.
É nesse cenário apocalíptico que se desenrola a sequência da aventura de ficção científica escrita pelo canadense Sylvain Neuvel, que está subdividida em quatro partes: "Parentes e amigos", "Tudo em família", "Unha e carne" e "Parente próximo". O autor sustenta o mesmo modelo narrativo adotado no primeiro volume, contando a história através de memorandos, artigos de jornal, transcrições de entrevistas, relatórios de missões e outros documentos que, tal como uma colagem, montam aos bocadinhos a imagem final dessa tragédia de proporções planetárias. Cada documento tem seu próprio espaço e tempo, com personagens surgindo e desaparecendo, de forma que nem mesmo os nossos queridos protagonistas estão completamente fora de perigo, e o autor tem ampla liberdade para ser muito cruel.
Como estamos no segundo volume de uma prometida série de três, embora algumas coisas até sejam definidas, mais uma vez não há uma conclusão satisfatória ao enredo. O terceiro e último volume, Only human, foi publicado nos EUA em 2018 e desde então a editora brasileira tem adiado sua publicação aqui. Outra série da Suma, Remembrance of Earth’s past do escritor chinês Cixin Liu, teve seu terceiro volume publicado apenas em ebook. Talvez seja esse o destino da trilogia de Neuvel, se tivermos sorte. Ou não.
Cesar Silva

domingo, 22 de março de 2020

O Ataque das Criaturas Bestiais (Attack of the Beast Creatures, 1985)


A fórmula básica do cinema fantástico bagaceiro é bem simples, basta unir os elementos “produção paupérrima”, “roteiro óbvio e clichê”, “elenco amador” e “efeitos toscos”. O filme americano “O Ataque das Criaturas Bestiais” (Attack of the Beast Creatures, 1985) tem tudo isso e consegue o mais importante para os apreciadores das tranqueiras de horror: “divertir” (mesmo que se for apenas poucos momentos e esquecidos logo depois).
Um navio de cruzeiro afunda em algum lugar do Atlântico Norte em Maio de 1920, e um pequeno grupo de náufragos consegue se salvar num bote, ficando à deriva no oceano. Com sorte, eles logo encontram uma ilha e tentam manter-se vivos até a chegada de algum resgate. Ao procurar água e comida pela floresta, eles são surpreendidos por bizarrices que desafiam a sobrevivência, desde um lago com águas corrosivas que derretem o rosto de um deles, até os ataques constantes, seja de noite ou de dia, de pequenas criaturas bestiais que querem provar o sabor das carnes dos invasores de seu território.
O filme está disponível no “Youtube” com legendas em português e é daqueles que poucas pessoas fazem de tudo, característica das produções com pouco dinheiro e muito idealismo para conseguir os resultados, mesmo que sejam de qualidade menor. A direção é de Michael Stanley, que também participa da produção, e o roteiro é de Robert A. Hutton, que também assina a edição e fotografia. 
Claro que para conseguir a metragem necessária, existem muitos momentos de enrolação, com o grupo de náufragos fazendo longas caminhadas pela floresta da ilha, contribuindo para o tédio do espectador, Mas, em compensação, e o que realmente interessa no filme, os ataques da tribo de criaturas do título são muitos e sempre divertidos. Os pigmeus veneram algum tipo de divindade representada por uma estátua. Eles têm longos cabelos pretos, grandes olhos brancos e dentes afiados, e saltam contra suas vítimas mordendo violentamente suas carnes e provando o sangue. 
Eles ficam observando no alto das árvores, correndo agilmente pelas matas, emitindo grunhidos bizarros e atacando em grupos, não dando descanso para os sobreviventes do navio afundado, que por sua vez fogem desesperados e lutam o tempo todo pela vida, mas obviamente poucos conseguirão ter sucesso nesse desafio.
A história é muito simples, definida em poucas palavras, “grupo de náufragos é atacado por criaturas carnívoras numa ilha”. O elenco é inexpressivo e os atores só fizeram esse filme. Os efeitos dos monstrinhos são extremamente toscos e patéticos, bonecos estáticos grudados nos atores, que gritam como se estivessem sendo devorados.
Para quem aprecia tranqueiras com elementos de horror, a diversão é garantida.

       (Juvenatrix – 22/03/20)


sábado, 14 de março de 2020

O Mundo dos Draags


O Mundo dos Draags (Oms em Série), Stefan Wul. Tradução de Mário Henrique Leiria. Capa de Lima de Freitas. 155 páginas. Lisboa: Edição Livros do Brasil, Coleção Argonauta, no. 64, 1961. Lançado originalmente em 1957.

Este é o quarto romance do autor publicado na célebre coleção Fleuve Noir nos anos 1950 e, mais uma vez, temos como pano de fundo uma ameaça ao destino da humanidade. Tal situação já havia sido tratada em Regresso a Zero (Retour à “0”) (1956) e Pré-História do Futuro (Niourk) (1957), respectivamente, seu primeiro e terceiro romance. Em Regresso a Zero através de um confronto catastrófico entre a velha Terra e o emergente poder de uma Lua rebelde habitada por criminosos. Já no segundo o reerguimento da humanidade após um apocalipse nuclear que dizimou quase toda a civilização.
Agora com O Mundo dos Draags a humanidade encontra-se em xeque, numa posição inferior e indigna. Somos apresentados ao mundo de Ygam onde a espécie dominante chamada draags escraviza os humanos – chamados de oms – não como serviçais, mas pior que isso, como animais de estimação, considerados como estúpidos e pouco inteligentes. Será esse nosso possível destino no caso de um contato com uma espécie alienígena tecnologicamente mais avançada, belicosa e, eventualmente, mais inteligente? Realmente me incomodou ver nossa espécie sendo humilhada, numa relação paternal e opressiva. E num certo sentido talvez possamos dizer que este livro despretensioso de Wul tenha influenciado o bem mais reconhecido O Planeta dos Macacos (La Planète de Singe) (1963), do também francês Pierre Boulle (1912-1994), embora não com uma dominação alienígena, mas de uma espécie de nosso próprio planeta.
Os draags invadiram a Terra em nosso futuro, mas já distante da época em que se passa a história. Levaram para seu planeta seres humanos, considerados como passivos e resignados. Havíamos chegado a uma condição de bem-estar material consolidado que, gradativamente, nos teria deixado fracos para lutar, acostumados com muitos anos sem rivalidades ou problemas sérios a resolver.
O início da história nos mostra a vida de um om domesticado, cuidado com carinho, mas subjugado apenas como estimação para famílias e, principalmente, crianças. Os draags têm a aparência semelhante à de sapos enormes, cerca de cinco vezes a altura de um om adulto. Depois de séculos de escravidão, por meio da fuga de um jovem om, Wul nos conta a lenta saga de resistência que emergirá entre os oms, que sem os donos, vivem em pequenos grupos nos esgotos, parques, lugares ermos da grande metrópole de Ygam.
Através da liderança de Terr – mostrado no início da história – os oms organizam-se crescentemente, unindo-se em coletivos cada vez maiores e mais articulados. Um dos meios para que eles readquirissem o gosto pelo conhecimento era através de fones de ouvido, usados para alfabetizar as crianças draags, que eles roubavam.
Contudo, apesar dos alertas seguidos de Singh, um dos mais prestigiados cientistas draags, de que os oms não deviam ser subestimados, pois estavam readquirindo sua inteligência e capacidade de rebeldia, os draags só o levaram a sério quando era muito tarde. Isso porque os oms, por causa da escravidão e conforto lhes imposta pelos draags, recuperaram seu desejo por liberdade, novamente lutando por sua sobrevivência para se organizar como seres autônomos e dotados de razão.
Sendo Ygam um planeta enorme em comparação com a Terra – com uma superfície distribuída por cinco continentes, três deles artificiais, construídos pela tecnologia draag, os oms conseguem se refugiar num velho porto abandonado e organizar-se numa sociedade. Assim, eles constroem três navios e navegam em direção a um dos dois continentes naturais, pouco habitados pelos draags.
Como já deve antever o leitor presume-se um confronto entre as duas civilizações, agora praticamente invertendo a situação: os conquistadores draags acomodados e sem disposição para a luta e os oms renascidos em sua busca por dignidade e liberdade. Podemos dizer que estamos diante de uma metáfora sobre racismo, numa crítica ao imperialismo europeu – e francês em particular – com relação aos povos conquistados pela força militar e discriminados por uma suposta – e na verdade absurda – superioridade cultural.
Mas Wul não problematiza questões como estas, escreve como que com um impulso natural e irresistível, dando a impressão – como já visto em outros de seus livros – de não planejar o enredo. Assim, a força da história repousa na fluência narrativa e na movimentação dos acontecimentos, sobressaindo o pleno entretenimento. Em todo caso, nota-se em O Mundo dos Draags um subtexto político mais presente do que nos livros anteriores.
Notável e instigante como os outros, é digno de registro que também foi publicado no Brasil como O Cativeiro Humano, pela Tridente Edições e Artes Gráficas, coleção FC no. 5, em 1970. Além disso recebeu também uma interessante adaptação ao cinema de animação em 1973, com o título de La Planète Seuvage (Fantastic Planet, em inglês), dirigido em tons psicodélicos e surrealistas bem à moda dos anos 1970 por René Laloux. Bem recebido pela crítica levou o Prêmio do Jurí do Festival de Cannes de 1973. Tive a sorte de conseguir uma cópia da versão em inglês, mas não foi lançado no mercado audiovisual no Brasil, embora seja possível assisti-lo na internet.
Em suma, O Mundo dos Draags é mais uma das aventuras pulps de Stefan Wul, embora aqui o tom de crítica social e subtexto político tenha um pouco mais de espaço do que seus três livros anteriores, de tonalidades mais fantásticas e delirantes.

Marcello Simão Branco

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Perelandra


Perelandra (Perelandra), C. S. Lewis. Tradução de Waldéa Barcellos. 302 páginas. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011. Lançado originalmente em 1943.

Perelandra (Viagem à Vênus) é o segundo romance da Trilogia Cósmica, ou de Ransom. Como o próprio autor informa no início do livro pode ser lido de forma independente. Mas se feito na sequência faz mais sentido para acompanharmos o desenvolvimento da trilogia criada por Lewis.
Depois de voltar de Marte (Malacandra para os habitantes do planeta) Ransom retoma seus afazeres acadêmicos, mas sabe que pode ser convocado pelos eldilas – espíritos evoluídos vistos em Malacandra – para cumprir uma missão para a evangelização cósmica, conforme já havia sido dito a ele em Além do Planeta Silencioso - resenha aqui. Em todo caso, ele é surpreendido com relação ao seu novo destino, pois é levado a Vênus (Perelandra), e não sabe o que deve fazer exatamente por lá.
Ransom se depara com um mundo novo, em processo de construção, e com uma extraordinária vitalidade em seu ecossistema. Tal característica já havia sido vista de forma bela em Malacandra, mas aqui estamos diante de uma natureza (fauna e flora) em intensa transformação. Assim, a maior parte da superfície é aquática, circundada por milhares de pequenas ilhas flutuantes, onde se desenvolve a vegetação e formas de vida animal.
Após explorar parte desta natureza Ransom conhece a Dama Verde, uma mulher misteriosa, com o qual vai travar longos diálogos, em torno de se situar neste mundo, trocar informações e partilhar valores. Na verdade, a mulher – nua, assim como Ransom, levado assim ao planeta – (depois renomeada de Rainha) é a primeira e única do novo mundo. Ela procura reencontrar o Rei, de quem se perdeu em meio às turbulências climáticas. Mas Ransom só percebe o propósito de seu contato, quando aterrissa no planeta o físico Weston, justamente um dos dois sujeitos que o sequestraram para Malacandra.
Weston é o antípoda de Ransom: egoísta, materialista, inescrupuloso, e cientista. Pretende ocupar Perelandra com o objetivo de liderar uma colonização humana. Aqui se estabelece uma polêmica, pois é dado a entender de que por meio do conhecimento científico, que supõe-se superior a outros, se justificaria a expansão humana em escala cósmica, mesmo que prejudicando o destino de outras formas de vida. É provável que tenha havido menos que uma crítica ao desenvolvimento científico em si – como Lewis passou a ser acusado a partir deste livro, especialmente nos Estados Unidos –, mas ao uso instrumentalizado e politicamente imperialista da ciência e tecnologia. Afinal, ele era irlandês, parte da cultura anglo-saxã responsável por colonizar povos em todo o mundo durante alguns seculos. (E não deixa de ser irônico de que no momento em que o livro foi escrito o Reino Unido estava quase por cair sob o império nazista).
Ao longo do livro haverá um embate entre as ideias pacíficas e humanistas de Ransom e as egoístas e bélicas de Weston, em torno da figura da Dama. Ora, como já deve estar claro, Perelandra é uma alegoria sobre o Gênesis, seção do Velho Testamento. A Dama representa Eva, e o Rei, o primeiro homem, Adão. A missão de Ransom, então, é evitar que o novo mundo, belo e inocente, seja corrompido, como acabou acontecendo com a Terra (Thulcandra, para os eldilas). Pois através da construção de um novo Paraíso, que não se deixe levar pelas tentações do prazer, da vaidade e do poder, Perelandra possa se tornar o que Thulcandra poderia ter sido. Um mundo que sucumbiu a todos os tipos de pecados, moralmente corrompido e espiritualmente decaído e, por isso, silencioso, isolado da comunhão celestial. Por outro lado, é interessante pensar que embora Lewis não tivesse conhecimento de como Vênus é na realidade, possa existir uma ironia embutida: a Terra, um paraíso em termos de natureza sucumbiu ao vício e ao pecado do homem; Vênus, um inferno em termos de natureza, deve emergir como o novo paraíso da virtude e da bondade.
Assim como no primeiro da trilogia este livro também tem uma estrutura metalinguística embutida, pois quem narra os feitos de Ransom não é ele em primeira pessoa, mas um amigo dele que não é ninguém menos que o próprio C. S. Lewis. Outro aspecto curioso, é que Ransom viaja a Vênus num caixão, como se morresse e fosse renascer num novo mundo. Ainda mais por ser Perelandra, é como se Ransom despertasse no Paraíso. Aqui, como se percebe, não há nenhuma preocupação racional ou tecnológica em como justificar a viagem interplanetária. Ao invés, ressalta-se a opção mais espiritualista, ou mesmo sobrenatural.
Esta é a segunda edição em língua portuguesa de Perelandra, e a primeira no Brasil. O livro foi publicado em Portugal pela Coleção FC Europa-América, no. 179, em 1991, como Perelandra Viagem a Vênus – que foi o título que recebeu numa das edições publicadas nos Estados Unidos nos anos 1950. Mais recentemente, em 2019 a editora de livros cristãos Thomas Nelson publicou Perelandra, junto com os outros dois livros da trilogia: Além do Planeta Silencioso (Out of the Silent Planet) e Aquela Força Medonha (That Hideous Strenght).
Este romance tem uma discussão teológica cristã evidente, especialmente da metade para o final, e chega a ficar um pouco chato e cansativo, pois carece de ação e drama, ao se concentrar demais na discussão e depois no desdobramento das opções apresentadas ao Rei e à Rainha, de que rumo seguir na construção do novo mundo. Apesar de ser um bom prosador Lewis acaba exagerando, tornando o livro quase que uma peça de defesa proselitista do cristianismo. Mesmo assim, no conjunto, apesar destes problemas, Perelandra vale a leitura, em termos da riqueza filosófica que apresenta, das discussões sobre a condição moral da humanidade e, não menos significativo, da narrativa da construção de um mundo rico e diversificado, cheio de imagens belíssimas.

Marcello Simão Branco

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein, 1974)

“Das mais escuras trevas, uma súbita luz brilhou sobre mim. Tão brilhante e maravilhosa e ainda assim, tão simples. Trocar os pólos do positivo para o negativo e do negativo para o positivo. Eu acabo de descobrir o segredo de dar a vida. Não, é muito mais. Eu me tornei capaz de dar vida à qualquer matéria morta.” – Barão Victor Frankenstein


O famoso comediante Mel Brooks sempre gostou de satirizar o cinema fantástico em filmes divertidos como “S.O.S. – Tem Um Louco Solto no Espaço” (Spaceballs, 87), uma paródia de ficção científica principalmente à série “Star Wars”, ou “Drácula, Morto Mas Feliz” (Dracula: Dead and Loving It, 95), uma gozação aos filmes de vampirismo. Mas, inegavelmente, sua grande obra-prima foi produzida bem antes, em 1974, com “O Jovem Frankenstein” (Young Frankenstein), fotografado em preto e branco numa grande e muito honrada homenagem aos filmes de horror antigos dos anos 30 da “Universal”, especialmente os clássicos “Frankenstein” (31) e “A Noiva de Frankenstein” (35), inspirados no famoso livro de Mary Wollstonecraft Shelley. 
A história inicia com o jovem neurocirurgião Dr. Frederick Frankenstein (Gene Wilder) dando aulas nos Estados Unidos sobre o cérebro humano. Ele faz questão de pronunciar seu sobrenome de forma diferente para não haver nenhuma ligação com seu avô Victor Frankenstein, que foi conhecido por roubar cadáveres para utilizar em experiências de criação de vida artificial em seu imponente castelo gótico na Transilvânia, Romênia. Após uma demonstração prática sobre os estímulos nervosos com resultados hilariantes com o Sr. Hilltop (Liam Dunn) como cobaia, o Dr. Frankenstein recebe a visita de Gerhard Falkstein (Richard Haydn), que viajou da Europa especialmente para entregar o testamento de seu avô.
Frederick decide então ir até a Transilvânia conhecer o castelo de seus ancestrais, se despedindo de sua noiva Elizabeth (Madeline Kahn) na estação ferroviária, numa sequência super hilária com a preocupação exagerada da mulher em não manchar o batom dos lábios, despentear o cabelo ou amassar a roupa. Uma vez chegando em seu destino, o jovem Frankenstein encontra o corcunda Igor (Marty Feldman), que se apresenta como seu ajudante geral e guia para o castelo, além também da bela Inga (Teri Garr), que se tornaria sua assistente de laboratório.
Chegando ao castelo, eles são recebidos pela velha arrumadeira Frau Blucher (Cloris Leachman), que os aguardava com ansiedade e revela que tinha um caso amoroso com o falecido Barão Victor Frankenstein. Uma vez explorando os incontáveis e imensos aposentos do castelo, Frederick encontra o antigo laboratório do avô e também sua biblioteca particular de onde resgata um livro com as explicações de suas experiências em reanimar carne morta. Mudando de opinião e agora obcecado pela possibilidade de reativar o trabalho de seu avô, Frederick concentra seus esforços para dar vida a um cadáver de um criminoso enforcado, roubado de seu túmulo, gerando um monstro (Peter Boyle, que apareceu como um sinistro vilão em “Scooby-Doo 2: Monstros à Solta).
Como o cérebro implantado na criatura era “anormal”, o monstro foge e causa alguns tumultos nos arredores do castelo, despertando a ira dos aldeões, sob o comando do Inspetor de Polícia Kemp (Kenneth Mars), que decidem invadir o laboratório no momento em que o Dr. Frankenstein fazia uma experiência com sua criatura tentando compartilhar suas mentes.
"O Jovem Frankenstein” foi filmado em preto e branco com a intenção acertada de reconstruir aquele clima típico das produções antigas da “Universal”, em especial os filmes impagáveis da década de 30. E o diretor Mel Brooks conseguiu com êxito o objetivo, pois sua obra é uma grande homenagem com inteligência e muito bom humor aos primeiros anos do cinema de horror falado, sobretudo os filmes inspirados na clássica história “Frankenstein”, escrita em 1818 por Mary Shelley.
São muitos os momentos super divertidos ao longo de todo o filme, mas os destaques são uma cena hilária envolvendo o Dr. Frankenstein e o corcunda Igor desenterrando um caixão com um enorme cadáver num cemitério. Frankenstein, cansado pelo esforço em levantar o pesado caixão de sua cova cheia de terra, reclama da situação desfavorável em que se encontra. Já Igor, responde que não estava tão ruim, pois poderia ser pior, poderia estar chovendo. Mal terminou de falar, e trovões aparecem trazendo uma chuva forte. Logo em seguida, quando estão tentando levar o caixão para o castelo, são surpreendidos por um policial (Richard A. Roth), que decide conversar com eles, obrigando-os a terem que simular um cumprimento com um aperto de mão do cadáver.
Todas as cenas com o inspetor Kemp são muito engraçadas, principalmente quando ele decide falar de forma super rápida e incompreensível, e quando todos não entendem nada do que falou, ele repete pausadamente. Aliás, como ele tem o braço direito artificial feito de madeira, ele o utiliza para uma série de atividades fora do comum como atear fogo no dedo para acender um charuto, ou usar seu braço como uma espécie de tora de madeira para os aldeões arrombarem a porta do castelo do Dr. Frankenstein.
O corcunda Igor, com seus olhos esbugalhados, também é responsável por vários outros momentos de bom humor, principalmente quando ele trocava sua corcunda de lugar, ora estando no lado direito do ombro, ora no esquerdo, e sempre que era questionado sobre a corcunda, ele fingia não reconhecer que tinha uma anomalia física. Como quando num dos primeiros encontros com o Dr. Frankenstein, o médico lhe diz que é um ótimo cirurgião e que poderia operar a corcunda, porém sua existência foi logo negada por Igor.
Já a arrumadeira do castelo Frau Blucher, também não ficava muito atrás nas cenas engraçadas, pois o roteiro reservou especialmente para ela o desagradável fardo de ter que suportar um incômodo e estridente relinchar de cavalos toda as vezes em que o seu nome era pronunciado.
Abaixo seguem várias curiosidades sobre “O Jovem Frankenstein” e seus bastidores, e que valem a pena serem registradas.
Os cenários, principalmente o imponente castelo, são recriações muito próximas dos originais utilizados nos filmes da “Universal”, sendo que inclusive os instrumentos e todo o maquinário elétrico e equipamentos do laboratório do Dr. Frederick Frankenstein são exatamente os mesmos criados por Kenneth Strickfaden para os clássicos dos anos 30 (com um agradecimento especial nos créditos de abertura).
A cena onde o monstro está carregando Elizabeth desacordada à noite por uma sinistra floresta é uma referência e homenagem ao clássico “O Monstro da Lagoa Negra” (54), de Jack Arnold, que tem uma sequência similar envolvendo o monstro do título e a bela Kay, a mocinha interpretada por Julie Adams.
No início do filme, ouvem-se treze badaladas do relógio, algo difícil de perceber a não ser que se contem todas as batidas pacientemente. Aliás, também perto do início, um casal de passageiros num trem fala exatamente as mesmas palavras em inglês (quando simulam a passagem por uma estação em New York) e também em alemão (quando passam por uma estação na Transilvânia).
O estridente e ameaçador uivo do lobisomem que se ouve quando o Dr. Frankenstein, sua assistente Inga e o corcunda Igor estão chegando ao castelo numa carruagem, foi feito pelo próprio diretor Mel Brooks, que aliás também foi o autor de um grito imitando um gato sendo atingido por um dardo arremessado de forma errada pelo Dr. Frankenstein, quando tentava acertar um tabuleiro como alvo.
Quando o Dr. Frankenstein localiza a biblioteca particular de seu avô, Victor, num aposento secreto no imenso castelo, ele encontra um livro escrito por seu avô intitulado “How I Did It” (Como eu Fiz), que é uma brincadeira do roteiro ao mencionar a existência de um registro que revelava como Victor Frankenstein conseguiu reanimar carne morta, um fato que não está revelado no livro original de Mary Shelley.
Naquela cena onde o monstro encontra na floresta uma garotinha, Helga (Anne Beesley), numa referência à mesma sequência do filme de 1931 de James Whale, eles ficam jogando flores num lago, e no momento em que a menina diz não ter mais flores para jogar, perguntando o que poderia então ser arremessado na água (para quem conhece o filme da Universal sabe o que o monstro escolheu para jogar no lago, numa cena que chocou o público na época e que ficou censurado por muitos anos), a criatura faz uma expressão de deboche para a câmera.
Quando o monstro faz uma visita espontânea ao homem cego, e depois de não ter obtido sucesso com a sopa quente, vinho e um charuto oferecidos por ele, numa série antológica de trapalhadas totalmente hilariantes, o monstro decide fugir com raiva e em seu encalço o homem cego ainda lhe oferece um cafezinho (essa última parte foi improvisada pelo ator Gene Hackman, pois não estava no roteiro).
O primeiro cérebro escolhido para a criatura era de um tal de Hans Delbruck, que no filme era descrito como cientista e santo, homem de grande inteligência e ideal para fazer parte do monstro, e na realidade Delbruck era mesmo um historiador e professor alemão de grande relevância nas áreas de economia e política.  
Numa das cenas finais, Elizabeth utiliza um cabelo igual ao da noiva do monstro no filme de 1935, quando a atriz Elsa Lanchester tinha um penteado com enormes mechas brancas no cabelo, que foi inspirado em antigas esculturas da rainha egípcia “Nefertiti”.       

Desde o dia fatídico como lama fedorenta que arraste-se do mar e grita paras as estrelas. Eu sou o Homem. Nosso maior temor tem sido saber de nossa mortalidade. Mas esta noite, vamos fazer a ciência desafiar e enfrentar a terrível face da morte. Esta noite, vamos chegar até as nuvens. Nós vamos imitar o terremoto. Vamos comandar os trovões. E conhecer as profundezas da impenetrável natureza.”
discurso do Dr. Frederick Frankenstein, momentos antes da experiência em conceber vida à criatura

O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein, Estados Unidos, 1974). 20th Century Fox. Preto e Branco. Duração: 106 minutos. Direção de Mel Brooks. Roteiro e história de Gene Wilder e Mel Brooks, inspirados em personagens da novela de Mary Wollstonecraft Shelley. Produção de Michael Gruskoff. Fotografia de Gerald Hirschfeld. Música de John Morris. Edição de John C. Howard. Direção de Arte de Dale Hennessy. Desenho de Produção de Dale Hennesy. Maquiagem de Ed Butterworth e William Tuttle. Efeitos Especiais de Hal Millar e Henry Millar Jr.. Elenco: Gene Wilder (Dr. Frederick Frankenstein), Peter Boyle (O Monstro), Marty Feldman (Igor), Madeline Kahn (Elizabeth), Cloris Leachman (Frau Blucher), Teri Garr (Inga), Kenneth Mars (Inspetor de polícia Hans Wilhelm Friederich Kemp), Richard Haydn (Gerhard Falkstein), Gene Hackman (Harold, o homem cego), Liam Dunn (Sr. Hilltop), Danny Goldman (Estudante de medicina), Oscar Beregi Jr., Arthur Malet, Monte Landis, Rusty Blitz.

(Juvenatrix - 30/12/04)